O racismo é internacional e luta contra ele também:  uma nota sobre a Rebelião Negra nos Estados Unidos
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O racismo é internacional e luta contra ele também: uma nota sobre a Rebelião Negra nos Estados Unidos

A crise sanitária do COVID-19 soma-se agora as cenas marcantes do George Floyd sendo torturado até morte por um policial norte-americano.

Josemar Carvalho 4 jun 2020, 15:12

Os debates internacionais nunca estiveram tão presentes no cotidiano popular. A crise sanitária do COVID-19 soma-se agora as cenas marcantes do George Floyd sendo torturado até morte por um policial norte-americano.

Um fato aparentemente comum num país racista como é os Estados Unidos, ganhou repercussão e provocou uma onda de protestos. O estrangulamento por 9 minutos, sendo filmado por vários, chocou o mundo. Floyd ecoou ali um “grito por vida” que virou um “grito de guerra” na luta contra o genocídio do povo negro: “não consigo respirar”. O movimento Black Lives Matter (tradução: Vidas negras importam) foram os principais organizadores de uma onda de protesto que espalharam pelo mundo.

O governo da extrema direita de Donald Trump fez seu papel de lacaio do racismo e veem reprimindo duramente as manifestações. Numa delas, a polícia agrediu e prendeu um jornalista negro da emissora de TV CNN, enquanto com seu com colega jornalista branco nada acontecia. É a face do racismo estrutural que ocupa as instituições e os aparatos repressivos.

Mas o nosso povo negro que significa 13% da população dos EUA não se intimidou. O perfil autoritário o Chefe do Estado da principal potência do planeta, Donald Trump não impediu que ele tivesse que se proteger no Bunker subterrâneo da Casa Branca contra as mobilizações. Um fato inédito na história norte americana.

As declarações racistas, o Estado de Sítio (decretado por vários Estados e cidades), a repressão policial, o quadro de 40 milhões de desempregados, as mais de 100 mil mortes por COVID-19 (que tem sido mais letal nos negros), fazem efervescer o caldo social que alimentam as manifestações. É resposta dxs negrxs a Trump e seu descaso com o nosso povo.

É preciso derrotar o governo Trump e todos aqueles que o seguem, como é o caso do Bolsonarismo no Brasil. O caminho está pautando pelas mobilizações antirracistas que se espalharam pelo mundo. Respeitaremos os ditames da ciência para nos organizar e nos proteger do COVID-19, mas não deixaremos que o pensamento racista e fascista que visa o nosso extermínio, siga existindo e relativizando as nossas mortes.

O racismo é internacional e luta contra ele também. Seja aqui em São Gonçalo, na denuncia contra o bárbaro assassinato do jovem João Pedro. Seja na França, na violência policial que matou Adama Traoré ou no caso de George Floyd, seguiremos resistindo, nos indignando e denunciando. Vidas Negras Importam em todo o canto do planeta!!!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.