Rascunho inicial acerca do papel das religiões no desenvolvimento e nas singularidades da luta negra no Brasil e nos Estados Unidos
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Rascunho inicial acerca do papel das religiões no desenvolvimento e nas singularidades da luta negra no Brasil e nos Estados Unidos

Análise do papel das religiões protestantes, católicas e de matriz africanas na organização da luta negra nos dois países.

Gilvandro Antunes 1 set 2020, 14:39

A religião cumpre um papel fundamental na organização das sociedades humanas a milhares de anos. Não à toa, essa manifestação cultural imprimiu sua marca indelével nas mais variadas civilizações, das mais simples às mais complexas. No ocidente, por exemplo, a presença do cristianismo é notória na família, na política, nas escolas, etc.

Note-se que o título deste “artigo” começa com a apropriada palavra Rascunho. E assim o é, pois a intenção é seguir com esta tese em estudos mais elaborados, mais complexos, quiçá, mais úteis para o desenvolvimento de uma teoria original.

Dito isso, preliminarmente, destaco que a religião teve influência marcante no tipo de características da luta negra no Brasil e nos Estados Unidos. Todavia, não quer dizer que ela foi a principal razão, ou seja, que a superestrutura teve uma influência mais determinante do que a superestrutura, de modo que tenhamos aqui o erro de inverter a lógica marxista. Mas essa lógica é dialética, pois analisar superestrutura e infraestrutura de forma estanque, sem dinamismo analítico seria um erro tão grande quanto. De modo que possamos ligar Religião com Singularidade no que tange ao título deste rascunho.

Por fim, cabe aqui reconhecer que há uma extensa gama de religiões no Brasil e nos Estados Unidos e, se tomarmos as subdivisões dentro de cada religião teremos quase que uma infinidade. Assim, tratarei de definir não as religiões em si, de forma enumerada, senão de características originárias como catolicismo e religiões de matriz africanas no caso brasileiro e protestantismo e pentecostais no caso dos Estados Unidos. Ao longo do texto, também farei menção ao islamismo na América. Entretanto, a religião islâmica já é uma manifestação posterior aos traços fundantes da escravização negra nesses dois países. Com isso, não quero aqui minorar o papel do islã na organização negra dos Estados Unidos, pois isso levaria a diminuir o papel de Malcom X na luta negra. Mas é que caberia um estudo mais detalhado do islamismo na organização negra estadunidense.

Colonização, Exploração e Imposição Religiosa

O processo de colonização dos Estados Unidos e do Brasil trouxe consigo os exploradores e os explorados. Nesse caso os explorados nativos que foram conquistados e ao mesmo tempo dizimados e os explorados traficados como escravizados negros da África, explorados e feitos cativos nas grandes fazendas das plantations de cana e de algodão.  Ao explorador, coube impor seu mundo nos novos territórios: primeiro sob a forma de violência explícita, segundo sob a forma da imposição de costumes culturais. Tendo em vista que, mesmo na posição de conquistadores, as sociedades portuguesa e inglesa em solo americano tratavam-se de sociedades ainda arcaicas do século XVI e XVII, é possível perceber o peso da religião na organização geral destas sociedades. Onde o catolicismo e o protestantismo puritano possuíam razões em si mesmas. No caso dos negros, lhes foi proibida a quaisquer manifestações culturais explícitas. De modo que suas religiões foram tornadas imediatamente ilegais. É verdade que o catolicismo teve em solo brasileiro muito mais poder de Estado do que o protestantismo nos EUA, uma vez que o próprio poder da igreja católica era mais forte na Europa e que a colonização inglesa na América do norte se deu de forma descentralizada através de colônias de imigrantes. Mas o fato é que os negros, num primeiro momento foram excluídos do panorama religioso da sociedade escravocrata. Aos negros, cabia trabalhar de forma extenuante nas lavouras das plantations, seu papel na sociedade escravista era ceder totalmente o fruto do seu trabalho através da máxima extração de mais-valia absoluta. Para isso, todo seu imaginário precisava ser alienado. De forma que seu corpo era totalmente alienado por um trabalho penoso que o levaria inevitavelmente à morte e sua mente ficaria presa junto com a escravização. A escravização significava a alienação do corpo e do intelecto negros.

