Palestina mobiliza Conferência Antifascista com denúncias de genocídio e chamado à resistência global
Atividade reúne lideranças, diplomatas e militantes que apontam o papel do imperialismo e do fascismo na devastação de Gaza e defendem solidariedade internacional ativa
Fotos: Tatiana Py Dutra/Esquerda em Movimento
A causa palestina foi um dos pontos mais contundentes da programação da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, no sábado (28), em Porto Alegre. Realizada no Salão de Atos da PUC-RS e mediada por Gabi Tolotti – presidenta do PSOL-RS e integgrante da Global Sumud Flotilla – a atividade reuniu vozes internacionais e brasileiras que denunciaram o genocídio em curso na Faixa de Gaza e associaram a ofensiva ao avanço do fascismo e do imperialismo no mundo contemporâneo.
O encontro contou com a participação do presidente da Federação Árabe Palestina (Fepal) Ualid Rabah, do embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril, do embaixador da Liga Árabe, Ibrahim Alzeben, do jornalista Breno Altman (Ópera Mundi), do ativista Thiago Ávila (Global Sumud Flotilha), da professora Muna Muhammad Odeh (ANDES-SN) e da ativista Mauren Mantovani (BDS). A atividade também foi marcada por apresentações culturais dos grupos Terra e Guapas 60+, com danças tradicionais palestinas.
Logo na abertura, Gabi Tolotti trouxe um relato direto da experiência na Flotilha, denunciando a repressão militar israelense mesmo contra missões humanitárias.
“A gente foi sequestrado em águas internacionais, levando alimentos para uma população que está passando fome”, afirmou. Segundo ela, a ação foi conduzida com violência: “Não foi com uma mangueira de água como foi mostrado no Jornal Nacional, foi com fuzil, com arma na cara”. Tolotti ressaltou que o episódio não se compara ao cotidiano palestino: “Nada do que a gente passou […] tem um milímetro parecido com o que os palestinos passam todos os dias”.
O embaixador Marwan Jebril reforçou a dimensão histórica da resistência e denunciou a continuidade da violência.
“Genocídio e limpieza étnica é o que está havendo na Palestina”, declarou, ao lembrar que “não há um dia em que não se levante e veja nas notícias que um jovem palestino foi assassinado”. Ele também destacou o simbolismo do Dia da Terra Palestina como expressão da luta pela memória e pelo território: “Temos só a Palestina e por isso continuaremos lutando”.
Já Ibrahim Alzeben enfatizou o apoio internacional à causa, destacando a solidariedade dos povos árabes e o papel do Brasil. “Transmito o sentir de mais de 400 milhões de árabes que amam a Palestina”, afirmou, ressaltando que a mobilização global é essencial para sustentar a resistência.
A professora Muna Muhammad Odeh trouxe uma análise histórica e acadêmica do processo de cerco a Gaza, citando formulações anteriores que já apontavam para uma “catástrofe humana”. Ela destacou que o isolamento imposto à faixa costeira não é recente, mas parte de uma estratégia deliberada que culmina no cenário atual de destruição.
Na mesma linha, Ualid Rabah fez uma das falas mais incisivas do encontro, ao relacionar o genocídio em Gaza com a dinâmica do imperialismo global.
“O genocídio em Gaza começou com os democratas, começou com o Biden”, afirmou, criticando o papel dos Estados Unidos. Para Rabah, trata-se de um “novo paradigma”, marcado pelo “maior extermínio de crianças da história” e por uma lógica de eliminação de populações inteiras. Ele ainda definiu o momento atual como expressão de um “totalitarismo genocidário”.
A denúncia do caráter estrutural do conflito também foi reforçada por Mauren Mantovani, que afirmou: “quando hoje se fala do novo fascismo, tem que falar de Israel”. Segundo ela, o país não apenas aplica práticas de dominação sobre o povo palestino, como também exporta tecnologias e métodos repressivos para outras regiões, inclusive a América Latina. Mantovani defendeu o boicote internacional como ferramenta concreta de enfrentamento: “quando falamos de antifascismo ativo e militante, temos que falar de BDS”.
O jornalista Breno Altman reforçou o caráter central da questão palestina na política mundial. “A questão palestina é a régua moral e geopolítica do mundo”, afirmou, argumentando que o conflito revela divisões fundamentais entre imperialismo e autodeterminação dos povos. Para ele, Israel atua como “cabeça de ponte dos Estados Unidos no Oriente Médio”, e sua derrota representaria um avanço global contra a dominação imperialista.
Por fim, Thiago Ávila destacou o papel da mobilização internacional recente, que, segundo ele, foi capaz de pressionar potências globais e alterar discursos oficiais. Ainda assim, criticou o que classificou como falso cessar-fogo: “Alguém chamaria isso de cessar-fogo se, a cada semana, se rouba mais terra na Faixa de Gaza?”.
Ao longo da atividade, as falas convergiram em um ponto central: a Palestina deixou de ser apenas uma questão regional para se tornar símbolo da luta global contra o fascismo, o colonialismo e o imperialismo. Para os participantes, a solidariedade ao povo palestino não é apenas um dever humanitário, mas parte estratégica da construção de um novo equilíbrio internacional baseado na soberania dos povos.
1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos termina neste domingo. Confira a programação aqui.






