Morremos de vírus e de bala: exigimos um Manifesto pela Vida!

Morremos de vírus e de bala: exigimos um Manifesto pela Vida!

Nós devemos ser a geração que articula o Manifesto da Vida contra o governo da morte.

Cilas Machado 22 Maio 2020, 15:47

Ando acordando, meio desolado, tento achar que deve ser mais um dia “comum” em meio à pandemia em que precisamos estar em isolamento social, mas estarreço, imagino que como outros, ao tomar conhecimento das mortes do nosso povo. É por vírus e é por bala. Nesses últimos dias, o Brasil bateu recorde mundial de vítimas do Coronavírus e também o menino João Pedro de 14 anos foi tirado de sua família. Mais um jovem, negro, criança que tem sua vida ceifada pela polícia militar do Rio de Janeiro e sua guerra de controle contra o povo.

A morte de João Pedro doeu. Sua família sente a perda, a dor. Conjuntamente, devemos exigir justiça! A morte da população brasileira vítima da pandemia nos assusta. Conjuntamente precisamos exigir atuação e responsabilidade do poder público para salvar vidas.

Há pouco tempo o filósofo Vladimir Safatle produziu uma reflexão importante: estamos vivendo um momento em que o Estado brasileiro recupera uma característica de Estado escravista. As vidas passam a ser menos importantes ainda. O governo Bolsonaro e o bolsonarismo exacerbam essa dimensão violenta e mórbida, carregam, naquilo que Regina Duarte quis disfarçar, um verdadeiro necrotério nas costas.

O conceito do professor Safatle tem esteio no intelectual Achille Mbembe, com a ideia de necropolítica. Isto é, um processo em que o Estado assume para si a dimensão de quem vive e de quem morre, mas, sobretudo, de quem morre. O Estado se torna articulador, cúmplice, permissível do estado de sítio que nossas comunidades vivem, seja pelo vírus, seja pelas balas.

A quem assiste as notícias da violência policial no Rio de Janeiro e das mortes do Coronavírus no Brasil, por mais desolado que fique, saiba: A CONTABILIDADE DA HISTÓRIA NÃO OS ABSOLVERÁ!

No ano passado produzimos uma luta intensa em defesa da educação e da Universidade Pública. Fomos marcados como a geração do Levante dos Livros que foi a pedra no sapato do governo das armas. Hoje, mais uma vez, é hora de agirmos. O governo Bolsonaro e os bolsonaristas precisam ser derrotados! E como contraponto, ao governo da morte, precisamos produzir um Manifesto pela Vida!

Nós devemos ser a geração que articula o Manifesto da Vida contra o governo da morte. E esse manifesto encontra articulação com a organização das nossas comunidades e do movimento negro brasileiro. A reorganização da luta popular é a única saída possível!

O exemplo de Paraisópolis deve ser nacionalizado. É hora da esquerda tomar para si a necessidade de retomar o diálogo com o movimento popular e o movimento negro. Colocar a periferia realmente no centro. É a política da vida que vai derrotar a morbidez do governo.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.