Em meio ao caos, reprovação de Bolsonaro se generaliza
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Em meio ao caos, reprovação de Bolsonaro se generaliza

Pesquisa XP/Ipesp divulgada nessa terça aponta recorde de impopularidade do governo.

Matheus Trevisan 20 maio 2020, 18:07

Foi divulgada nessa terça-feira (20) pesquisa Ipesp encomendada pela XP Investimentos que mostra que a popularidade de Jair Bolsonaro e de seu governo seguem ladeira abaixo.

Segundo a pesquisa, 50% dos brasileiros já consideram o governo ruim ou péssimo. Os que consideram bom ou ótimo diminuíram para o patamar de 25%.

A avaliação individual do presidente é ainda pior. Quando perguntados sobre o desempenho de Bolsonaro frente à pandemia, 57% dos entrevistados disseram considerar ruim ou péssimo. Os que consideram que o presidente lida bem com a crise são apenas 21%.

Considerando que se trata de uma pesquisa encomendada por uma corretora de investimentos alinhada com Paulo Guedes, é possível até supor que a avaliação popular do governo possa ser ainda pior.

Os números revelam uma incontestável deterioração do núcleo mais duro do bolsonarismo, já comumente considerado como 1/3 da população. Tudo indica que, na verdade, o grupo de apoiadores fanáticos de Jair Bolsonaro caminhe para um isolamento ainda maior, representando apenas 1/5 dos brasileiros.

Muitos analistas, especialmente os ligados ao mercado financeiro, consideravam que o pagamento do auxílio emergencial poderia representar uma melhora na avaliação do governo a despeito da conduta criminosa do presidente diante do agravamento da pandemia. A tese não se confirma, pelo contrário.

Na redes sociais, importante arena de enfrentamento político, o tamanho da tropa bolsonarista está consideravelmente menor. Mesmo com a atuação dos robôs e de toda a engrenagem criminosa do gabinete do ódio, Bolsonaro vem perdendo espaço. Sua única fortaleza é o Whatsapp mas, mesmo por lá, o comportamento genocida do presidente parece ir corroendo o apoio de uma parcela crescente de brasileiros.

No aplicativo de mensagens instantâneas, os grupos bolsonaristas sofreram abalos consideráveis após a defecção das alas mais ligadas a Sérgio Moro. Após a depuração, o que restou foi uma base ainda mais raivosa, que segue ativa na dispersão de conteúdos criminosos que defendem a cloroquina e o fechamento do Congresso. Críticas aos governadores e ataques à OMS também compõem o ambiente dos grupos praticamente blindados de contestações. Vem daí as correntes, vídeos, links e memes que chegam a milhões de celulares, alimentando o ódio de alguns e confundindo outros.

Cada vez mais isolado pela realidade, só resta ao governo e sua máquina de propaganda alimentar o faz de conta de seus apoiadores mais fanáticos. Da maioria a 1/3, de 1/3 a 1/5, o apoio a Jair Bolsonaro junto ao povo tende a ser ainda menor quanto mais alta for a pilha de corpos das vítimas pela covid-19.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.