Por que defender o ex-reitor Pedro Hallal é um dever
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Por que defender o ex-reitor Pedro Hallal é um dever

Solidariedade ao ex-reitor da UFPel Pedro Hallal, atacado pelo governo e pela extrema-direita.

Israel Dutra 4 mar 2021, 22:26

O ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal, teve que assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, publicado no Diário Oficial (02/03) acerca de suas declarações sobre o governo. Por conta de suas críticas a Bolsonaro, ele e o professor Eraldo Pinheiro assinaram o TAC, tipo de acordo prévio para impedir um processo administrativo.

Segundo o TAC, ainda nas funções de reitor, Hallal manifestou críticas a Bolsonaro durante uma live em 07/01/2021. O deputado bolsonarista Bibo Nunes (PSL-RS) denunciou o ex-reitor à Controladoria-Geral da União (CGU), alegando que Pedro Hallal não poderia dirigir comentários críticos ao presidente por estar em seu “local de trabalho”.

Hallal foi um dos mais destacados especialistas que interveio no debate público acerca de como combater a Covid-19. Epidemiologista, o ex-reitor coordenou a pesquisa nacional Epicovid, uma plataforma de monitoramento do vírus, apontando saídas para controlar o contágio, ampliar a testagem e reduzir o número de óbitos. Ganhando notoriedade nacional, Hallal converteu-se numa referência ao combate à Covid-19 no país, com teor crítico à linha do Planalto.

A origem da crítica remete à política de Bolsonaro de interferência direta na democracia interna das universidades. Bolsonaro nomeou 22 reitores de forma biônica, sem que estes tenham sido escolhidos pelas respectivas comunidades acadêmicas. No caso da UFPEL, a disputa para garantir a nomeação dos dois reitores, Paulo Ferreira Júnior, escolhido pela maioria universitária e Isabela Andrade, indicada por Bolsonaro, foi alvo do comentário de Hallal na live.

A nomeação arbitrária de dirigentes das universidades e de outras instituições federais vem sendo objeto de crítica e mobilização por parte de estudantes, servidores e professores. Casos como o do Colégio Pedro II e do IFRN foram emblemáticos da luta por democracia contra a vocação autoritária do atual governo.

O novo episódio envolvendo Pedro Hallal é mais um passo na escalada bolsonarista. Podemos afirmar que o episódio une duas esferas de “cerco”: Hallal sintetiza o peso da comunidade acadêmica, como ex-reitor de uma importante universidade, e por outro lado, expressa a defesa séria da ciência contra a pandemia e a linha negacionista da extrema-direita brasileira. Hallal, inclusive, publicou seus relatórios e estudos na revista “Lancet”, referência mundial do ramo científico.

A defesa da postura corajosa de Pedro Hallal une caminhos necessários para enfrentar o governo: trata-se, a um só tempo, da luta pelas liberdades democráticas e de opinião, da defesa da ciência contra o negacionismo de plantão e a da universidade como trincheira da resistência ao projeto autoritário global. Nosso dever é estar com Pedro Hallal. 


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.