As batalhas políticas do PSOL em São Paulo e Belém
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As batalhas políticas do PSOL em São Paulo e Belém

Nos últimos dias da campanha municipal, o PSOL se mobiliza para vencer as batalhas de São Paulo e Belém: vamos com Boulos e Edmilson!

Israel Dutra e Thiago Aguiar 27 nov 2020, 18:16

No próximo domingo, ocorrerá o segundo turno das eleições municipais em 57 cidades brasileiras. Nas últimas duas semanas de campanha, a polarização acirrou-se nas capitais e grandes cidades do país.  Com o bolsonarismo presente em apenas algumas disputas, após sua derrota eleitoral em 15 de novembro, os contornos dos debates locais foram mais diversos. O que há em comum é que a crise sanitária não está resolvida e as condições de vida da população pioram a cada dia.

A indignação popular fez-se ouvir após o covarde assassinato de João Alberto por seguranças do supermercado Carrefour em Porto Alegre, justamente na véspera do 20 de novembro. A onda de indignação e as mobilizações ampliaram ainda mais o debate sobre a violência policial e contra o racismo. Nesse Brasil, marcado por profundas contradições, o cenário eleitoral pode confirmar as tendências já apontadas no primeiro turno. O PSOL está presente em duas grandes batalhas: em Belém, importante capital do Norte do Brasil, e São Paulo, principal polo econômico e político do país.

Se a eleição, em seu conjunto, foi determinada pelos efeitos da pandemia, o segundo turno ocorre num momento em que já se discute se estamos ou não ingressando numa segunda onda ou fase da transmissão e contágio da Covid-19 no Brasil. Os números de novos casos e óbitos voltaram a crescer na última semana. A preocupação é ainda maior quando o governo federal silencia a respeito de um plano de imunização e de compra de vacinas disponíveis, como a que está em testes pelo Instituto Butantã, reforçando os elementos mais atrasados da verdadeira irresponsabilidade de Bolsonaro, que ameaça vidas no país durante a pandemia.

Por outro lado, a crise social e politica não espera o término da contenda eleitoral, como mostraram a crise do apagão no Amapá – que deixou a população sem energia elétrica por inaceitáveis 22 dias, com o retorno completo ainda ameaçado – e o já mencionado assassinato de João Alberto, que escancarou, mais uma vez, o racismo e a violência contra a população negra no Brasil.

A campanha do segundo turno foi mais rápida e se desenvolveu numa situação de anormalidade. O bolsonarismo, amplamente derrotado no primeiro turno, ainda aposta em candidatos de origem militar e policial, como Capitão Nelson em São Gonçalo, Capitão Wagner em Fortaleza e Delegado Eguchi em Belém. As forças políticas alinhadas com o campo da “direita não bolsonarista”, por sua vez, lideram na maior parte dos cenários. No Nordeste, a extrema-direita fica de fora da disputa em várias capitais, como em Maceió e Recife.

Bolsonaro e seu entorno tentam minimizar a importância de suas derrotas no primeiro turno. Com Crivella virtualmente derrotado por Paes no Rio, as expectativas da tropa do governo giram para quatro capitais onde ainda disputam: em Cuiabá e Vitória, lideram as pesquisas, respectivamente, com Abílio Jr. (Podemos) e Delegado Pazolini (Republicanos). Em Fortaleza, José Sarto (PDT), candidato apoiado por Ciro e Cid Gomes, além do PT do governador Camilo Santana, encabeça com certa tranquilidade a disputa contra um dos mais ativos bolsonaristas, Capitão Wagner (PROS).  Belém, por sua vez, tem um contorno de embate estratégico, pois o “azarão” Delegado Eguchi (Patriota) pôde chegar ao segundo turno numa onda crescente e, agora, tem uma disputa renhida com nosso camarada Edmilson Rodrigues (PSOL).

O lugar do PSOL no segundo turno

O PSOL aposta todas as suas forças em duas disputas de segundo turno: na já mencionada “Batalha de Belém”, para derrotar o retrocesso e impedir que a prefeitura flerte com posições fascistas, e em São Paulo, onde Boulos se apresenta como a principal referência de uma nova geração de esquerda. Covas (PSDB) é o candidato escolhido pelas elites paulistanas, mas buscou marcar distância da linha “Bolsodoria”, da qual o maior dirigente do tucanato paulista, João Doria, beneficiou-se em 2018.

Em algumas cidades, onde há uma disputa contra partidos tradicionais de direita e setores do autodenominado “campo popular” ou “campo da frente popular”, estamos na linha do voto crítico e com exigências, como em Porto Alegre, onde nossa corrente possui importante responsabilidade na direção do PSOL. 

Neste encerramento da campanha municipal, nossa militância está mobilizada para disputar os últimos votos, fiscalizar o processo e denunciar fraudes e fake news contra as candidaturas do PSOL. Nossas batalhas eleitorais de agora preparam o terreno para um novo momento da luta política e social no Brasil, no qual o PSOL terá lugar decisivo.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.