Dia histórico: #brequedosapps, o levante contra a precarização

Dia histórico: #brequedosapps, o levante contra a precarização

Ao saírem às ruas para reivindicar seus direitos básicos, categoria deu um importante passo na luta contra a precarização e flexibilização das relações trabalhistas como um todo.

Juntos! 2 jul 2020, 14:29

O dia 1 de julho entrou para densa história da luta dos trabalhadores no Brasil. A paralisação organizada por entregadores de aplicativo de todo o país em defesa de seus direitos, além de mobilizar a opinião de uma maioria social a seu favor, emparedou empresas gigantes usando o método de ocupação das ruas como ferramenta de sua luta.

Ao saírem às ruas hoje para reivindicar seus direitos básicos, essa categoria deu um importante passo na luta contra a precarização e flexibilização das relações trabalhistas como um todo, que vem sendo utilizadas para explorar cada vez mais nosso povo.

As redes sociais demonstraram desde cedo até o fim do dia o apoio a luta dos trabalhadores que se arriscam durante a pandemia para serem explorados pelas empresas que passaram a lucrar ainda mais neste período. O movimento estudantil, construiu uma nota de apoio assinada por 23 DCEs e 35 Centros Acadêmicos de país.

A resposta do Ifood, que implementou hoje a aba “abrindo a cozinha”, onde contam uma série de mentiras sobre que o supostamente estão “fazendo pelos entregadores”, já se apresenta como uma resposta a enorme pressão feita no dia de hoje. Sem dúvida um dia histórico, de um processo de revolta que está apenas começando.

Nós do Juntos estivemos de Norte a Sul presentes e apoiando a luta dos entregadores. Confira como foram os atos por todo o país:

São Paulo

A capital econômica do país, foi o coração dos atos dos entregadores. Com bloqueios e concentrações em diversas regiões da cidade e região metropolitana pela manhã, entregadores fizeram pequenas manifestações descentralizadas já mostrando a força do que viria pela tarde. Às 14h, o encontro no MASP foi o ponto alto da luta dos entregadores no Brasil, reunindo milhares de motoboys e motogirls como uma verdadeira explosão da luta dos trabalhadores precarizados, que se manifestaram com sinalizadores, palavras de ordem, até seguir a marcha com suas motos na Ponte Estaiada.

O Juntos! esteve presente desde cedo, ao lado de Luana Alves e Sâmia Bomfim.

Brasília

Na capital do país, local onde há a Associação de Entregadores que se organizam e já construíram outros atos anteriormente, foi onde houve uma das paralisações mais fortes, com cerca de 200 trabalhadores presentes, entre motoboys e ciclistas. Sob a palavra de ordem de “Trabalhador unido, jamais será vencido!”, os entregadores de concentram em frente ao TJDFT e fizeram um grande ato até a Esplanada dos Ministérios, no Congresso Nacional.

Atualmente, há PL 937/2020, apresentado pelo deputado distrital Fábio Felix, que cria pontos de apoio onde eles possam ter acesso a banheiros, vestiários, estacionamento, espaço para descansar e recarregar seus celulares. O Juntos! esteve presente ao lado da líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchionna.

Foto: Matheus Alves

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte os entregadores estiveram desde cedo ocupando as escadarias da Assembleia Legislativa mandando o recado que que “trabalhador unido, jamais será vencido”. A manifestação que percorreu diversos pontos importantes da cidade se encerrou na Praça Sete, coração de BH, paralisando duas das principais avenidas da capital mineira numa demonstração da força da categoria em luta.

Recife

Em Recife a manifestação começou a partir das 9 hs. Sob o sol forte da capital pernambucana, centenas de entregadores atravessaram a cidade marcando suas reivindicações em pontos importantes da cidade como a Praia de Boa Viagem, que no dia de hoje também se transformou em palco das reivindicações dos entregadores na luta por seus direitos.

Rio de Janeiro

Centenas de pessoas tiveram no ato do Rio de Janeiro, protagonizado pelos motoboys e entregadores de bike de todos principais aplicativos. Saindo às 11h da Candelária, marcharam até o Ministério do Trabalho com as reivindicações de Direitos Básicos para os trabalhadores de Delivery! O Juntos, esteve presente demostrando apoio e divulgando a mobilização, em debate direto com os entregadores.