Escravização e Racismo Português e Inglês

A escravização no Brasil e nos Estados Unidos foi marcada por uma crueldade inconteste. Aliás, a escravização contra o povo negro teve a crueldade como premissa em qualquer lugar onde ela se estabelecera. Dito isso, registre-se, há singularidades dentro da própria dominação cruel. Primeiramente, há bibliografia extensa sobre a diferenciação da escravização e do racismo nos Estados Unidos e no Brasil. Durante muito tempo esse debate ficou entre democracia racial versus segregacionismo. No entanto, agora, felizmente, o debate é sobre a busca de singularidades estabelecidas dentro de um prisma de que ambas produziram racismo estrutural baseadas na coerção do indivíduo e da sociedade negra. Assim é possível relacionar racismo segregacionista com racismo encoberto pela falsa democracia racial. Basicamente, é dominação da escravista alicerçada na superioridade racial como premissa ou não. Em seu livro Raízes do Brasil, em sua visão weberiana de descrição da realidade brasileira, Sérgio Buarque de Holanda descrevera o tipo de dominação escravista portuguesa onde ele afirma:

“Ao contrário do que sucedeu com os holandeses, o português entrou em contato íntimo e frequente com a população de cor. Mais do que nenhum outro povo da Europa, cedia com docilidade ao prestígio comunicativo dos costumes, da linguagem e das seitas dos indivíduos negros. Americanizavam-se ou africanizavam-se, conforme fosse preciso. Tornava-se negro, segundo expressão consagrada da costa da África”. (Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil, ed. Companhia das Letras, São Paulo, 27 edição, pág. 75).

Além disso:

“A essas inevitáveis vantagens acrescenta-se ainda, em favor dos portugueses, a já aludida ausência, neles, de qualquer orgulho de raça. Em resultado de tudo isso, a mestiçagem que representou, certamente, notável elemento de fixação ao meio tropical não constituiu, na América portuguesa, fenômeno esporádico, mas, ao contrário, processo normal” (Idem, pág. 77).

Exageros à parte de Sérgio Buarque de Holanda quanto à integração portuguesa junto às demais etnias na formação do Brasil colônia. É fato que os portugueses possuíam maior maleabilidade frente a outros povos. Já na dominação inglesa há um conteúdo de superioridade racial mais baseada na pureza, na manutenção da família branca. Isso, por sua vez, além de uma característica dos povos anglo-saxônicos e germânicos se deu também porque a imigração colonizadora inglesa na América se deu pela ida de famílias, ao passo que os portugueses vieram em um número de homens brancos muito maior do que mulheres brancas. Assim podemos caracterizar racismo maleável (não segregacionista) e com ausência de mulheres brancas como fator específico da escravização feita por Portugal no Brasil e um racismo segregacionista baseado na manutenção da família branca e da superioridade racial como premissa escravização feita pela Inglaterra nos Estados Unidos.

Protestantismo, Catolicismo, Religiões de Matriz Africana e as Singularidades da Organização Negra

É sabida a força das religiões acima mencionadas nos países em estudo. De maneira geral, vamos localizar, grosso modo, o protestantismo nos Estados Unidos e o catolicismo e as religiões de matriz africanas no Brasil. Sem dúvida, são as religiões mais populares entre os negros no Brasil e nos EUA no que diz respeito às origens da formação do Estado, pois aqui é busca das origens da organização social dentro da religião e seus desdobramentos teóricos que serão buscados. Dessa forma, tanto o islamismo, quanto as religiões cristãs pentecostais passarão de forma lateral aqui, onde futuramente ganharão mais corpo na presente teoria.

