Santa Catarina: lockdown ou barbárie
Florianópolis

Santa Catarina: lockdown ou barbárie

O Brasil tem a pior gestão da pandemia do mundo e Santa Catarina está batalhando pelo título nacional de descaso. Os interesses econômicos têm sido colocados acima da vida, mesmo com o esgotamento do sistema de saúde.

Márcio Vargas 3 mar 2021, 12:00

A atuação criminosa de Bolsonaro e seus desministros aceleraram a curva de contágio do SARS-COVID-19, o boicote sistemático, inviabilizando à vacinação em massa, o desinvestimento no SUS (R$ 40 bilhões orçados a menos em 2021), o incentivo às aglomerações e a vida “normal”, a negação da ciência e as incessantes campanha de fake news, compõem uma pequena amostra de sua ação genocida. Seguindo o péssimo exemplo, desse que está presidente, Santa Catarina vive o momento mais grave da pandemia, sem leitos e desgovernada.

Recém resgatado de um impeachment, um processo não relacionado a aquisição de 200 respiradores fantasmas por R$ 33 milhões, o governador catarinense parece ignorar o colapso no sistema de saúde. Hoje (3) começaram o translado de pacientes para outras Unidades da Federação, entretanto, Moisés insiste na retomada das atividades presenciais na educação, na normalidade das atividades não essenciais de todos os setores da economia, exceto aos finais de semana (um lockdown meia-boca), atendendo exclusivamente aos interesses dos grandes empresários, principalmente os super-ricos: 10 entre os 33 dos novos bilionários da Forbes 2020 são catarinenses, inclusive o “Véio da Havan”.

O séquito bolsonarista empoderado têm causado perdas de vidas sem precedentes em Santa Catarina, mesmo para os padrões brasileiros. Em Itajaí, a taxa de mortalidade é 58,3% maior do que a do estado, fruto da distribuição oficial do kit com medicamentos para o “tratamento precoce”. Em Chapecó, em razão da “resistência de alguns médicos ao protocolo”, receitas médicas da rede privada passaram a ser aceitas na distribuição de remédios pelo município.

Na direita catarinense light, Gean Loureiro, prefeito de Floripa, recém retornado de suas férias em Cancún, provavelmente, não tomou conhecimento da recomendação do Ministério Público estadual, feita há duas semanas, para que fossem adotadas medidas para que não falte oxigênio(!). É emblemático o caso da enfermaria do Hospital Florianópolis, do SUS, ontem (2) alcançava 170% de ocupação, contrastando com a venda, em uma farmácia no bairro do Estreito, do “tratamento precoce comprovado para Covid-19”.

Termos suaves não são capazes de descrever o cenário caótico em pleno “sul maravilha”: é um projeto bem sucedido de morte, especialmente para a classe que vive do trabalho e paga com a vida pela manutenção da “normalidade” para “salvar a economia”, um ato bárbaro apoiado pela dita opinião pública. Somente um lockdown rígido pode aplacar o contágio, neste país sem vacinas e neste estado sem leitos.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.