Juntos! rumo ao CONUNE
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Juntos! rumo ao CONUNE

Entrevistamos Fabiana Amorim, dirigente do movimento de juventude Juntos!, sobre o Congresso da União Nacional de Estudantes que acontece em Brasília

Fabiana Amorim 13 jul 2023, 12:47

Entrevistamos Fabiana Amorim, dirigente do movimento de juventude Juntos!, sobre o 59º Congresso da União Nacional de Estudantes que acontece até o próximo domingo em Brasília


Este será o primeiro Conune após a pandemia e também após a derrota de Bolsonaro. Quais são as expectativas para o encontro?

Esse encontro acontece depois de 4 anos, depois da pandemia e do governo Bolsonaro, e realmente existe muita expectativa porque é um congresso de novos parâmetros. O movimento estudantil precisou resistir e se reorganizar em um momento muito difícil durante a pandemia, sem aulas presenciais, e fomos um dos primeiros setores a ir para as ruas contra o governo Bolsonaro mesmo antes do fim do isolamento social.

E agora estamos vivendo uma nova conjuntura, um novo governo. Perante tudo isso, com certeza este vai ser um Congresso da UNE muito especial porque estamos nesse momento de reorganização, em um novo cenário. Mas, ao mesmo tempo, onde muitos elementos do governo anterior também permanecem, como o perigo da extrema direita e as políticas de austeridade fiscal.

Existem várias pautas importantes para o movimento estudantil hoje, o tema do novo Ensino Médio, as questões de acesso e permanência que continuam, a falta crônica de recursos para as universidade. Como o Juntos! vê o papel do movimento estudantil frente a isso tudo?

Sem dúvida, a educação segue com pautas muito urgentes. Conseguimos parte da recomposição orçamentária das universidades e o reestabelecimento de bolsas no início do governo Lula, mas sabemos também que nacionalmente a situação das universidades públicas ainda é alarmante. Estamos lutando contra diversos ataques simultâneos, vemos a luta contra o novo arcabouço fiscal como uma luta também da educação. Temos também a luta pela revogação do Novo Ensino Médio, na qual o governo ensaiou recuar devido às mobilizações, e defendemos que o papel do movimento estudantil deve ser de independência ao governo.

Hoje, infelizmente a postura da UNE e da UBES, que são entidades nacionais, frente a reforma do Ensino Médio é justamente de negociar pontos da reforma. Este tema é muito importante porque esta reforma tem piorado ainda mais a educação no país, atacando diretamente as possibilidades de carreiras dos estudantes, especialmente aqueles que planejam ingressar em licenciaturas.

Defendemos que o movimento estudantil deve ser o setor mais radicalizado, que pressiona para obter uma educação pública com qualidade de fato, utilizando nossas reivindicações para lutar pela garantia de direitos, mas também ampliando nossos horizontes de possibilidade. O papel do movimento estudantil é defender seu programa de reivindicações de forma independente dos governos.

E as outras organizações de juventude? Como se localizam? Quais serão os campos ao redor da disputa da UNE?

Existem dois grandes campos, a partir da radiografia do último congresso. De um lado, temos a direção majoritária da UNE, dirigida pelo PCdoB, junto com as juventudes do PT e do Levante Popular de Juventude, que consideramos ter uma limitações políticas muito expressivas principalmente no tema da independência em relação ao governo. Um reflexo disso está na própria programação do Congresso, onde teremos o ministro Luis Barroso, um inimigo da nossa classe que votou contra o piso da enfermagem, por exemplo. Nós tivemos momentos importantes de unidade com este campo majoritário, liderado pela UJS, principalmente na resistência contra Bolsonaro, mas nesse momento decisivo precisamos afirmar a independência da entidade.

Este é o principal objetivo do Juntos! no CONUNE, construir um campo independente. Para isso construímos a Oposição de Esquerda nos últimos anos, e para este Congresso temos feito uma reflexão sobre este espaço porque a Oposição de Esquerda hoje se encontra de certo modo dispersa. Exemplos disso foram as eleições de delegados para o CONUNE, onde os grupos da Oposição saíram em chapas separadas, e para nós isso deve gerar uma reflexão entre todos os setores à esquerda.

A nossa prioridade não pode ser a autoconstrução de um único “partido revolucionário” na juventude, isso deseduca a juventude. Estamos vivendo um momento que exige uma amplitude tanto na capacidade de unidade contra o fascismo quanto na capacidade de organização de um polo independente que tenha influência de massas. E nenhuma organização sozinha conseguirá fazer isso, portante estamos dialogando com todas as organizações que tenham afinidade com estes dois propósitos a construir um campo independente não só no interior da UNE, mas para construir todas as lutas que enfrentaremos nas ruas.

Existe algo mais que você gostaria de falar sobre o congresso?

É muito importante acompanhar o Congresso da UNE, acompanhar os debates que serão realizados. E fazer isso não somente para conhecer as resoluções, pautas e calendário de lutas que faremos em nível nacional, mas prestando muita atenção nos jovens que em alguns dias vão voltar de Brasília. Porque quem for a Brasília e encontrar lá o movimento estudantil em nível nacional, o próprio Juntos! em nível nacional, e isso depois de tanto tempo sufocados pelo neofascismo e pela pandemia, vai seguramente voltar mais forte e aguerrido para as nossas novas batalhas.

O movimento estudantil deve voltar às ruas cada vez mais, e não simplesmente acompanhar uma política ditada pelos palácios, através de acordos. Temos que enfrentar os consensos neoliberais, temos que enfrentar a extrema direita, e isso será feito através da radicalidade desta juventude que constrói o CONUNE. Então prestem bastante atenção nesses jovens que voltarão de Brasília com muita disposição de luta, com muita vontade de mudança.


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