Nos Estados Unidos, é possível caracterizar plenamente a existência de um protestantismo negro onde a organização do ritual religioso e da religião enquanto instituição é liderada inteiramente por negros. Ao passo que o catolicismo, ainda que tenha sua vertente negra, todavia, o catolicismo negro não é independente, não é uma ruptura com o catolicismo branco. Nos Estados Unidos, o protestantismo negro é independente, é uma vertente própria de interpretação do evangelho. Bem, mas porque é assim? É sabido que as religiões de cunho protestante trazem consigo um componente de segregação racial mais acentuada, embora seus devotos o neguem. Soma-se a isso, o componente segregacionista da colonização, escravização e da organização social do racismo norte-americano. Singularidades que se distinguem das características portuguesas e brasileiras. Do Brasil ao caribe é possível elencar uma grande diversidade de religiões de matriz africana: há a umbanda, o candomblé, batuque, tambor de mina no Brasil, a santeria e o palo monte em Cuba, o Vodu no Haiti, a Kumina na Jamaica, etc. Entretanto, em que pese o vodu em Nova Orleans, as religiões de matriz africanas são quase inexistentes nos Estados Unidos. O protestantismo, em sua versão própria, se tornou a religião negra norte-americana. Mas por que? Não e possível identificar uma tese única para isso. Uma das explicações foi a proibição mais severa quanto ao culto negro no sul dos Estados Unidos. Além disso, os negros não eram maioria na América anglo-saxônica como o eram no caribe e no Brasil. O artigo da jornalista Cynara Menezes, intitulado Por que nos EUA não tem batucada? Traz algumas observações muito interessantes:

“No dia 09 de setembro de 1739, um domingo, em uma localidade próxima a Charleston, na Carolina do Sul, um grupo de escravos iniciou uma marcha gritando por liberdade, liderados por um angolano chamado Jemmy (ou Cato). Ninguém sabe o que detonou a rebelião, conhecida como Insurreição do Stono (por causa do ria Stono) e que é considerada a primeira revolta dos escravos dos EUA. Conta-se que eles entraram em uma loja de armas e munição e mataram os dois brancos empregados do lugar. Também mataram um senhor de escravos e seus filhos e queimara a sua casa. Cerca de 25 brancos foram assassinados no total. Os rebeldes acabaram mortos em um tiroteio com os brancos ou foram recapturados e executados nos meses seguintes. A reação dos Senhores foi severa. O governo da Carolina do Sul baixou o “Ato Negro” (Negro Act), em 1740, trazendo uma série de proibições: os escravos foram proibidos de plantar seus próprios alimentos, de aprender a ler e escrever, de se reunir em grupos, de usar roupas boas, de matar qualquer pessoa “mais branca” que eles e especialmente de incitar a rebelião. Como os brancos suspeitavam que os tambores eram utilizados como forma de comunicação foram sumariamente proibidos”.

“A proibição se espalhou pelo país só foi abolida após a guerra civil, mais de um século depois, em 1866”.

No mesmo artigo, Menezes salienta que uma das poucas formas de organização permitida aos escravizados era a reunião em igrejas, sem instrumentos musicais, “daí o surgimento dos spiritual, a música gospel”, afirma. Cantadas à capela, sob marcação de palmas, “as mãos batendo foram os substitutos que os escravos encontraram para os tambores”, acrescenta Cynara Menezes. Se essa não pode ser a única explicação para a falta de uma religião típica de matriz africana entre os negros estadunidenses, ela traz elementos bem elaborados para uma análise mais detalhada baseada em outros estudos.

Assim, através da união de algumas teorias, chegamos às condicionantes históricas pelas quais a organização social negra estadunidense se estabelece religiosamente no protestantismo e, devido a um segregacionismo mais radicalizado anglo-saxônico não pode se inserir na igreja dos brancos de forma mais integrada, ainda que subalterna. Exatamente aí que temos as singularidades da organizaçãos religiosas negras entre os dois países aqui estudados. A escravização lusa e brasileira tiveram fortes componentes de crueldade e de repressão. Isso, por seu turno, atingiu a liberdade de culto dos escravizados. Não obstante, a prática do sincretismo foi amplamente adotada no Brasil. A umbanda, quiçá, seja o exemplo mais acabado deste sincretismo religioso brasileiro. Nela, é possível ver o culto africano como raiz em um tronco que traz fortes elementos católicos e indígenas. A umbanda traz consigo a típica forma de dominação portuguesa que domina, pune, é cruel, todavia “inclui” partes da cultura do dominado. Aliás, a história do catolicismo em sua expansão para o norte da Europa trouxe consigo uma dominação cruel que agregou elementos da cultura nórdica para si. O sociólogo francês Roger Bastide se notabilizou pelo estudos das religiões negras brasileiras e nos traz alguns elementos fabulosos:

