Sobre o carnaval de Porto Alegre
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Sobre o carnaval de Porto Alegre

A precarização dos espaços de cultura.

Roberto Robaina 9 mar 2020, 18:52

Todo Carnaval tem seu fim. O de Porto Alegre agoniza de tal forma que, quando começa, parece que já terminou. Realizá-lo nas condições que vem sendo realizado é resistência daqueles que enfrentam o preconceito fantasiado de descaso.

Fui ao Porto Seco acompanhar a apresentação das escolas de samba. Um desfile de falta de apoio, precariedade estrutural e desprezo à cultura popular. A maior festa do povo – sobretudo das comunidades mais pobres e dos negros – foi confinada em um espaço sem infra-estrutura. Não havia luz na área externa dos barracões, o acesso complicado, poucos banheiros…

É proposital, não circunstancial, colocar a diversão da periferia para longe da área central, onde integraria – como já integrou – muito mais os porto-alegrenses ao Carnaval. Mas a escolha dos governantes, há anos, é relegar a alegria popular à escuridão, ao não incentivo, à penúria de recursos até que o brilho de tudo esmoreça.

Ouvi de um jovem negro: “nós, os pretos, estamos aqui, no escuro. Carnaval para preto é assim, sem luz”. A comunidade já entendeu a alegoria racista do governo. Resiste. Não se sabe até quando.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.