A seca no Amazonas e no Pará e a urgência da luta ambiental
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A seca no Amazonas e no Pará e a urgência da luta ambiental

Sem floresta não há futuro, façamos de nossa luta diária a defesa do meio ambiente

Lucas Pires e Renata Moara 13 out 2023, 11:46

Via Juntos!

Há algumas semanas o estado do Amazonas começou a enfrentar aquela que seria uma das piores secas de sua história, já são mais de 40 cidades em situação de emergência, morte de centenas de peixes, racionamento de água, populações ribeirinhas sofrendo para conseguir alimentos e muito mais. A cidade de Manaus, Capital Amazonense, também não se isenta de todos os problemas que essa drástica mudança climática traz, junto ao aumento do desmatamento e das grandes queimadas ao sul do estado.

Por semanas, Manaus se encontra em uma terrível “neblina”, que se trata de dejetos da poluição oriundas das queimadas, porém, foi na manhã do dia 11 de outubro, quarta-feira, que isso se agravou mais na capital, onde a cidade amanheceu com o segundo ar mais poluído do mundo, onde alguns cientistas afirmam que a quantidade de carbono nos céus, era o equivalente a estar respirando o ar de uma casa em chamas. A população está a um mês acordando e tendo de lidar com problemas respiratórios, sangramento nasal e ardência nos olhos, algo que afeta e muito a saúde das pessoas, tenham elas problemas respiratórios ou não, estamos vivenciando novamente uma cidade em falta de oxigênio.

Em uma região onde se estabeleceu uma cultura de queimadas, isso gerou uma visão normalizadora desses períodos de fumaça como sendo “apenas” um período passageiro das queimadas ao sul do estado, todavia, aliada às secas, essas queimadas geraram um pensamento de alarde dentro da população, que busca compreender de onde vem toda essa fumaça, mesmo que, em tese, todos já devessem saber.

Estamos vivendo um grande aumento dos focos de incêndio no Amazonas no mês de outubro, são mais de 2600 focos de queimadas, o maior número do mês desde 1998. Atualmente já temos certeza que a grande maioria desses focos de incêndio são graças ao agronegócio, nos mostrando como o sistema capitalista está sempre em busca de lucro acima de qualquer coisa, a fumaça que hoje a população amazonense está inalando, as árvores sendo queimadas, tudo isso é para pastos de criação de gado, estão trocando vidas pelo lucro.

No Pará a realidade não é diferente. O Rio Tapajós que banha a cidade de Santarém está 38 centímetros abaixo da maior seca registrada até então, em 2010, hoje pelo menos três cidades já estão em situação de emergência, Santarém, Itaituba e Aveiro. O impacto ambiental é sentido diariamente, no calor extremo que atinge as cidades, principalmente pela população mais pobre, na morte de centenas de peixes e incêndios descontrolados, registrados nesta semana na região sul da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.

O que acontece nesses estados não é uma coincidência e nem é natural, é fruto de uma política secular de exploração e destruição da Amazônia. O avanço da soja na região do oeste paraense é um dos maiores responsáveis para o desmatamento da região que coloca a vida do povo amazônida em risco diário, vivemos cercados de agrotóxicos que contaminam o ar, o solo e a água, tudo isso para produzir para exportação e para o lucro de poucos, a exemplo da Cargill, empresa norte-americana que foi construída sob cemitério indígena em Santarém e que segue a lógica exploratória de nosso território.

A mineração e o garimpo ilegal nos nossos rios é responsável por uma série de impactos socioambientais. São mortes de crianças Yanomami em Roraima, são peixes contaminados por mercúrio e que são consumidos pela população causando doenças, o assoreamento de nossos rios como está acontecendo em algumas regiões do baixo e médio Tapajós no Pará.

E com todas essas ofensivas contra a Amazônia e seus povos, hoje vivemos um colapso ambiental. E quem está verdadeiramente preocupado com o futuro do planeta e de nossas vidas, são os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses, e os lutadores e lutadoras ambientais. O que vemos dos governos é uma preocupação em como os grãos produzidos aqui serão exportados pro lucro dos grandes conglomerados do agronegócio, o que preocupa as elites é como as hidrelétricas funcionarão, como o garimpo continuará atuando com a seca dos rios. 

Para nós a urgência é em como garantir que as populações ribeirinhas, indígenas, que estão nas comunidades mais afastadas conseguirão sobreviver nesse período, onde o rio secou, onde os peixes estão morrendo, não tem água potável, onde o alimento que vem da cidade não consegue chegar porque as embarcações encalham no meio do caminho, onde as queimadas ameaçam a floresta e quem ali vive.

As vidas precisam estar acima do lucro, esta é nossa batalha. A crise climática não é uma tese a ser estudada nos gabinetes de portas fechadas, a crise climática é uma realidade, dura e sentida por quem sempre esteve na linha de frente da defesa do meio ambiente. A luta ambiental é uma urgência de nosso tempo, é a luta por sobrevivência, tomemos em mãos a defesa ativa de nosso futuro. 

Sem floresta não há futuro, façamos de nossa luta diária a defesa do meio ambiente, mas também a construção de uma sociedade baseada na sabedoria ancestral do bem viver, de harmonia com a mãe terra, aliada com a luta anticapitalista de mudança de estrutura. O capitalismo já se mostrou devastador para nós, os 99% da população que vivem na periferia do mundo e que tem seus recursos humanos e naturais explorados há séculos. Estamos vivendo a barbárie ambiental, mas não podemos aceitá-la. Assim como os povos indígenas resistiram à colonização, o povo negro resistiu à escravização, como historicamente os povos resistem ao imperialismo e lutam pela sua autodeterminação, como é o povo Palestino, nós lutaremos e construiremos um novo futuro, onde não mais viveremos sobre o capitalismo predatório que ceifa nossas vidas e rifam nossos territórios. Nossa consigna máxima é o ecossocialismo ou barbárie!


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