O ato depois seguiu em moto até o Jardim Botânico, passando por boa parte da Zona Central e Sul da cidade.

Boa Vista

Na capital de Roraima mesmo com baixa adesão, também houve mobilização de entregadores, que se encontraram na praça em frente ao Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth. Quem esteve presente, demarcou que as empresas descontam taxas que deveriam ser dos entregadores, enquanto quem se arrisca são eles.

Belém

Em concentração desde a manhã, os entregadores de aplicativo também protestaram em Belém por melhores condições de trabalho e segurança. Usando motos e bicicletas, eles saíram da avenida Visconde de Souza Franco em direção ao Palácio dos Despachos, sede do governo do Pará. A manifestação terminou por volta das 13h30.

Fortaleza

Em Fortaleza os entregadores se reuniram no bairro Edson Queiroz e saíram em manifestação e buzinaço em algumas das avenidas mais movimentadas da capital cearense. Às pautas, seguindo as movimentações nacionais exigiram mais direitos e denunciaram a precarização promovida pelas empresas.

Salvador

Na capital baiana os entregadores se reuniram a partir das 11 hs na avenida Antônio Carlos Magalhães. Reunidos às dezenas fizeram um percurso por diversos pontos de Salvador, encerrando sua manifestação na Barra após terem ocupado a orla, paralisando o trânsito e agitando suas pautas.

Feira de Santana

Em Feira de Santana, interior da Bahia, os entregadores também organizaram sua manifestação denunciando as extenuantes jornadas de trabalho que não chegam a render um salário mínimo aos trabalhadores. A manifestação percorreu diversas vias da cidade chegando a paralisar a avenida Getúlio Vargas, principal avenida da cidade.

Teresina

Em Teresina, os entregadores também se manifestaram contra a precarização do seu trabalho e exigindo das empresas de aplicativo o aumento da taxa por km rodado. A categoria ainda se reuniu com o secretário de segurança pedindo por mais segurança aos trabalhadores pressionando o poder por uma posição frente a crescente exploração pela qual passam.

Maceió

Em Maceió dezenas de entregadores fizeram buzinaço pelas ruas da cidade chegando a para a Avenida Fernandes Lima, principal via da capital alagoana. Seguindo às pautas nacionas, os entregadores de Maceió levantaram as bandeiras em defesa de medidas de proteção trabalhista e de sua saúde.

São Luís

Em São Luís os trabalhadores se organizaram pela internet e tiveram apoio das associações de entregadores e de motofrentistas. O buzinaço percorreu as principais avenidas da cidade fazendo a denuncia das baixas taxas pagas pelos aplicativos e das suspensões sem critérios utilizados pelos mesmos.

Natal

Na capital do Rio Grande do Norte, Natal, a manifestação dos entregadores contou com a presença, nada ilustre, da Polícia Militar, bem como da Polícia Rodoviária Federal, que fez uso do decreto estadual sobre aglomeração com o intuito de intimidar e ameaçar os trabalhadores que estavam exercendo o seu direito de manifestação. Essa arbitrariedade causada pela Governadora Fátima Bezerra (PT), ironicamente, se deu no dia de reabertura econômica do estado, decretada pela própria! Apesar dessa tentativa de desestabilizar o movimento, os trabalhadores se organizaram em frente do Midway, um dos shoppings da cidade.

Mossoró

Em Mossoró, cidade do interior do Rio Grande do Norte, a luta não parou! O ato dos motoboys aconteceu durante toda a manhã e em parte da tarde. Os entregadores percorreram as principais avenidas da cidade, fazendo paradas em diversas praças para expor a situação à qual são submetidos. Foram às portas nas sedes dos aplicativos com intuito de mostrar indignação e tentar um diálogo, porém tiveram nenhum retorno. Durante o ato, também marcaram presença nos portões das emissoras de TV da cidade, entre elas a INTERTV Cabugi. Os trabalhadores apresentaram à população as pautas da manifestação: “Estamos na luta não só pela melhoria financeira, mas também por dignidade e respeito”, disse Castilho Queiroz para o Juntos Potiguar.

