DSA atinge 100 mil membros – Entrevista com Hayley Banyai-Becker

DSA atinge 100 mil membros – Entrevista com Hayley Banyai-Becker

Entrevista com Hayley Banyai-Becker, membro do Comitê Político Nacional do DSA

Estados Unidos Hoje da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco

Em um momento crítico da conjuntura dos Estados Unidos, o Democratic Socialists of America (DSA) atingiu a marca histórica de 100 mil membros nacionalmente. Nossa coluna conversou com Hayley Banyai-Becker, membro do Comitê Político Nacional do DSA. Leia abaixo a entrevista.

P. Hayley, muito obrigada pela entrevista. Você poderia começar se apresentando?

R. Sou Hayley Banyai-Becker, atualmente integrante do Comitê Político Nacional do DSA, pelo núcleo de Portland, no estado do Oregon. Entrei no DSA em 2019, depois de ter coordenado o trabalho de base da campanha ao Senado dos Estados Unidos de Lorena Garcia, candidata apoiada pelos quatro núcleos do DSA no Colorado.

Desde que ingressei na organização, atuei como coordenadora de campanha ou diretora de campo em mais de seis campanhas de candidatos nacionalmente endossados pela DSA. Também liderei, junto a um companheiro da DSA de Denver, uma campanha de organização sindical para sindicalizar a organização sem fins lucrativos em que eu trabalhava. Além disso, atuei por dois anos como organizadora da equipe nacional da DSA e, simultaneamente por um ano, integrei o Comitê Diretor da DSA de Portland e o Comitê Diretor da Comissão Nacional Eleitoral da organização.

Em agosto de 2024, mudei-me para Portland e assumi o posto de diretora de campo da campanha nacionalmente endossada pelo DSA de Tiffany Koyama Lane para o Conselho Municipal de Portland. Atualmente, trabalho como organizadora sindical na AFT-Oregon, representando cerca de 18 mil trabalhadoras e trabalhadores da educação em todo o estado.

P. DSA acaba de atingir a marca de 100 mil filiados em todo o país. Qual é o significado disso para os socialistas nos Estados Unidos?

R. DSA alcançar 100 mil filiados é um marco monumental para nós. Já havíamos tentado chegar a esse número anteriormente, por meio de uma campanha nacional de filiação durante o mandato presidencial de Joe Biden, mas naquele momento nosso pico foi de 93 mil membros. Após esse período, a organização atravessou uma fase de queda no número de filiados, o que, na minha avaliação, esteve relacionado sobretudo à sensação de que os principais problemas do país estavam associados à administração Trump e que, uma vez superada, essa etapa teria ficado para trás.

Entre a presença muito visível de núcleos e dirigentes do DSA em mobilizações contra o genocídio promovido por Israel contra os palestinos, a reeleição de Trump, a permanência do DSA firme e coerente em seu compromisso com a abolição do ICE e a eleição de um socialista democrático para o cargo mais alto da maior cidade dos Estados Unidos, o período de declínio ficou definitivamente para trás.

Desde a reeleição de Trump, em novembro de 2024, nossa base de filiados vem crescendo de forma constante e atingiu, até então, seu maior número — 95 mil membros — após a eleição de Zohran Mamdani, em novembro de 2025, nossa campanha anti-guerra contra a agressão dos Estados Unidos na Venezuela e a resposta rápida e organizada pelo DSA nas Cidades Gêmeas à ocupação de bairros por parte do ICE e do Departamento de Segurança Interna (DHS).

O número de filiados do DSA varia de acordo com os acontecimentos políticos, mas alcançar a marca de 100 mil é especialmente significativo porque representa nosso maior patamar histórico. Hoje, somos a maior organização socialista dos Estados Unidos no último século. Ainda temos trabalho pela frente para atingir o auge que o Partido Socialista alcançou no passado, mas estou confiante de que nossa organização continuará a se expandir e que o número de filiados seguirá crescendo até sermos grandes o suficiente para ajudar a construir o país e o mundo que queremos ver.

P. Atualmente, você integra o Comitê Político Nacional do DSA. Quais são, na sua avaliação, as tarefas mais importantes do DSA no atual momento político?

R. Sintetizar quais são as tarefas mais importantes neste momento político tem sido difícil para o Comitê Político Nacional, porque literalmente parece que tudo está pegando fogo ao mesmo tempo. Pessoalmente, acredito que a tarefa mais urgente que temos diante de nós é organizar uma resposta coletiva aos ataques da administração Trump, tanto no plano interno quanto no internacional — o que inclui a luta pela abolição do ICE e a reconstrução do movimento anti-guerra, de modo a estabelecer uma oposição clara à interferência dos Estados Unidos em outros países.

Em termos de uma estratégia de mais longo prazo, considero fundamental organizar a classe trabalhadora rumo a uma greve geral de massas até o Primeiro de Maio de 2028 — ou, de preferência, antes disso. Estamos em uma posição singular, com 100 mil membros da classe trabalhadora espalhados por todo o país, muitos dos quais já atuam em sindicatos ou estão envolvidos na organização de seus locais de trabalho, o que nos permite articular sindicatos e outras organizações para tornar esse objetivo viável.

Estamos trabalhando na elaboração de um “roteiro rumo ao Primeiro de Maio” para os filiados do DSA em todo o país, que inclui o estabelecimento de vínculos com sindicatos e outros grupos, a realização de eventos públicos de formação política e a promoção de fóruns voltados à construção de impulso em torno desse projeto. Por fim, após a vitória na eleição para a prefeitura de Nova York, precisamos canalizar essa energia para a construção de uma infraestrutura nacional capaz de eleger mais socialistas democráticos para o Congresso.

P. Você está baseada em Portland, uma das cidades mais mobilizadas contra o ICE, contra a ofensiva da administração federal e em solidariedade a Minneapolis. Como tem sido essa experiência?

R. A resposta do DSA de Portland ao ICE, à tentativa de tomada da nossa cidade por tropas federais e nossa solidariedade com Minneapolis me devolveram a esperança — algo que eu não sentia havia muito tempo. Nosso núcleo organizou uma grande manifestação com apenas duas horas de aviso, depois que o DHS baleou duas pessoas em Portland no mês passado, poucos dias após o assassinato de Renee Good em Minneapolis. Em um momento em que já estávamos nos mobilizando em solidariedade a eles, nossa própria cidade passou, de repente, a ocupar também a linha de frente da luta.

Ainda assim, como demonstração de solidariedade material, o DSA de Portland doou 5 mil dólares ao DSA das Cidades Gêmeas. Com base em diferentes relatos, tememos que o Oregon possa se tornar alvo da administração Trump, assim como Minneapolis, e tenho esperança de que nosso núcleo seja capaz de estar à altura desse momento, da mesma forma que o TCDSA vem fazendo.


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