Lenin: o estrategista da vitória
Lenin em 1918. Crédito: Associated Press

Lenin: o estrategista da vitória

A contribuição de Lenin a nossa causa é grande.

Leandro Santos Dias 25 abr 2020, 15:35

No dia 22 de abril completaram-se 150 anos do nascimento de um dos maiores dirigentes do século XX, Lenin como ficou conhecido mundialmente.

Existe uma explicação do motivo pelo qual Lenin não é citado em nenhuma universidade e odiado pela burguesia, pois dirigiu junto aos Bolcheviques a primeira experiência do proletariado exitosa, Lenin e os Bolcheviques souberam vencer e isso os torna perigosos, todo tipo de deturpação do processo revolucionário foi orquestrado pela Burguesia.
Mas é preciso chamar a atenção para os feitos extraordinários desse estrategista da revolução, pois a contribuição de Lenin a nossa causa é sem tamanho.

Primeiro é preciso pontuar que não existe Lenin sem os Bolcheviques e estes não existiriam sem Lenin.

Como todos sabem Marx e Engels inauguram a doutrina das condições da libertação da classe dos despossuídos, o proletariado, são eles que dão substância a teoria de que os produtores que a tudo produzem também podem ser em condições de libertação os gestores dessa produção.
Mas Marx e Engels viram o capitalismo no seu início, na sua fase de expansão, sua fase concorrencial e é aí uma das maiores contribuições de Lenin para atualização da leitura de Marx do capitalismo, Lenin percebeu que o Capitalismo, no seu livro Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo de 1916 é uma atualização da obra de Marx e Engels, Lenin observa que a fusão entre o Capital industrial e o capital bancário fez nascer o capital financeiro, inaugurando uma fase monopolista do capitalismo.

Se sua contribuição parasse aí já seria algo extraordinário, mas sua ousadia e genialidade vão além, os fundadores do socialismo científico também a sua época não puderam notar que dentro do proletariado, nos países centrais especialmente, havia um setor conceituado como Aristocracia operária que se deslocava dos interesses gerais do proletariado e com isso passam a assumir um papel reformista de manter a ordem capitalista vigente e ou apenas militar por reformas.

Aqui estamos diante de uma das maiores contribuições de Lenin que se pôs então a debater com todos os setores oportunistas do movimento e a combater as posições em dissonância com os princípios do socialismo cientifico que tinha no desenvolvimento do socialismo Francês o exemplo máximo do potencial revolucionário do proletariado.

Mas aqui temos mais uma vez um momento de apreensão, negação e síntese em que Lenin descobre que os interesses da nossa classe não são únicos, há neles a aristocracia operária – regra geral um setor que devido ao avanço do capitalismo recebiam melhores salários – e setores médios que não estariam dispostos a ir até as últimas consequências para acabar com o capitalismo e nem muito menos construir um partido para esse fim.
Karl Marx e Engels acompanharam a Comuna de Paris de 1871 e dela extraíram alguns ensinamentos, dentre eles que o proletariado não é uma classe una e que dentro da Associação Internacional dos Trabalhadores haviam posições como a de Bakunin que eram inconciliáveis.

Mas é Lenin que põe em pé a parte mais importante do socialismo científico que nada mais é que a ação, a luta, mobilização, organização para lutar e chegar a um determinado fim, a revolução.

E se debruça sobre esse tema, como transformar as ideias poderosas de Marx em ideais poderosas de ação?

Aí chegamos no livro escrito em 1902 – Que Fazer? – que é a obra que faz nascer o Leninismo, é neste livro que o estrategista da vitória pensa a máquina capaz de transformar a teoria em ação numa práxis revolucionária.

E isso marcaria todo o século XX e atualmente na medida em que Lenin consegue de forma brilhante edificar um partido, tendo como sustentação o socialismo científico e como fim inexorável a revolução.

Temos então os caminhos para a maior vitória até aqui do proletariado, mesmo no elo mais frágil do Capitalismo, a Rússia Czasista, os bolcheviques foram capazes de inaugurar um ciclo de revoluções proletárias que chacoalhariam o globo durante o século XX.

É justamente daí que brota a raiva dos de cima para com Lenin e os Bolcheviques, a Comuna de Paris que durou 3 meses e foi uma experiência isolada em Paris deixou um legado: era possível uma outra forma de viver que não essa onde uma minoria dita as regras porque detém os meios de produção, mas como todos sabem a Comuna foi esmagada, a burguesia parou uma guerra para esmagar os comunards.

Restou então ao Bolcheviques fazer o improvável, derrubar a burguesia e construir uma sociedade voltada a atender os interesses dos produtores, do proletariado, a classe que a tudo produz.

Os fundadores do socialismo cientifico – Marx e Engels – sempre atentos aos processos na periferia do capitalismo chegaram a debater a viabilidade da revolução num país atrasado como a Rússia soviética, tendo com um dos pontos centrais a questão da terra.

Mas como tudo é fruto do seu tempo, os fundadores do socialismo científico não podiam ter em mente o poder que um partido Bolchevique poderia adquirir, um partido de combate forjado na clandestinidade, lembremos do Csarismo (perseguiam e prendiam opositores) e mais fundamentalmente transformando as ideias radicais em formas radicais de organização e ação.
Esse é o grande legado do estrategista da revolução, não é possível dizer hoje que a classe não pode lutar e vencer, pois os Bolcheviques demonstraram o contrário.

Essa é essência do Lenin que sempre disse que nada mais era do que um discípulo de Marx e Engels, infelizmente morreu jovem com 54 anos apenas, os atentados um deles realizados por anarquistas custaram sua saúde.

Os Bolcheviques tomaram o poder não como uma forma de assalto ao poder de uma pessoa como a Burguesia quer fazer prevalecer com uma narrativa incompleta do que se passou, foi o movimento da ampla maioria dos camponeses, trabalhadores, soldados, em nome da maioria que em outubro de 1917 deu um basta ao despotismo, fome, miséria e após aprovado nos soviets passaram a pôr a linha da tomada do poder em prática.

Isso em nada tem a ver com o regime de terror que tem início em 1924 quando Stalin assume o poder na URSS e passa a perseguir, torturar, banir e a executar toda a geração revolucionária de 1917, simplesmente todos e todas que pudessem representar ameaça ao coveiro da revolução, em processos forjados ele criava sua verdade e executava quem quer que fosse, isso se deu inclusive com toda a geração de 1935 que eram os “aliados de Stalin” e nada tinham a ver com a geração de 1917.

É preciso nos apropriarmos dessa narrativa, a última palavra não pode ser da burguesia e nem muito menos do Stalinismo e seu terror.

Lenin e os Bolcheviques são odiados porque edificaram uma revolução poderosíssima que moldou todo o mundo durante o século XX e é esse exemplo que nesse começo de século XXI temos que nos inspirar: é preciso ousadia é preciso sonhar.


Viva Lenin!!!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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