Nossos rios não estão à venda: revogação do decreto 12.600/25 já!
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Nossos rios não estão à venda: revogação do decreto 12.600/25 já!

A mobilização indígena já mostrou sua força ao conquistar a suspensão do edital de dragagem do Tapajós. Essa vitória é fruto direto da resistência, da ocupação, da pressão organizada

Renata Moara 10 fev 2026, 10:38

Via Juntos!

Não, não senhor, ouça nossa voz não queremos barreira no Tapajós”

(Movimento de Carimbó do Oeste do Pará, Mestre Chico Malta e Grupo Cobra Grande)

A ocupação do terminal da Cargill em Santarém pelos povos indígenas do Baixo e Médio Tapajós não é apenas um ato simbólico ou localizado. É um grito coletivo que ecoa por toda a Amazônia e o mundo. É a denúncia concreta de que nossos territórios seguem sendo tratados como mercadoria, como corredor logístico para o agronegócio e como zona de sacrifício em nome de um falso desenvolvimento que apenas explora quem vive da floresta e do rio.

Ao ocupar a Cargill, uma das maiores representantes do capital internacional na região, os povos indígenas escancaram a engrenagem que liga o saque da natureza à violência contra os corpos, territórios e modos de vida ancestrais. Não se trata apenas de um porto ou de uma empresa: trata-se de um modelo econômico que transforma os rios em hidrovias privadas, as comunidades e as aldeias em obstáculos e a natureza em mercadoria.

É nesse contexto que o Decreto 12.600/25 aparece como mais uma ofensiva. Ao abrir caminho para concessões, dragagens e privatizações das bacias amazônicas, o decreto institucionaliza o avanço do capital sobre os rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Ignora a consulta prévia, livre e informada, ignora a Convenção 169 da OIT, ignora séculos de presença indígena. É o Estado colocando a caneta a serviço do lucro.

E é preciso dizer com todas as letras: o governo federal, sob a presidência de Lula, está operando contra os povos da floresta e as comunidades tradicionais quando mantém esse decreto. Não basta discurso bonito sobre meio ambiente enquanto, na prática, se libera dragagem, concessão e infraestrutura para acelerar o escoamento de soja. Não existe justiça climática nem democracia real quando os rios viram rota de exportação e os povos que dependem deles são empurrados para a margem.

Nossos rios não são mercadorias. Nossos rios são território, alimento, memória e espiritualidade. Nossos rios são nossos ancestrais e extensão de quem somos. A ocupação é, portanto, um ato legítimo de autodefesa, de defesa da vida. Quando o Estado falha, quando o diálogo não vem, quando os direitos são atropelados, o povo se levanta. E levanta com razão.

Nesse cenário, também não cabe neutralidade. Guilherme Boulos precisa fazer uma opção política clara: ou está ao lado dos movimentos sociais, como sempre afirmou, ou ficará calado diante de mais esse ataque. Pior ainda seria tentar frear ou moderar a luta e colocar barreiras burocráticas e políticas nas mobilizações, como se já não bastassem as barreiras que querem colocar nos nossos rios. Quem veio da luta popular não pode virar obstáculo para ela. A história cobra coerência.

A mobilização indígena já mostrou sua força ao conquistar a suspensão do edital de dragagem do Tapajós. Essa vitória é fruto direto da resistência, da ocupação, da pressão organizada. Nada foi concessão do governo, foi conquista da luta radicalizada. Mas sabemos: suspensão não é revogação.

A luta segue pela revogação completa do Decreto 12.600/25. Seguimos porque nossos territórios não estão à venda. Seguimos porque não aceitaremos a privatização da vida. Seguimos porque queremos nossos rios livres, correndo como sempre correram, alimentando os povos e não os lucros dos bilionários. Se tocam nos rios, mexem com todos nós.

E a resposta seguirá sendo ocupação, resistência e luta. Surara! Sawê!


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