Aracaju

Em Aracaju os entregadores concentraram-se em frente aos Arcos da Orla, na Avenida Santos Dumont, porém a polícia militar impediu a saída do ato alegando não ter sido informada da manifestação, mostrando a cumplicidade dos governos com a absurda precarização promovida pelas empresas aos entregadores. Mesmo assim, os entregadores por mais de duas horas fizeram agitação em uma das avenidas mais movimentadas da capital sergipana.

Goiânia

Com buzinaços pela cidade, também teve mobilização de entregadores em Goiânia, onde a Central Única das Favelas também realizou um entrega de EPIs aos trabalhadores, uma das reivindicações da paralisação do dia de hoje.

Campo Grande

Iniciando na Região do Horto Florestal e percorrendo as ruas do centro de Campo Grande, os entregadores também se manifestaram por mais condições de trabalho com buzinaços pela cidade.

Uberlândia

Além da capital Belo Horizonte, o Juntos! também esteve presente em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde os entregadores também mandaram seu recado. Mobilizados desde as 9hrs, os entregadores buscaram denunciar para a população da cidade a precária situação as quais essa categoria está submetida e o descaso dos aplicativos com suas exigências pelo mínimo de dignidade.

Vitória

Na capital do Espírito Santo, cerca de 40 motoboys e motociclistas se reuniram no Bairro Jardim da Penha. em protesto durante a manhã inteira, eles também prometem seguir a mobilização por melhores condições de trabalho, taxas mais alta de entrega, auxílios e EPIs.

Niterói

Além da capital do Rio de Janeiro, o Juntos também esteve presente na mobilização dos entregadores em Niterói, que se concentrou ao lado das barcas. Os relatos dos trabalhadores é que mesmo diante das ameaças das poderosas empresas, eles acreditam que a mobilização é a forma de conquistar mais direitos contra a exploração.

Ribeirão Preto

Mais de uma centena de entregadores paralisaram as atividades em Ribeirão se somando à grande mobilização nacional. O Juntos! esteve presente ao lado das motocicletas que percorreram a cidade.

Campinas

Com apoio de estudantes da UNICAMP, mesmo com chuva, os entregadores de Campinas se reuniram na rotatória do Castelo desde as 9h e percorreram de moto pelas principais avenidas da cidade, bloqueando pedidos e terminando apenas 20h

Santos

Na região litorânea de São Paulo, também teve protestos na cidade de Santos. Dezenas se reuniram na Praça da Independência por melhores condições de trabalho, no momento em que as empresas registram lucros exorbitantes.

Curitiba

Na capital paranaense, onde o Juntos! esteve na construção da mobilização ao longo da semana com os entregadores, a mobilização percorreu desde cedo a região central de Curitiba. A piora das condições de trabalho durante a pandemia é uma das principais reivindicações do entregadores, e parte do estopim da mobilização do dia de hoje.

Florianópolis

Em Floripa, os trabalhadores realizaram um apitaço em frente ao Shopping Beira Mar, no centro da cidade. Desde o início da pandemia a demanda de pedidos tem aumentado, o que aumentou, também, a carga de trabalho dos entregadores. Ao mesmo tempo em que os entregadores destacam que o valor recebido pelo trabalho vem diminuindo.

Porto Alegre

Mesmo diante do frio, dezenas de trabalhadores se reuniram na Praça da Alfândega em Porto Alegre para marcar o dia nacional de paralisação na capital gaúcha. A concentração se deu por volta das 10h30, e os entregadores saíram em sua maioria com biblicicletas, em ato pelo centro do Porto Alegre rumo ao bairro Moinhos de Vento. Também foi lembrada na manifestação, as dificuldades extras enfrentadas pelas mulheres entregadoras, que além do machismo da cidade, também são preteridas pelos aplicativos. Esteve presente o vereador e dirigente do PSOL, Roberto Robaina.

Artigo originalmente publicado no dia 1 de julho no Medium do Juntos!.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.