Derrotar ou administrar o tucanistão?
Alckmin e Doria

Derrotar ou administrar o tucanistão?

Está em curso em São Paulo uma ampla articulação para perpetuar o modo tucano de administrar o estado. O PSOL não fará parte

Pedro Serrano 9 fev 2022, 13:27

Está em curso em SP uma ampla articulação política que pretende utilizar a fachada da esquerda para na verdade perpetuar o modo tucano de administrar o estado. O líder será Haddad. O vice dele provavelmente será França, que já foi vice de Alckmin, que será vice de Lula. Essas figuras vão centrar seu discurso em Doria “esquecendo” o PSDB, como se Doria não fosse do PSDB, em sentido histórico e atual. E para isso disputarão simplesmente o direito de operar, eles mesmos, a mesma política que o PSDB já opera (inclusive com Doria) há vinte e cinco anos. 

É isso que explica que o escandaloso PL que legaliza a grilagem, para a alegria do agronegócio, tenha sido aprovado na ALESP nessa terça-feira (8) por ampla maioria, incluindo os votos (ou ausências providenciais) do PT. Só o PSOL votou contra. Lembre-se que “o cara” do agronegócio em SP é Alckmin, cotado inclusive para assumir o Ministério da Agricultura de Lula, além de ser vice. 

Aqueles que conhecem o histórico dos partidos e figuras envolvidos não se surpreendem. França, como já dito, foi vice de Alckmin e é um seu discípulo. A campanha à prefeitura de Guilherme Boulos em 2020, corretamente, o denunciou como um tucano enrustido. Quando prefeito em São Paulo, também Haddad foi um grande aliado de Alckmin e propôs, por exemplo, a reforma da previdência municipal, além dos episódios dos aumentos de tarifas.

Mas o absurdo colocado para as eleições de 2022 vai além. Isso porque está em questão anular um legado de décadas de luta dos movimentos sociais contra o tucanistão. O problema de São Paulo não é “só” João Doria. São as décadas de PSDB, de privatizações, perseguição aos servidores, encarceramento em massa e repressão. Que o digam os professores da rede estadual. É impossível exigir que tais movimentos endossem uma candidatura que não se oponha, de fato, ao PSDB paulista.

É por isso que o PSOL não integrará essa frente eleitoral que pretende administrar, e não derrotar, o tucanistão. Desde o ano passado, deliberamos uma pré-candidatura própria do partido ao governo estadual: Guilherme Boulos. A única candidatura capaz de expressar o programa da esquerda e a oposição ao PSDB.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

   

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