150 anos do nascimento de Lenin: muito criticado e pouco estudado…
'Vladimir Lenin (1870-1924)', Mikhail Kupriyanov, Porfiry Krylov e Nikolai Sokolov, 1949

150 anos do nascimento de Lenin: muito criticado e pouco estudado…

Sobre um dos maiores revolucionários da humanidade.

Josemar Carvalho 23 abr 2020, 16:05

Longe de destrinchar na minúcia o pensamento leninista da qual somos filiados. Gostaria de nesta pequena nota apresentar um dos maiores revolucionários da história da humanidade.

Passados 150 anos do seu nascimento, a sua maior contribuição militante, o Estado Operário Soviético instalado pela revolução socialista não existe mais. Foi destruído após um longo processo de burocratização do período stalinista.  Mesmo pouco lido nos meios intelectuais e acadêmicos, Lenin foi o maior marxista do Século XX.

Construiu o primeiro Estado Operário do Planeta, que levou a 1/3 da humanidade a viver por fora do sistema capitalista. Influenciou todo o pensamento marxista posterior. O processo russo trouxe várias lições para humanidade e para os trabalhadores. O modelo de partido lenista até hoje inspira a vanguarda da esquerda mundial. Em toda a sua obra, Lenin traz como fundamental, a questão da organização revolucionária, do regime de partido e de poder da classe trabalhadora.

Nascido em Simbirsk, Vladimir Ilyich Ulyanov (nome verdadeiro de Lenin) era família de classe média e começou a sua militância após o assassinato do seu irmão em 1887. Formou-se em Direito. Se tornou um importante dirigente do Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR). Em 1903, fui fundamental na construção da corrente bolchevique. Em 1905 liderou o que chamamos de ensaio geral que acumulou para o amadurecimento da revolução socialista de 1917. Em 1914, exilado na Galícia, apresentou uma posição independente frente a guerra imperialista que iniciava. E em 1917, tornou o principal dirigente da revolução.Sua morte em 1924 e ascensão de Stalin intensificaram o processo de burocratização num momento de descenso da classe trabalhadora a nível mundial.

Para contribuir na formação dos visitantes de blog listo alguns escritos importantes de Lenin:


1) “O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia” (1899), livro que levou 3 anos para ser escrito e traz importantes sobre as condições econômicas do seu país;

2) “Que Fazer (1902) é um livro de polêmica com Bernstein sobre o revisionismo marxista. É deste livro a famosa frase “Sem teoria revolucionária não pode haver também movimento revolucionário”. Coloca a práxis (teoria + prática) como parte fundamental da teoria leninista;

3) “Um Passo a Frente, Dois Passos Atrás” (1904), trava uma polemica com Julius Martov sobre o papel do partido;

4) “Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática” (1905) tem como central a discussão sobre tática e estratégia;

5) “Materialismo e Empiriocriticismo” (1909), em seis capítulos é um livro de filosofia marxista;

6)  As três fontes e as três partes constitutivas do marxismo (1913), é um pequeno texto que destrincha o pensamento marxista; 

7) “Imperialismo, fase superior do capitalismo” (1916), um clássico pois discute a questão dos monopólios e a reorganização da economia capitalista de forma planetária. O papel da financeirização, dos trustes e carteis;

8)     “As Teses de Abril” (abril de 1917), é um chamado ao processo revolucionário, analisa que a Primeira Guerra Mundial era uma “guerra burguesa do capitalismo” e necessidade do governo provisório dos mencheviques de romper com a burguesia. Neste livro que traz a palavra de ordem: “Paz,Terra e Pão”. Uma palavra que sintetiza os anseios do povo: a saída da guerra, terra aos camponeses e comida para o povo pobre e trabalhador que vivia nas cidades;

9)     “O Estado e a Revolução” (1917), um livro escrito as vésperas da revolução socialista na Russia em polemica com os anarquistas discute o papel do Estado;

10)  Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo (1920), é critica ao que hoje chamamos de “ultraesquerdismo” expressa nos comunistas alemães e ingleses. Um bom livro para compreender e entender as diversas fases de uma luta politica.

A ideia deste artigo é apresentar o pensamento leninista como um guia revolucionário para ação. Na era de internet onde a leitura de clássicos é cada vez mais escassa, pois a dispersão teórica e politica é muito grande. Ler Lenin nesta quarentena de Coronavirus é uma boa pedida, pois nos instrumentaliza para luta politica cotidiana que nos coloca a estratégia socialista no nosso horizonte.  

Artigo originalmente publicado no site do PSOL São Gonçalo.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.