Uma nova esperança
A independência do PSOL é uma conquista a ser defendida
A reunião do Diretório Nacional do PSOL, sábado, 7 de março, votou uma orientação fundamental para o próximo período: unidade eleitoral com Lula, sem subordinar-se a federação partidária liderada pelo PT.
Essa votação, que congregou mais de 75% dos membros da Direção Nacional, reflete um novo momento na vida partidária, representando uma pesada derrota do Movimento Revolução Solidária, que tem em Guilherme Boulos sua principal liderança.
Renovada a federação com Rede, duas tarefas estão apontadas: derrotar a extrema direita bolsonarista, votando e fazendo campanha por Lula; e passar a odiosa e excludente cláusula de barreira. Podemos afirmar que a votação teve um sentido estratégico: localizou o PSOL diante da tarefa de estar na linha de frente contra a extrema direita, preservando sua independência.
Além de celebrar a revalidação do PSOL como ferramenta política da esquerda combativa e renovada, a militância partidária sai armada para os novos embates.
Vejamos como isso se traduz no cotidiano.
Enfrentar a extrema direita
Como afirmava Trotsky, na armação histórica sobre a necessidade de uma frente única antifascista, devemos golpear juntos, mas marchar com nossas próprias bandeiras.
A tarefa de enfrentar a extrema direita não é só eleitoral. Ela é uma condição para derrotar um projeto constituído que ameaça as conquistas da classe, dos povos e do conjunto dos oprimidos. É a porta de saída do purgatório capitalista para o inferno da barbárie – já visto em Gaza e nas regiões mais pobres do planeta. Por isso, precisamos construir um freio de emergência contra o neofascismo mimetizado ao imperialismo ianque.
Lutar contra a ingerência estadunidense, defendendo a soberania nacional – contra projetos que usam da definição de narcoterrorismo para justificar a presença militar estrangeira, contra a guerra tarifária e pelo controle das big techs. Contra a agressão ao Irã que leva a gasolina às alturas; contra o cerco à Cuba e Venezuela. Isso vai pautar a eleição brasileira.
Derrotar a extrema direita reforçando a conferência antifascista que terá lugar dentro de duas semanas em Porto Alegre.
Derrotar a extrema direita que alimenta os redpill e a violência contra as mulheres; que está diretamente ligada a Vorcaro, Ibanez e a farra do Master; Flávio cresce nas pesquisas e Tarcisio amplia sua guerra social em São Paulo. Não há outra saída senão mobilizar com toda a força as camadas populares para impor uma derrota, eleitoral e política, aos inimigos de classe, aos bilionários, ao rentismo, ao agro e ao fisiologismo que domina o congresso nacional.
A eleição de outubro, ao contrário do que afirmam os articulistas da tática da frente ampla, será a quente, com o bolsonarismo reorganizado e possíveis interferências imperialistas. O caminho da mobilização é a saída. O exemplo da vitória indígena na Cargill e a disposição majoritária de enfrentar a escala 6×1 indicam que há espaço.
Uma vez mais, o PSOL necessário
Por essas razões, a independência do PSOL é uma conquista a ser defendida.
É uma grande oportunidade de postular o PSOL como o Partido que apoia as lutas, que se inspira no exemplos dos indígenas de Santarém (onde algumas de suas lideranças, como Auricélia Arapium são militantes do PSOL), que se joga para apoiar a greve dos servidores da universidade e está na primeira fileira para enterrar a escala 6×1.
Boulos sai menor e derrotado de sua tentativa de atrelar o PSOL de forma acrítica ao lulismo.
Os diferentes setores que sustentaram essa decisão têm a responsabilidade de construir o “dia seguinte”, com a ampliação das chapas para disputar as eleições, apostando na superação da cláusula de barreira e no engajamento de dezenas de milhares de ativistas que acompanham as lutas e encaram no PSOL uma ferramenta para ecoar seu programa.