Sobre o carnaval de Porto Alegre
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Sobre o carnaval de Porto Alegre

A precarização dos espaços de cultura.

Roberto Robaina 9 mar 2020, 18:52

Todo Carnaval tem seu fim. O de Porto Alegre agoniza de tal forma que, quando começa, parece que já terminou. Realizá-lo nas condições que vem sendo realizado é resistência daqueles que enfrentam o preconceito fantasiado de descaso.

Fui ao Porto Seco acompanhar a apresentação das escolas de samba. Um desfile de falta de apoio, precariedade estrutural e desprezo à cultura popular. A maior festa do povo – sobretudo das comunidades mais pobres e dos negros – foi confinada em um espaço sem infra-estrutura. Não havia luz na área externa dos barracões, o acesso complicado, poucos banheiros…

É proposital, não circunstancial, colocar a diversão da periferia para longe da área central, onde integraria – como já integrou – muito mais os porto-alegrenses ao Carnaval. Mas a escolha dos governantes, há anos, é relegar a alegria popular à escuridão, ao não incentivo, à penúria de recursos até que o brilho de tudo esmoreça.

Ouvi de um jovem negro: “nós, os pretos, estamos aqui, no escuro. Carnaval para preto é assim, sem luz”. A comunidade já entendeu a alegoria racista do governo. Resiste. Não se sabe até quando.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.