Três bandeiras para enfrentar a extrema direita

Três bandeiras para enfrentar a extrema direita

Desde nossa localização independente, queremos agitar de forma combinada a solidariedade ao povo palestino, a prisão de Bolsonaro e a exigência de justiça por Marielle e Anderson

Israel Dutra 25 fev 2024, 11:32

A declaração de Lula sobre a Palestina feita na Etiópia gerou uma ampla discussão na sociedade brasileira. Além de defender algo verdadeiro, e da hipocrisia de parte da imprensa liberal, o fato é que escalou a polarização com a extrema direita, já aquecida pela reação à operação da Polícia Federal que deixou Bolsonaro na defensiva. Voltamos ao clima de debate acirrado nas redes já visto outras vezes, que se transporta para escolas, locais de trabalho e moradia.

Diferente de outros momentos, contudo, há duas características interessantes na presente disputa da opinião pública: a iniciativa da agenda política está sendo pautada pela esquerda e a extrema direita na defensiva. A prisão de Bolsonaro e alguns aliados próximos estão na ordem do dia e parte de seus antigos apoiadores buscam se desvencilhar dos planos golpistas fracassados.

Os reflexos da polêmica sobre a Palestina são um bom exemplo desse momento. Fizemos um abaixo-assinado online pela Revista Movimento, em apoio às declarações de Lula, que chegou a quase 200 mil apoiadores. Um mapeamento geral das redes indicou que 61% das menções foram de apoio à posição de Lula, com apenas 39% de menções condenando a declaração. Um dos analistas da Globo News chegou a reconhecer o papel de Sâmia Bomfim para essa “virada” da opinião pública, ao menos nas redes.

Junto às reivindicações que estão na pauta do movimento, insistimos na necessidade de golpear juntos com essas três bandeiras diretamente interligadas. Desde nossa localização independente, queremos agitar de forma combinada a solidariedade ao povo palestino, a prisão de Bolsonaro e a exigência de justiça por Marielle e Anderson.

Em defesa da causa palestina, pelo cessar-fogo e a condenação ao genocídio!


Lula reafirmou sua posição acerca do genocídio no momento em que entramos numa fase dramática da atual invasão sionista à Gaza e Cisjordânia. A posição de Lula ecoou no mundo inteiro, recebendo ataques do campo constituído por fascistas como Trump, Milei e Bolsonaro, a ponta avançada do apoio ao genocídio promovido pelo Estado de Israel. Infelizmente, parte da mídia liberal brasileira, sob relações e vínculos economicos com setores sionistas, se somaram à grita da extrema direita, replicando versões falsas e instrumentalizadas o presente genocídio.

A cumplicidade dos governos de Estados Unidos e do Reino Unido sustenta a limpeza étnica que Netanyahu leva adiante. É preciso redobrar as manifestações em cada parte do planeta, apoiando-se na fala de Lula como um ponto de inflexão. No Brasil, devemos intervir sobre a polêmica, colocando a totalidade dos elementos acerca do caráter da agressão à Gaza: é um genocídio, é parte de um apartheid histórico e a luta do povo palestino é o epicentro da resistência mundial.

É necessário avançar nessa luta através de próximos passos como a exigência da ruptura de relações com o estado sionista e o aumento da ofensiva diplomática internacional contra a agressão sionista. Devemos também prestar toda solidariedade com todos os perseguidos pelo sionismo de direita, à exemplo das deputadas Sâmia Bomfim e Luciana Genro, do PSOL, e do jornalista Breno Altman.

Prisão para Bolsonaro! Sem anistia


Na quinta-feira, 22 de fevereiro, Bolsonaro ficou em silêncio no depoimento à Polícia Federal. A expectativa paira sobre o ato convocado para hoje (domingo, 25 de fevereiro) quando o conglomerado golpista vai levantar seu palanque na Avenida Paulista em resposta às ameaças que sofrem hoje. 

O bolsonarismo está atuando de forma desesperada porque a ação da PF colocou a prisão de Bolsonaro como um horizonte crível, logo ele precisa mobilizar sua base para se defender. O assunto vai seguir rendendo, na imprensa e nas redes e o tema colocado para a esquerda é como atuar para consolidar a maioria social a favor da prisão de Bolsonaro. É necessário ir às ruas para pressionar pela prisão de todo clã Bolsonaro; e legitimar na maioria do povo as prisões, apoiando-se nos passos mais avançados do STF, sem delegar às instituições e à PF a tarefa central que cabe às ruas. É preciso um calendário unificado para retomar a iniciativa também nas ruas.

Se coloca a possibilidade de abrir uma conjuntura transitória que empurre os golpistas para a defensiva, responsabilizando o conjunto dos protagonistas da trama (generalato, núcleo político do bolsonarismo e seus financiadores). Nunca é tarde para o ajuste de contas com os genocidas, civis e militares; é o espírito da bandeira da consigna “Sem Anistia”.

E remover os “entulhos” do aparelho repressivo passa por um programa geral sobre a segurança pública, denunciando os abusos da “Operação Escudo” que acontece em São Paulo, da privatização dos presídios, da impunidade dos grupos milicianos, entre outros. A aprovação no senado – com votos do PT – do fim da saída temporária de encarcerados em ressocialização vai na direção contrária: fortalece o punitivismo e a lógica repressiva.

Nos somaremos a todas as ações unificadas para exigir a prisão de Bolsonaro e de todos os golpistas, marchando de forma unificada contra o fascismo sem deixar de lado o combate a estes outros efeitos do enraizamento da extrema direita na sociedade.

Seis anos sem Marielle e Anderson! Justiça, sem esquecimento nem perdão!

Dia 14 de Março cumpre-se seis anos sem solução do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes e as promessas do então ministro de governo Flávio Dino sobre a elucidação do caso ainda não foram cumpridas. A recente delação do ex-policial Élcio Queiroz provocou a expectativa de indicação dos responsáveis pelos assassinato, porém a situação se mantém inconclusiva e colocam a pergunta “Quem mandou matar Marielle” ainda mais atual.

O mês de março irá combinar três elementos chave de mobilização da situação nacional: o 8 de março feminista, a luta contra Bolsonaro e por justiça para Marielle. Nesse calendário, o PSOL deve ter papel protagonista. Além das mobilizações por todo país durante o 8 de março, o partido enviará uma delegação para a Argentina em solidariedade à luta das mulheres daquele país contra o governo Milei. Da mesma forma, não deixaremos de levantar com toda força a exigência de justiça para o caso de Marielle e Anderson, sem esquecimento nem perdão para este crime bárbaro. E seguiremos articulando estas lutas duas com nossa necessidade mais objetiva de combate ao bolsonarismo, que hoje está na defensiva, mas mantém sua influência em amplos setores da população. 

O PSOL deve atuar com radicalidade nessas bandeiras de luta, em grande unidade com todos os setores da esquerda para fazer com que março de 2024 seja marcado por um duro golpe na extrema direita no Brasil.


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