Não à operação policial de Putin contra o povo bielorrusso!

Não à operação policial de Putin contra o povo bielorrusso!

Há um acordo tácito entre os regimes autoritário dos dois países.

Movimento Socialista Russo 11 set 2020, 12:50

Em 27 de agosto, em uma entrevista a uma TV, Vladimir Putin disse que está pronto para enviar unidades policiais russas à Bielorrússia em caso de ameaça direta às autoridades legítimas deste país. Em sua entrevista, Putin também deixou claro que considera Lukashenko um presidente dentro da lei e que as ações da polícia de choque bielorrussa após as eleições de 9 de agosto foram “moderadas”. Convocando Lukashenko para o diálogo com a sociedade, aceitou definitivamente a versão do diálogo em que o próprio Lukashenko insiste: o início do processo de algumas mudanças na Constituição bielorrussa após o reconhecimento incondicional dos resultados eleitorais – algo lembra fortemente aquelas “mudanças” que a sociedade russa obteve como resultado de uma farsa na votação das emendas constitucionais em julho.

As declarações de Putin demonstram claramente o acordo tácito alcançado entre regimes autoritários: a Rússia ajuda Lukashenko a continuar no poder em troca de fortalecer sua influência política na Bielorrússia. Por sua vez, nos últimos dias, Lukashenko deu voz a uma versão dos eventos que corresponde plenamente à imagem do mundo do Kremlin – os manifestantes são financiados e apoiados pelo Ocidente e suas ações ocorrem sob o cenário bem estabelecido das “revoluções coloridas”.

É assim que manifestações em massa e as greves de trabalhadores na Bielorrússia estão tentando se encaixar na estrutura usual da batalha geopolítica entre a Rússia e o Ocidente (apesar do fato de a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaya repetir que os protestos na Bielorrússia “não são nem europeus nem anti-russos”). Nesta situação, a operação policial de Putin para reprimir protestos em um país vizinho poderia facilmente se tornar uma realidade.

Acreditamos que tal operação não será apenas um fato vergonhoso de intervenção imperialista, mas também aumentará as repressões contra qualquer oposição política dentro da própria Rússia.

28 de agosto de 2020

Artigo originalmente publicado em International Viewpoint. Reprodução da tradução realizada por Charles Rosa para o Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.