“O sincretismo por correspondência Deus-Santos é o processo mais fundamental, além de ser o mais estudado. Pode ser explicado historicamente, pela necessidade que tinham o escravo, na época colonial, de dissimular aos olhos dos brancos suas cerimônias pagãs; dançavam então diante de um altar católico, o que fazia com que seus senhores, mesmo achando as coisas esquisitas, não imaginassem que as danças dos negro se dirigiam, muito além das litografias e das estátuas dos santos, às divindades africanas”. (Roger Bastide, As Américas Negras, pág. 144).

“Tem-se frequentemente observado que, quando um povo invasor impunha sua religião ao vencido, produzia-se um desnivelamento dos valores, consecutivo à passagem da sociedade mais ou menos igualitárias para a sociedade mais ou menos estratificada. A religião do vencedor se tornava a única religião pública válida para a massa total da população, enquanto a população vencida (e aqui tornamos a encontrar as alternativas do comportamento coletivo) se degrada em magia ou se metamorfoseia em religiões de mistérios, fundada na iniciação e no segredo. Ambos os fenômenos são encontrados no Brasil, bem como no resto das duas Américas negras” (Roger Bastide, in Octávio Ianni, Escravidão e Racismo, editora HUCITEC, São Paulo, pág. 73).

Vejamos que, as palavras de Roger Bastide corroboram o que acima elaboramos acerca da dominação luso-brasileira. Dessa maneira, o sincretismo religioso negro mantém o tambor, mantém sua resistência, mas com uma dose de assimilação. Ou seja, fez o que lhe foi possível. O negro brasileiro pendula, por opção, entre as religiões de matriz africana e, por imposição, ao catolicismo. Essa pendulação não foi possível aos negros dos Estados Unidos. Mas voltando ao caso brasileiro, é possível caracterizar que os negros fizeram dois movimentos religiosos de forma pendular, entrando pela porta da frente nas religiões de matriz africanas, mas sofrendo todo o preconceito e perseguição e pela porta de trás da igreja católica, sofrendo desenraizamento e assimilação branca. Ao passo que o negro estadunidense ao não ter a opção, salvo raras exceções, de manter sua raiz africana ou recorrer ao sincretismo consegue, após ao impacto da guerra civil do século XIX, mas, sobretudo início do século XX, entrar pela porta da frente da religião branca, através da ruptura e autonomização. Mal sabiam os brancos fazendeiros da Carolina do Sul que, com o Ato Negro de 1940, estariam produzindo esta força negra contra si mesmos.

Diferenças Funcionais Entre o Protestantismo, Catolicismo e Religiões de Matriz Africanas

Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber resume o protestantismo da seguinte maneira:

“A ascese protestante intramundana – para resumir o que foi dito até aqui – agiu dessa forma, com toda a veemência, contra o gozo descontraído das posses; estrangulou o consumo, especialmente o consumo de luxo. Em compensação, teve o efeito (psicológico) de liberar o enriquecimento dos entraves da ética tradicionalista, rompeu as cadeias que cercavam a ambição de lucro, não só a legalizá-lo, mas também encará-lo (no sentido descrito) como diretamente querido por Deus”. (Max Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Editora Companhia das Letras, São Paulo, pág. 155).

Notemos que ao seu modo, à sua realidade, aos seus anseios e necessidades, o negro, já liberto, já sendo parte da sociedade de classes aberta, como diária Florestan Fernandes, insere-se, través da religião protestante à nova dinâmica social americana. Ainda que estados de anomia social tenha permanecido junto à população negra, o negro exercendo a política e sob a ética protestante deu saltos qualitativos para acelerar o combate à anomia social em que se encontrava. Evidentemente, que o crescimento da economia da economia americana e a unificação de um tipo de economia dada a vitória do norte sobre o sul na secessão foram fatores determinantes. 

