EUA e Israel fora do Irã! Não haverá libertação com bombas norte-americanas!

EUA e Israel fora do Irã! Não haverá libertação com bombas norte-americanas!

Declaração da IV Internacional diante dos ataques imperialistas dos EUA/Israel contra o Irã

1. Depois do ataque de Israel em junho de 2025 e de vários anos em que diferentes governos estadunidenses ameaçam militarmente o Irã, os parceiros EUA e Israel deslancharam, na madrugada do sábado 28 de fevereiro, um ataque maciço com misseis e bombas a várias cidades do país. O bombardeio atingiu instalações militares, o conjunto em que residia o líder supremo do Irã – Ali Khamenei – cuja morte é dada como certa pelos agressores -, na capital, e, no Sul, uma escola feminina, em que restaram assassinadas mais de 40 meninas. Trump avisa ao exército iraniano que se renda ou enfrente “morte certa”. O Irã respondeu com ataques a bases militares estadunidenses no Golfo Pérsico, além de mísseis contra Israel. Agora há a ameaça de uma guerra regional ampla.

2. O pretexto para essa guerra são as negociações “inconclusas” em torno do programa nuclear iraniano. Trump acusa sem provas o Irã de construir misseis de longo alcance para atacar a Europa ou mesmo os Estados Unidos. O mesmo argumento que George Bush e Tony Blair utilizaram em 2003 de que o Iraque poderia atacar alvos ocidentais com apenas 45 minutos de aviso. A hipocrisia das duas potências militares, dotadas de poder de ataque global e armas nucleares, ao afirmar que Irã representa uma ameaça significativa para populações tão distantes como a de Nova York, é evidente.

O Irã já havia feito importantes concessões em seu programa de enriquecimento de urânio, demonstrando abertura para contratos com os EUA em seu setor de gás e petróleo. Isso não foi suficiente para que Trump, um belicista abusador, que exige total submissão e obediência a si mesmo e aos EUA.

3. As ações militares de EUA e Israel têm explicação no contexto do giro abertamente agressivo e colonialista dos estadunidenses, sob um governo neofacista, numa crescente competição com China e Rússia pelo acesso direto a recursos, na medida em que se desintegra a ordem neoliberal e a globalização. A nova desordem global inclui o sequestro de Nicolas Maduro e da ex-deputada Cilia Flores na Venezuela, e o consequente controle do governo do país, as ameaças de Trump contra a Groelândia, o genocídio em curso contra os palestinos e a proposta de “reconstrução” de Gaza, a anexação da Cisjordânia, e agora as bombas que caem sobre Teerã.  Os primeiros misseis foram lançados por Israel, seguidos por ataques estadunidenses, lançados de seus navios de guerra e porta aviões na região. Isso demonstra, mais uma vez, a estreita conexão militar e política entre ambos os países.

4. A nova guerra demonstra que se agrava o padrão de desprezo do governo Trump pelo direito internacional, a soberania das nações e a utilização das ameaças e violência real para promover o que considera seus interesses. O ataque é o mais recente capítulo de uma longa história de agressão dos EUA contra o Irã e seu povo. Os Estados Unidos nunca perdoaram o Irã, por derrotar em 1979, com uma revolução popular, o regime sangrento do Xá Reza Pahlevi, apoiado pela Casa Branca. Todos os ocupantes da Casa Branca desde então se valeram de boicotes económicos e ações militares contra o país. Todos afirmaram cinicamente apoiar o povo iraniano contra a ditadura dos mulás (sacerdotes xiitas) como forma de tentar encobrir seu desejo de controlar a região e sua produção de petróleo.

5. O mais recente levante popular contra o governo iraniano, em janeiro último, e a forma brutal com que o regime teocrático o esmagou, poderia gerar simpatias para o ataque do sábado 28 ao governo dos aiatolás, como caminho para mudar o regime. O ataque militar foi celebrado pelos partidários do líder monárquico no exílio, filho do Xá derrubado há 47 anos, que vê no conflito oportunidade para voltar ao poder.  Pahlevi visitou Israel em abril de 2023 para conversar sobre a mudança de regime no Irã, sem esconder sua expectativa de que Netanyahu pudesse contribuir com seus planos de restauração da monarquia.

6. Com os bombardeios, Trump anunciou ao povo iraniano que “a hora da liberdade está próxima” e o chamou a derrubar seu governo. Esse ataque não tem nada a ver com libertação e esperança de democracia. Os Estados Unidos ou Israel, com as mãos manchadas do sangue de Gaza, de venezuelanos e mesmo de estadunidenses, não se movem por liberdade ou pela felicidade da humanidade. Esta é uma ação geopolítica estratégica das forças do imperialismo estadunidense para afirmar um maior controle sobre a região. Como dissemos em nossa declaração de 5 de janeiro, “rechaçamos os planos de mudança de regime de Trump e Netanyahu, que tentam impor uma solução de cima para baixo, financiando o movimento monárquico e ameaçando com uma maior intervenção militar contra o Irã. Por trás dos planos de Trump está o objetivo explícito de obter o controle das reservas de combustíveis fósseis, como afirmou claramente a respeito da Venezuela” [Contra o regime teocrático e autoritário do Irã e as ingerências imperialistas: solidariedade com a luta do povo do Irã].

7.O povo do Irã está há anos lutando para derrotar a ditadura teocrática dos aiatolás. As mulheres iranianas, em especial, têm estado na vanguarda desses movimentos, sobretudo das mobilizações “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022. O Irã conta com uma classe trabalhadora numerosa e sindicatos combativos, em especial no setor petroleiro. Estudantes e populares em geral saíram maciçamente às ruas em protestos massivos contra o massacre de milhares de pessoas pelo regime em janeiro. O governo iraniano é frágil e só se segura graças à violência e ao medo.

8. A tarefa de derrotar o regime iraniano é do povo iraniano. Nessa luta, a IV internacional apoia as forças democráticas, anti-imperialistas e que carregam os interesses da classe trabalhadora e dos grupos oprimidos do país e da região.

Por mobilizações contra a guerra em todo o mundo!

Não a Guerra dos EUA e Israel contra o Irã!

Solidariedade com o povo iraniano!

Fim do imperialismo e do colonialismo dos EUA e de Israel!


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