Sobre posicionamento do PSOL na eleição da Câmara
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Sobre posicionamento do PSOL na eleição da Câmara

Leandro Santos Dias analisa tática do PSOL para eleição à presidência da Câmara.

Leandro Santos Dias 6 jan 2021, 19:24

“Foi o que sempre fizemos”. Essa é uma das frases mais ditas na defesa de que o PSOL mais uma vez tem que apresentar candidatura própria à presidência da câmara que ocorre no próximo dia 1º de fevereiro.
Essa frase precisa ser confrontada com algumas perguntas. Primeiro, o mundo é o mesmo de 2004? O governo é o mesmo? A democracia no Brasil é a mesma?

As respostas a essas perguntas colocam uma certa contradição já nesse mantra – sempre fizemos assim – pelo menos é o que repete alguns deputados que defendem uma candidatura do PSOL, pois o mundo não é o mesmo de quando surgiu nosso partido e o Brasil e nossa democracia não são as mesmas, forças políticas negacionistas, assassinas, criminosos, mafiosos e milicianos passaram a participar da política no Brasil não por entrepostos mais diretamente e tomaram gosto pela coisa e viram que podem “mudar o Brasil”.

É esse setor que o deputado Lira representa e temos que ter isso muito claro, pois a falta de compreensão disso pode nos custar muito caro.
Não é verdade que estamos diante de duas faces da mesma moeda, acaso Lira cogitaria e ou aceitaria apoio do PT e PSOL? Óbvio que não. Só aí temos uma grande diferença que só quem acha que estamos a frente de uma eleição de centro acadêmico pensa que é pequena e ou menos importante.
Existe a conta fria dos votos e temos que Baleia Rossi pode ter hoje no seu bloco 272 deputados contra 195 do Lira.

Mas todos contam com defecções no PT, PDT, DEM, PSL e então essa conta não bate, pois a conta dos 272 votos em Baleia Rossi leva em consideração as bancadas completas de cada partido e todos sabemos que exceto o PSOL, quase todos os partidos tem infidelidade partidária na hora dessas votações secretas.

Então suponhamos que a votação fique um pouco menos de 257 votos a Lira e um pouco menos de 257 votos a Baleia Rossi e com isso leve ao segundo turno, nesse cenário os 10 deputados do PSOL poderiam dar a vitória no primeiro turno a Baleia Rossi e liquidar a fatura.
Mas a manchete do dia seguinte pode ser: PSOL não apoia Rossi e Lira vence. Penso que quem faz o discurso de sempre fazer o mesmo não leva em consideração que dessa vez a eleição da câmara não tem repercussão só dentro das suas limitações e sim na conjuntura como um todo.

Porque esses 10 votos podem ser decisivos, ora qual a base de convencimento dos governistas a votarem em Lira? Por óbvio que são cargos e emendas parlamentares, nada além disso, então dar a chance de ter um segundo turno e Bolsonaro e sua máquina ter mais chance de “convencer mais indecisos” é pura retórica e leva a uma das maiores vitórias de Bolsonaro até aqui em seu combalido mandato.

Então a esquerda precisa ir além do fazer sempre o mesmo, o PSOL precisa ter responsabilidade e maturidade, não somos o MDB, não apoiamos a pauta econômica e não somos fisiológicos.

Mas queremos e devemos fazer de tudo o que estiver ao nosso alcance para derrotar Bolsonaro, pois essa eleição pode ser a preparação do terreno para o avanço das pautas de costumo e armamentistas que unifica esse campo Bolsonarista e com isso preparar o terreno para a vitória de Bolsonaro em 2022.

A história nos absolvera. Temos que ter coragem e ousadia para lutar contra o óbvio o caminho mais fácil, de que adianta 10 votos do PSOL jogados ao vento e Lira presidente da câmara? Nosso objetivo enquanto partido não é combater Bolsonaro?

Não estamos dando um apoio estratégico aderindo ao programa de Baleia Rossi mas sim um apoio tático e que seremos no dia seguinte oposição a pauta econômica, o voto em Baleia por cento é mais amplo que nosso partido mas para derrotar Bolsonaro essa é a tarefa central.

Se nosso objetivo é combater e derrotar Bolsonaro isso passa pela derrota de sua linha para a câmara dos deputados e se temos a chance de acabar com Lira no primeiro turno temos que fazer isso declarando apoio a Baleia Rossi já no primeiro turno.

Outro ponto que temos de levar em conta é que com Lira a chance é zero de impeachment do Bolsonaro, aliás o governo joga tudo em Lira tendo isso em conta e a garantia de “poder governar” até 2022 sem risco de processo de impeachment.

O PSOL precisa parar com essa de que posições mais flexíveis podem levar ao fim do partido, isso é pura retórica, pois nosso partido é fundamental para a democracia e a oposição e não está no horizonte o seu fim, pelo contrário as eleições de 2020 demonstraram exatamente o contrário.
Não podemos também cair num erro que consiste em fazer política para dentro, não estamos fazendo política para agradar todos os setores do PSOL, isso não é uma linha política, isso é uma ilusão, estamos fazendo política guiados por um princípio: derrotar Bolsonaro e sua agenda anti-povo.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.