Justiça britânica decide contra extradição de Assange aos EUA
Protesto pela liberdade de Assange em Londres, outubro de 2019. Daniel Leal-Olivas/AFP/Getty Images.

Justiça britânica decide contra extradição de Assange aos EUA

A decisão é uma vitória do ativista, que vem sendo perseguido pelos últimos 10 anos por publicar documentos de interesse público no WikiLeaks.

Tiago Madeira 4 jan 2021, 10:49

A justiça britânica decidiu contra a extradição de Julian Assange aos Estados Unidos. No julgamento realizado hoje de manhã no Reino Unido, a juiza Vanessa Baraitser aceitou o argumento de que as condições dos presídios americanos são perigosas para a saúde mental de Assange e que não seriam capazes de impedir que ele cometesse suicídio. O governo americano deve recorrer, enquanto a defesa entrou com um pedido de fiança para que Assange possa responder em liberdade. Esse pedido será julgado nesta quarta-feira.

Como destaca o jornalista Kevin Gosztola, que cobriu todo o julgamento, Baraitser aceitou praticamente todas as alegações do governo americano que criminalizam a atividade jornalística de Assange, o que é alarmante para a liberdade de imprensa. Ainda assim a decisão é uma vitória do ativista, que vem sendo duramente perseguido pelos últimos 10 anos por publicar documentos de interesse público no WikiLeaks.

O pânico com que os que poderosos reagem a Assange comprova a força de suas ideias e do seu exemplo. Slavoj Zizek caracteriza o australiano como um espião de e para o povo, que revelou ligações espúrias entre grandes corporações privadas de tecnologia e agências governamentais. Não há um estado por trás dele, enquanto um forte aparato trabalha dia e noite para acossá-lo.

Assim, cabe a nós não esquecer Assange e lutar pela sua liberdade. A decisão de hoje é um importante passo nessa luta.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.