Acordo Nacional, mais um

Acordo Nacional, mais um

Reunião é utilizada para sido que os governos no Peru possam aproveitá-la em detrimento dos trabalhadores e do povo

Tito Prado 16 maio 2020, 16:42

A convite do Presidente Martín Vizcarra, foi realizada virtualmente a 128ª sessão do Fórum do Acordo Nacional . Em seu discurso, o chefe de Estado destacou que estamos diante de uma crise social e econômica sem precedentes e que, para superá-la, é necessária a unidade de todos os peruanos. O Ministro da Economia também falou apresentando o plano de reativação econômica pós-Covid-19 aprovado pelo Executivo na extensão da CONFIEP e que a CGTP rejeitou porque os sindicatos não foram ouvidos, nem suas reivindicações foram levadas em conta.

Não deve ser surpresa, essa tem sido a constante do Acordo Nacional. Sempre que foi solicitada, tem sido para que os governos no poder possam aproveitá-la em detrimento dos trabalhadores e do povo. Com Vizcarra não será diferente.

UM POUCO DE HISTÓRIA

O Acordo Nacional foi convocado pela primeira vez pelo governo de Toledo em 2002, e os participantes assinaram um documento que foi assinado por Julio Favre, presidente da Confep, e Mario Huamán, secretário-geral da CGTP. Entre seus acordos está o compromisso de levar a educação de 3 a 6% do PIB, mas nunca foi cumprido.

Humala apela ao Acordo Nacional em 2014 para chegar a um acordo com García e Toledo que o salvará da sua crise de credibilidade. Eles fazem parte do mesmo Olmedo Auris em representação da CGTP e tiveram a assistência de Jehude Simon e Salomon Lerner, com Javier Iguiñez, Secretário Executivo do Acordo Nacional, todos eles conhecidos líderes do que foi a Izquierda Unida.

Esta política de adesão ao Acordo Nacional é inútil e acaba custando àqueles que dele fazem parte, pois acabam assumindo os custos de uma política de conciliação. Uma coisa é o diálogo, outra é o compromisso, o acordo, o que implica o propósito dos governos em exercício de comprometer todos com suas políticas antipopulares.

UNIDADE NACIONAL, COM QUEM E PARA QUE FINS

Claro que é necessária a mais ampla unidade para derrotar a Covid-19, mas é a unidade entre aqueles de nós que defendem a vida, é a unidade de ação em torno de temas comuns como saúde única, universal e gratuita, Bônus Universal, etc. Está entre aqueles de nós que concordam em avançar nessa direção e é contra aqueles que se opõem a ela. É inimaginável sentar-se à mesa com Dionísio Romero para convencê-lo do Bônus Universal ou do imposto sobre grandes fortunas. Ainda é impensável que o Ministro da Economia concorde em abolir a “suspensão perfeita”. Tais exigências só serão possíveis se houver pressão e uma luta para fazê-las sair do chão. Pensar que pode haver um plano comum é confiar no governo neoliberal da Vizcarra. Isso desarma os trabalhadores que podem ter algumas ilusões por causa da influência da mídia e dos partidos do regime. E torna inviável uma alternativa esquerdista porque se Vizcarra pode fazer as coisas bem, por que lutar com ele?

A unidade nacional está atirando em nosso estômago, é suicídio. O que é necessário é a unidade do movimento popular, cidadão e democrático em torno de um programa de emergência que contenha os pontos que a crise exige.

BÔNUS UNIVERSAL, RENDA BÁSICA

BÔNUS AGRÍCOLA PRODUTIVO

SAÚDE ÚNICA, UNIVERSAL E GRATUITA

NÃO À “SUSPENSÃO PERFEITA”.

IMPOSTO SOLIDÁRIO SOBRE GRANDES FORTUNAS

É agora! Amanhã pode ser tarde demais.

Artigo originalmente publicado no Portal da Esquerda em Movimento.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.