Que a crise seja paga pelos ricos!

Que a crise seja paga pelos ricos!

A única forma de encarar a mortandade é tomar medida a respeito do caixa fiscal e das grandes fortunas.

Tito Prado 11 Maio 2020, 14:41

Em fevereiro, as notícias que chegavam da Europa eram de causar calafrios e se sabia que a Covid-19 chegaria aqui também, mas o que se fez para mitigar seu impacto?  Cabe a pergunta porque estamos a um mês e meio do início da quarentena e a curva de infectados e mortos não tem data para baixar. Parece que as medidas vão sendo tomadas ao calor dos acontecimentos, segundo como venha a onda, responde-se de maneira empírica, como ir ao mercado diariamente, sem um plano nem orçamento para a semana ou para o mês.

“Falta tudo” disse a chefa do Comando Covid-19 que foi formado no início de abril, três semanas durante os quais o vírus tomou a dianteira de longe. Os profissionais da saúde e da polícia em todo o país reclama medidas de segurança, ainda agora, 45 dias depois de iniciado o estado de Emergência. Essa demora já custou vítimas mortais nas primeiras linhas de combate ao Covid-19. E assim poderíamos falar dos caminhantes que regressam a suas províncias ou da gente que saem de casa para vender algo porque não têm o que comer.

Há um problema de fundo, estrutural, certamente. Ninguém ignora que 30 anos de neoliberalismo deixaram a saúde no solo, com os menores orçamentos da região. Mas parar aí é ter uma visão parcial do problema, por acaso não contam as ações das autoridades políticas começando pelo Executivo? Não vamos fazer uma avaliação subjetiva do grau de compromisso do presidente Vizcarra e seus ministros, isso podemos dar por descontado. O problema é que sua estratégia não está dando resultados e se prevê uma bagunça pior do que já existe.

À luz dos resultados salta à vista que há falta de planejamento, de projeção, de centralização, e sobretudo de coragem para tomar medidas URGENTES E NECESSÁRIAS para assegurar a quarentena, evitar a fome e os êxodos massivos que não têm fim, para dotar ao setor sanitário de proteção e provas de descarte. Foram tomadas medidas, é preciso reconhecer isso, mas resultam insuficientes e vemos isso diariamente. A lógica neoliberal tem atado o governo que não quer se chocar com os grupos de poder econômico, nem sequer com as AFP que demonstrado está são uma fraude para os assegurados.

Esta crise é como uma guerra, nela há bandos e como costuma passar em toda guerra, há gente que passa para o bando contrário. A classe empresarial, há que dizer isso uma vez mais, atua em favor da propagação do vírus porque sua cobiça se opõe à vida. E nisso de buscar saídas não conta tampouco a direita tradicional, essa que está à espreita para dar a patada buscando salvar os corruptos aproveitando a crise, ou apoiando saídas militaristas.

Não há outra forma de encarar a mortandade que tomando medidas a cargo do caixa fiscal e as grandes fortunas. NÃO HÁ OUTRO CAMINHO. E não é falta de colocarmos de acordo com os que estão do outro lado, simplesmente há que tomar o que faz falta e ponto. Essa é a responsabilidade exigida do governo e que pode assumir como outros governos o vêm fazendo. Isso não tem nada de comunismo –como escreve um tonto por aí – é mínimo o compromisso em defesa da vida, salvo que pesem mais os interesses da CONFIEP. De fato, assim foi com o tema laboral e o econômico em geral. Então apoiar as reclamações do povo peruano passa a ser de urgente necessidade. Não fazer isso ou promover a unidade nacional nesta situação extrema é uma ingenuidade suicida, hoje a linha está clara. Que a crise seja paga pelos ricos! Eles a geraram com sua “economia de mercado” e a vêm agravando com sua indolência. Sua fortuna se devem aos trabalhadores. Ou eles com seus negócios à frente ou a vida mesma. Não meio-termo.

A luta contra a Covid-19 não termina em 10 de maio, a crise econômica será tão mortal como a pandemia. São necessárias medidas agora que mitiguem o que está por vir, não é uma crise conjuntural como dizem os economistas do modelo, é uma crise estrutural de caráter civilizatório. Não entender isso nos desarma como já estamos vendo.

Por tudo isso sigamos insistindo:

BÔNUS UNIVERSAL é para todos, bônus familiar cobre uma parte, é um alívio, mas não é para todos.

BÔNUS AGRÁRIO PRODUTIVO, para assegurar a produção no campo.

SAÚDE ÚNICA, UNIVERSAL E GRATUITA, ao menos durante a emergência.

NÃO À “SUSPENSÃO PERFEITA”, isso é um golpe sobre os trabalhadores.

IMPOSTO SOLIDÁRIO ÀS GRANDES FORTUNAS, que as empresas paguem suas dívidas junto ao fisco e se cortem as exonerações tributárias.

É agora! Amanhã pode ser muito tarde.

Reprodução da versão publicada pelo Portal da Esquerda em Movimento.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.