MP denuncia jornalista perseguido por Carla Zambelli em rua de SP
Carla Zambelli

MP denuncia jornalista perseguido por Carla Zambelli em rua de SP

Luan Araújo pode ser condenado por injúria antes mesmo de bolsonarista ser responsabilizada por ameaçá-lo com arma de fogo

Tatiana Py Dutra 18 maio 2024, 14:00

Foto: Conjur/Reprodução

O dramaturgo Nelson Rodrigues, dentre muitos personagens, criou o marcante Sobrenatural de Almeida. Tratava-se de um fantasma a quem o cronista atribuía responsabilidade por qualquer coisa ruim que acontecesse contra o Fluminense, seu time do coração.Eu, cá com meus botões, imagino que haja assombração correlata amaldiçoando certos setores do Judiciário.

Foi o que me ocorreu ontem (15), ao ler a coluna de Rogério Gentile, no UOL, e me deparar com a notícia de que o Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a condenação do jornalista Luan Araújo – aquele contra quem a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e um de seus seguranças miraram seus revólveres até encurralá-lo em bar dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno da última eleição presidencial.

Ainda que – descumprindo decisão da Justiça Eleitoral, que proibia o porte de arma de fogo no período – a parlamentar de extrema direita tenha ameaçado a vida do rapaz após uma discussão política banal, ele pode ser condenado pelos crimes de injúria e difamação antes mesmo que uma improvável condenação pese contra ela.

Zambelli foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Mas ela, por sua vez, decidiu processar o jornalista após se sentir ofendida por um texto publicado pelo rapaz após o episódio. Nele, Luan disse que a deputada “segue uma seita de doentes de extrema direita” e que “segue cometendo atrocidades atrás de atrocidades”. Acrescentou ainda que ela se aproveitara da véspera da eleição para “fazer o picadeiro clássico de uma extrema-direita (sic) mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

Na ação,  Zambelli disse que as afirmações são ofensivas e irresponsáveis, e minimizou a sua própria ação, dizendo que mesmo “traumatizante, o envolvimento prévio entre as partes [referindo-se à perseguição armada] não garante à suposta vítima um direito imutável de ofender gratuitamente seu suposto ofensor”.

No dia 6 de maio, o promotor Roberto Bacal deu um parecer favorável à condenação do jornalista. Segundo ele, “desde o início do desentendimento, houve uma ofensa gratuita e dolosa contra a deputada” e que “ houve excesso de linguagem” no texto publicado na sequência. Cabe relembrar aqui que Luan é negro e que, no Brasil, a Justiça para quem não é branco corre em uma cadência diferente, acelerada e inclinada a condenação.

Procurado pela coluna, Luan Araújo diz o óbvio: não cometeu crime algum. Disse que apenas exerceu seu trabalho profissional, amparado pela liberdade de expressão – um valor bastante defendido pela extrema direita, mas só quando lhe convém.


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