Próxima Câmara de Deputados: avanço da paridade, mas não do feminismo
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Próxima Câmara de Deputados: avanço da paridade, mas não do feminismo

Análise das eleições mexicanas.

Sara Lovera 25 jun 2021, 13:49

Os primeiros resultados das eleições do último domingo, 6 de junho, mostram que a paridade eleitoral avançou com a eleição de 50 por cento de homens e 50 por cento de mulheres. Cerca de 73.000 mulheres participaram, alcançando mais de 10.000 assentos reservados para metade da população.

Muitas delas estão comprometidas com o avanço da mulher; muitas delas, longe do feminismo, não têm uma agenda nesse sentido e é advertido que não haverá força para abordar questões pendentes, tais como a interrupção legal da gravidez ou clareza para fazer propostas sobre a liberdade da mulher mexicana.

A maioria daquelas que chegarão ao Congresso Federal vem do partido governante, claramente sem projeto de gênero. Entretanto, a luta de mulheres como Mujeres en Plural ou 50+1 é que as mulheres chegam, o que é conhecido como uma postura “feminista” apenas, embora seja notado como um avanço.

Assim, as mulheres atingirão apenas 47,6% dos assentos na Câmara Federal, de acordo com dados oficiais do Programa de Resultados Eleitorais Preliminares (PREP), o que significa uma perda de um ponto em relação à atual legislatura e a paridade total não foi alcançada. Com o voto direto nos distritos, as mulheres ganharam 138, 46%.

Para o coletivo 50+1, isto mostra a capacidade das mulheres de ganhar maiorias, já que 300 distritos foram delegados por voto direto. Mas não será até o final da semana que os dados estarão completamente certos, após a contagem caixa por caixa.

No Congresso Federal, o partido governista perdeu 56 cadeiras e em votos nacionais, 16 milhões não votaram mais no partido oficial. Como noticiado na Cidade do México, a oposição venceu em nove dos 16 prefeitos e pela primeira vez haverá paridade.

Como em 2015 e 2018, após a paridade eleitoral, em alguns congressos locais, as mulheres excedem 50%. Um olhar sobre três dos congressos locais, as mulheres excedem 50 e até 60% da representação em Oaxaca (56%), em Veracruz (68,42%) e em Chiapas (62,5%), o que é uma amostra mínima e ainda não é uma tendência para o país.

Estes resultados iniciais emergem da aplicação das regras de paridade eleitoral, já que os partidos tiveram que colocar 50% das candidatas nos dois sistemas eleitorais e temia-se que a distribuição as enviasse para distritos perdidos ou de alto risco. A resistência nos partidos desta vez não o conseguiu, na Casa Federal, e poderia ser menor nos congressos locais, mas nos selecionados, Oaxaca, Chiapas e Veracruz, parece diferente.

De acordo com esta contagem, haverá 238 deputadas federais, o que inclui as de representação proporcional ou lista. A diminuição tem a ver com a não conformidade de algumas partes, por não ter uma mulher no topo das listas plurinominais.

As deputadas federais distribuídas pelos partidos políticos indicam que seriam 88 de Morena – considerando os partidos aliados Verde Ecologista e Partido del Trabajo; 33 da Acción Nacional, 12 do Revolucionario Institucional, cinco do Partido de la Revolución Democrática e dois do Movimiento Ciudadano; não há resultados do Partido Verde Ecologista, que deve ter 40 ou mais cadeiras, o que poderia mudar alguns resultados da composição. Na atual legislatura, a porcentagem atingiu 48,48% na legislatura, onde 500 cadeiras são votadas.

Nos congressos locais, os resultados preliminares indicam menos de 50% em Veracruz, com 48,48%; excederam 50% em Oaxaca, com 56%, e em Chipas chegaram a 62,5%.

Em Oaxaca, 11 homens e 14 mulheres, sem contar as cadeiras plurinominais; em Veracruz, 14 mulheres de 25 cadeiras; em Chiapas, 25 mulheres de 40 cadeiras.

Dados sobre municípios somente em Oaxaca, onde 152 tiveram eleições, pois os demais (418) são organizados por usos e costumes. Desses 152 municípios, as mulheres estão à frente com 47 e, a partir do encerramento do PREP, sete estão em conflito e não há resultados. Diz-se que as mulheres ganharam 47 municípios e os homens 97. As mulheres ganharam, em sua maioria, em municípios pequeno e de baixa renda, onde não votam muitas pessoas, de acordo com a ex-conselheira eleitoral Rita Bell.

A jornalista Susana Solís, de Chipas, informou que haverá 25 mulheres no Congresso de um total de 40 deputados, nove dos quais são indígenas e quatro são de cotas de jovens.

Em Veracruz, a coalizão governista “Juntos Haremos Historia” ganhou 17 deputados federais e a oposição ganhou apenas dois, um conquistado por uma mulher. O PREP informou que Morena e seus aliados têm uma clara liderança em deputados federais no estado de Veracruz, segundo informações do BillieParker noticias.

Artigo originalmente publicado em Rebelión. Reprodução da tradução realizada pela Fundação Lauro Campos.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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