Unificação MES-TLS: um salto de qualidade na construção de um polo socialista no PSOL
20 anos do MES

Unificação MES-TLS: um salto de qualidade na construção de um polo socialista no PSOL

Celebramos esse momento brindando à unidade e esperançosos com nossa contribuição para derrotar Bolsonaro e ampliar a luta pela construção de uma alternativa socialista, tão necessária para nosso país.

Estamos diante de um novo salto na construção de uma ferramenta revolucionária que aponte para um polo socialista no PSOL: concluímos um processo de aproximação orgânica, que resulta em nossa fusão e em novas sínteses que fortalecerão o MES e colocarão novos desafios no horizonte. A TLS acaba de votar, em sua conferência, a incorporação aos quadros políticos do MES. As bases programáticas que permitem essa nova relação estratégica são dadas por nossa luta em comum para afirmar o projeto estratégico de um polo revolucionário e marxista dentro do PSOL, que disputa a direção partidária visando ao enraizamento partidário e à busca por influência de massas para nossas posições.

Com um trabalho comum a partir de 2013, a TLS e o MES estreitaram laços nos últimos anos. Após um acúmulo de longo tempo – com a conformação de chapas e teses comuns para os últimos congressos partidários –, foram amadurecidas as condições para esse salto. Há cerca de dois anos, decidimos aceitar o desafio e dar o passo de construir uma aproximação orgânica. Nossa base programática comum expressou-se, por exemplo, na tese para o VII Congresso Partidário “PSOL Em Movimento”, onde expressamos uma compreensão comum acerca das tarefas e dos desafios atuais da situação brasileira e mundial, sobretudo o enfrentamento ao bolsonarismo e à extrema-direita. Reforçamos, assim, a ação na vida partidária e no movimento – como, por exemplo, a atividade da TLS e do MES na disputa do movimento de trabalhadores da educação básica, seja via CNTE, seja via a parceria com os companheiros do SEPE e em expansão.

A TLS originou-se da antiga ALS, grupo ligado aos setores da esquerda do PT nos anos 1990. A organização teve uma expressão inicial no ABC paulista e depois se expandiu nacionalmente por meio de sua atuação nos professores e em outros setores. Tornou-se uma das maiores correntes da Apeosp (o sindicato de professores da rede estadual de São Paulo), dirigindo inúmeras subsedes, e conquistou inserção nacional, com seu principal trabalho sendo o do SINPOL de Pernambuco, dirigido pelo companheiro Áureo Cisneros, líder dos policiais antifascistas, além de atuar em sete estados (Acre, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Roraima e São Paulo), com força relevante no PSOL, marcada pelo dinamismo do camarada Leandro Recife, com presença destacada na Executiva Nacional do Partido.

A unificação que agora concretizamos é, para nós, um processo riquíssimo, que dá sequência a uma história de fusões e incorporações em curso na própria gênese do MES desde 1999. Nossa unificação aponta o fortalecimento de uma ferramenta socialista e revolucionária, que seguirá aberta a novas composições e experiências. A organização que resulta desse processo também nos força a dar um salto organizativo, que permita a incorporação de uma nova coluna de quadros e de novos setores de forma qualitativa. Após a unificação, a organização sindical de nossa corrente (que, no MES, desenvolvia-se até então pela bandeira da plataforma sindical anticapitalista “Mover”) agora se denomina Trabalhadoras e Trabalhadores na Luta Socialista (TLS), com uma nova localização. A equipe sindical nacional será responsável pelo êxito desse espaço.

Nossa militância está renovada para dar o combate por uma nova direção para o movimento de massas. Colocamos na ordem do dia a necessidade de enfrentar e derrotar Bolsonaro e a extrema-direita; vamos buscar a luta por construir maioria social e estimular todo tipo de enfrentamento ao bolsonarismo, especialmente, diante da crise em curso, a luta pelo impeachment, por vacina para todos e pelo retorno do auxílio emergencial.

Nossa base programática é internacionalista e se inspira na solidariedade e no aprendizado com os processos mais dinâmicos em curso de luta e de resistência dos povos, como vimos recentemente com os exemplos das manifestações do “Black Lives Matter” nos Estados Unidos, da luta das mulheres na Polônia e dos enfretamentos recentes na América Latina, como a derrota do golpe na Bolívia, a luta por uma nova constituinte no Chile e as novas expressões políticas e eleitorais no Peru e no Equador. Dentro da IV Internacional, seguiremos construindo uma saída anticapitalista e ecossocialista para as trabalhadoras, trabalhadores e povos de todo o mundo.

Reafirmamos o PSOL como projeto estratégico, dando centralidade às lutas sociais e colocando nossos tribunos a serviço de uma estratégia socialista e revolucionária. Seguimos a luta do conjunto das e dos trabalhadores, das mulheres, da negritude, das LGBTs, de quilombolas, indígenas, da juventude, nos bairros, na educação popular, e em todas nossas ferramentas e instâncias.

Hoje, portanto, é um dia histórico e a unidade revolucionária entre dois setores da esquerda socialista, em meio a um período de intensa fragmentação de setores da esquerda radical, não é apenas uma soma. Nossa unificação abre caminho para novas fusões e unificações com grupos socialistas de todo o Brasil, com os quais temos debatido e atuado. Celebramos esse momento brindando à unidade e esperançosos com nossa contribuição para derrotar Bolsonaro e ampliar a luta pela construção de uma alternativa socialista, tão necessária para nosso país.

Viva a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores!

Viva o socialismo!

TLS e MES

31 de janeiro de 2021


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.