O jogo virou, mas não está ganho

Leandro Santos avalia o 29M no Brasil e a necessidade de seguir com a luta de rua para derrotar o governo Bolsonaro.

Leandro Santos Dias 31 maio 2021, 12:11

Sobre os atos de 29 de maio e a inspiração da juventude Colombiana

Muitos podem olhar para a força demonstrada ontem pelos atos e chegar à conclusão de que o jogo está ganho. Ano que vem Lula vence as eleições, Sarney e companhia continuaram balançando a pança em Brasília com um naco de ministérios que Lula certamente já o ofereceu e por aí vai.

Mas essa linha de esperar 2022 é muito arriscada e demonstra todo o negacionismo de uma esquerda de negócios que prefere doses do mesmo veneno, alianças e mais alianças espúrias com setores do pobre centro do que fazer a tão falada autocrítica.

Vale lembrar no passado quando Bolsonaro perdia a largos passos apoio e força que numa tacada da oposição seu apoio retomou folego, pois, seu governo da morte queria um auxílio emergencial de R$ 200, 00 (duzentos reais) e a oposição emplacou uma derrota ao governo e aprovo no congresso um auxílio minimamente digno de R$ 600, 00 (seiscentos reais), o que veio depois foi a amostra de que apostar na institucionalidade, pode ser letal a esquerda, Bolsonaro recuperou forças.

Ontem foi de lavar a alma, atrás das máscaras, uma indignação que transbordava nos olhos, afinal são entes e mais entes queridos perdidos pelo descaso completo do governo da morte de Bolsonaro.

Isso sem contar na falta de perspectiva pois o desemprego beira o 15 milhões de brasileiros, o desalento chega a milhões, os subempregos e a informalidade explodem às dezenas de milhões.

Com isso ontem, 29 de maio, foi o dia o Basta! Chega de ver patetas pagos em grande parte, destilando seus venenos e a esquerda assistindo, os mais de 500 mil brasileiros que saíram as ruas deram a demonstração de que o que Bolsonaro teme desde o início da pandemia: Chile, Ecuador, Peru, Paraguai e agora Colombia, podem ser o estopim da revolta tardia, mas necessária em terras tupinikins.

Era impossível encontrar alguém sem máscaras nos atos, uma marca registrada de quem só foi as ruas por extrema necessidade, afinal se a pandemia não é combatida é necessário lutar tal qual nossos irmãos Paraguaios o fizeram a meses atrás, sair às ruas para exigir que as medidas sanitárias sejam respeitadas e que a vacina não se transforme numa luta de privilégios.

A reflexão sobre o dia 29 de maio está apenas começando, mas, fundamental dizer que o jogo está sendo jogado, isso pode sim ajudar a impulsionar o impeachment mas pode também impulsionar Bolsonaro a não ser Bolsonaro e abrir o cofre, ou seja, aprovar medidas de afrouxamento de impostos a empresários e microempresários, alguma medida social como aumento do Bolsa família ou até mesmo o aumento do auxílio.

O fato é que fica evidente que a linha de o deixar sangrar até 2022 não pode ser uma camisa de força a esquerda e principalmente a esquerda anticapitalista, o exemplo vem do Chile que com protestos gigantescos e com muita radicalidade pôs fim a modelo neoliberal Chileno, o mesmo que Guedes quer implementar no Brasil.

As ruas ontem demonstraram que existe vida além do centrão, família Sarney, Collor e cia, mas é precisa lutar para que unidade não se transforme em umidade e toda essa força social demonstrada ontem não se transforme na lama do centrão e seus nacos de ministérios e interesses escusos ao da classe trabalhadora.

Se queremos um futuro diferente, nossa perspectiva tem que vir de nossos irmãos Chilenos, Paraguaios, Ecuatorianos, Colombianos, que em meio a pandemia ousaram lutar e enfrentar seus governos, são mais de 201 jovens desaparecidos em Cali e mais de 1000 em toda Colômbia com mutilações nos olhos e nos crânios.

Que essa força da juventude Colombiana nos inspire a forjar nossa alternativa que vá além do possibilíssimo e do melhorismo, a história só se repete como farsa.

O dia 29 de maio deu a dimensão exata de que é possível combater por um programa que rompa com a lógica do fazer o possível dentro do Neoliberalismo.

É possível pôr um fim a essa máquina de triturar pessoas, mas para isso temos que romper com o possibilismo desde 2021 ou estaremos fadados a mais do mesmo com Sarney, Calheiros, Henrique Meirelles e cia e suas reformas para permanecer como estamos, os de cima aumentando seus ganhos e os de baixo trabalhando mais e mais a troco de migalhas.

Basta ao Bolsonaro Genocida mas é precisa dizer em alto e bom som BASTA DA MESMICE na esquerda!!!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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Capa da última edição da Revista Movimento
Esta é a vigésima primeira edição da Revista Movimento, dedicada aos debates em curso do VII Congresso Nacional do PSOL. Nela encontram-se artigos de análise, polêmica e discussão programática para subsidiar os debates de nossos camaradas em todo o país e contribuir com a batalha pela pré-candidatura de nosso companheiro Glauber Braga à presidência da República pelo PSOL. A edição também conta com análises de importantes questões internacionais contemporâneas e de outros temas de interesse, como os desafios da luta pelo “Fora, Bolsonaro” e as crises hídrica e elétrica no Brasil. Num ano de 2021 ainda marcado pela tragédia da pandemia da Covid-19 e pelo descaso criminoso de governos em todo o mundo, lamentamos a perda de nosso grande camarada Tito Prado (1949-2021), militante internacionalista e dirigente de Nuevo Perú. A ele dedicamos esta edição de nossa revista e, em sua homenagem, publicamos artigos em sua memória. Boa leitura!