Professores horistas comem o pão que a UERR amassou
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Professores horistas comem o pão que a UERR amassou

Quase um mês após o início do ensino remoto a situação dos professores horistas na Universidade Estadual de Roraima é de desamparo.

Kezia Lima 18 ago 2020, 14:40

Decorrida mais da metade do mês de agosto e quase 1 mês após o início do ensino remoto, a situação dos professores horistas na Universidade Estadual de Roraima (UERR) é de desamparo. Ainda sem o pagamento das horas trabalhadas em julho e sem nenhuma comunicação ou satisfação da UERR sobre isso.

Neste ano, eles receberam apenas o referente a 3 semanas de aulas presenciais em 2020, antes de se iniciar o período de quarentena. Por esse modelo de contrato, fora essas três semanas mencionadas, esses professores estão sem salário desde 2019, pois só há remuneração à hora-aula lecionada. As várias horas de reuniões de colegiado, por exemplo, não são remuneradas. Esse modelo de contrato precisa ser revisto.

A Instituição tem conhecimento da situação dos horistas que estão sem renda desde 17 de março, quando se iniciou a quarentena em Roraima. Houve caso de professores horistas que, realmente sem remuneração por meses, solicitaram o auxílio emergencial federal, foram aprovados e depois convocados a darem explicação das razões da solicitação, porque estavam registrados como funcionários públicos, sendo orientados ainda a devolver os valores do auxílio emergencial, como se tivessem cometido algum tipo de fraude, o que foi injusto e humilhante.

O contrato prevê o pagamento até o 11º dia útil do mês: 17 de agosto de 2020. Contudo, mesmo sabendo a situação dos horistas, a UERR, além de não dar prioridade de pagamento a esse modelo de contrato, está com o pagamento atrasado. É uma situação absurda, porque o recurso financeiro para esses professores já está garantido. Não se pode alegar falta de recurso, que além de tudo está parado há 3 meses.

Com o novo calendário acadêmico, os professores horistas, que já tinham suas aulas planejadas para o ensino presencial no início do ano, tiveram que remontar tudo para o novo modelo à distância. Todo esse replanejamento sem remuneração alguma. As aulas remotas iniciaram no dia 20 de julho, mas os professores horistas tiveram várias horas de trabalho não remunerado para se adaptar a esse novo formato, que exigia conhecer, entender e considerar as especificidades de cada aluno: ligar individualmente para saber se tem acesso à internet, preparar aula, gravar, editar, postar vídeo e atividade. Uma nova maratona que extrapola os limites e sobrecarrega o trabalhador da educação.

A desvalorização da docência é, além de vergonhosa, desumana. Imaginem a saúde mental desses trabalhadores ao verem seu trabalho desvalorizado diante de uma pandemia em que, se adoecerem, sabem que não poderão arcar com seus tratamentos porque estão sem salário há meses. Como os professores sem salário vão manter sua franquia de internet para o ensino remoto? Ou até mesmo, fazer contato com seus alunos numa chamada telefônica? Não esqueçamos que esses professores ainda são seres humanos que precisam alimentar a si e seus dependentes e a única comida que está posta à mesa é o pão que a UERR amassou. Esses professores estão vivendo da solidariedade familiar.

Esse é um espelho que reflete exatamente como está educação em Roraima: sucateia-se a educação pública, desvaloriza-se os trabalhadores da educação e não se consulta a classe estudantil, principalmente os discentes das licenciaturas que estarão futuramente fazendo o trabalho desses professores de hoje. A luta contra a precarização da docência é agora e urgente. Pela educação pública, gratuita e de qualidade: respeitem e valorizem os professores!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.