O catolicismo em que pese toda sua institucionalização não possuía uma ética para o trabalho como o protestantismo. Lembremos que na época da escravização, trabalho era considerado coisa de negro no Brasil. Sérgio Buarque de Holanda, em sua visão weberiana, nos traz questão de que a vida senhorial de lusos e hispânicos era dar ordens para os outros e ter a contemplação para si. Como dissera “preferir o ócio ao negócio”. Diga-se de passagem, a palavra negócio vem de Negar o Ócio. Assim colocado, o negro escravizado, que trabalhava de forma desumana até o fim de sua curta e penosa vida se liberta das amarras da escravização. No entanto, por ficar preso a uma sociedade racista e que manteve a grande fazenda como modo de produção dentro do capitalismo e que, quando da industrialização paulista ficou à margem do trabalhador imigrante europeu, não encontrou na instituição religiosa a organização social para sua autonomia dentro da sociedades de classes capitalista, agora aberta. Se por um lado o catolicismo lhe “dava” as ferramentas para a institucionalização, para a formação de uma cultura ocidental, sua inserção subalterna não lhe permitia a autonomia, não lhe dava força. Por outro lado, se as religiões de matriz africana lhe davam autonomia, porém não lhes proporcionavam poder social, tampouco uma nova ética para o trabalho, que lhes proporcionassem uma nova concepção laboral fora das lembranças do trabalho desumano da escravização.

Nesse sentido o islamismo adotado por negros, sobretudo da costa leste dos EUA, trouxe nessa religião a autonomia, bem como uma ética para a renúncia do gozo, ainda que de formas muito distintas do protestantismo. O islamismo negro americano já era uma crítica da segunda metade do século XX em que criticava o pensamento ocidental racista e excludente branco norte-americano. Mas mesmo no islã, os negros americanos fizeram sua versão autônoma, pois aprenderam que sua crença religiosa deveria ser com autonomia e politizada. No Brasil, ainda há o lema de que religião e política não se misturam. Uma grande falácia que só serve para as ovelhas, não para o lobo. Nos parece óbvio que Martin Luther King e Malcon X não aceitaram essa premissa. Mas é importante fazer justiça, no interior da igreja católica latino-americana, através da teologia da libertação, o debate político socialista foi intenso e de grandes proporções, onde padres, freiras, fiéis, etc., foram barbaramente torturados e perseguidos durante as ditaduras militares das décadas de 60 e 70, bem como o catolicismo negro tem feito debates intensos sobre racismo e luta antirracista. Os terreiros sempre foram um lugar de resistência negra, pois resistiram por mais de cem anos a perseguições e não só sobreviveram como se expandiram. Não é possível explicar o movimento negro brasileiro sem a resistência dos povos de terreiro. O debate aqui é fazer com que essa resistência religiosa negra possa ter efeitos mais práticos no empoderamento negro na sociedade brasileira. Essa ainda é uma barreira. Talvez porque o empoderamento negro no Brasil esteja sendo realizado na arena laica da política. O importante é que aqui se fez uma análise sociológica do tema. Sem hierarquizar este ou aquele caminho melhor ou pior. A lura negra deve seguir pelos mais variados caminhos. Sem sectarismo e sem autoproclamação.

Em síntese, aqui podemos iniciar, na forma de rascunho um debate inicial sobre o papel da religião a organização política negra. Este artigo deixou mais perguntas do que respostas. Agora, é preciso elaborar mais sobre o tema. Creio humildemente que os primeiros passos foram dados. Agora é seguir estudando, militando e trocando informações.

VIDAS NEGARS IMPORTAM!

Gilvandro Antunes – sociólogo e militante do PSOL/RS.     

Referências Bibliográficas

ANTUNES, Gilvandro – Racismo, distinção de classe e capitalismo no Brasil, in: (www.movimentorevista.com.br)

BATISTE, Roger – As Américas Negras, editora Difel, Algés, Portugal.

HOLANDA, Sérgio Buarque de – Raízes do Brasil, editor Companhia das Letras, São Paulo.

IANNI , Octávio – Racismo e Escravidão, editora HUCITEC, São Paulo.

FERNANDES, Florestan – A Integração do Negro na Sociedade de Classes, editora Dominus, São Paulo.

MENEZES, Cynara – Por que nos EUA não tem batucada?, in: (www.socialistamorena.com.br)

WEBER, Max, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, editora Companhia das Letras, São Paulo.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.