Vereadora propõe lavanderias públicas para aliviar trabalho doméstico das mulheres
Professora ânela

Vereadora propõe lavanderias públicas para aliviar trabalho doméstico das mulheres

Projeto de Professora Angela (PSOL) em Curitiba busca enfrentar desigualdades de gênero e a “pobreza de tempo” que atinge sobretudo mulheres das periferias

Redação da Revista Movimento 9 mar 2026, 09:52

Foto: Arquivo/CMC

A Câmara Municipal de Curitiba analisa um projeto de lei que propõe a criação da Política de Lavanderias Públicas Coletivas, iniciativa apresentada pela vereadora Professora Angela (PSOL). A proposta pretende reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico não remunerado e ampliar o acesso de mulheres de baixa renda a serviços públicos de higiene e saneamento.

Segundo a parlamentar, a criação de lavanderias públicas gratuitas pode representar um avanço concreto no enfrentamento das desigualdades de gênero e de classe, ao reconhecer que a divisão desigual das tarefas domésticas ainda pesa majoritariamente sobre as mulheres — especialmente nas periferias.

De acordo com o projeto, a política pública busca incentivar a socialização de tarefas tradicionalmente concentradas dentro dos lares, além de promover autonomia e bem-estar para famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Na justificativa da proposta, a vereadora destaca que muitas casas em regiões periféricas não possuem máquina de lavar automática, o que obriga mulheres a passar horas lavando roupas manualmente. Essa realidade, além de provocar desgaste físico e problemas de saúde, limita o acesso a estudo, trabalho e qualificação profissional.

O projeto também aborda o conceito de “pobreza de tempo”, utilizado na sociologia para descrever a situação em que o excesso de responsabilidades domésticas reduz drasticamente o tempo disponível para outras atividades essenciais da vida social.

Estudos citados no texto indicam que as mulheres dedicam, em média, o dobro do tempo dos homens às tarefas domésticas. Nesse contexto, a implantação de lavanderias coletivas poderia redistribuir parte dessa carga de trabalho, permitindo que o tempo gasto na lavagem manual de roupas seja direcionado para formação, trabalho remunerado ou descanso.

A proposta prevê que as unidades sejam instaladas, preferencialmente, próximas a terminais de transporte público e a equipamentos de assistência social, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS).

O público prioritário da política seriam mulheres e famílias identificadas pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). A ideia é transformar a lavagem de roupas em um serviço público compartilhado, fortalecendo a autonomia das mulheres e ampliando suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho e na educação.

Segundo estimativa apresentada pela autora, cada unidade teria custo inicial de cerca de R$ 120 mil, valor destinado à compra de máquinas industriais e adaptação de espaços públicos. A manutenção mensal seria de aproximadamente R$ 6,5 mil, incluindo despesas com água, energia elétrica e insumos.

O serviço seria gratuito e poderia contar com parcerias com micro e pequenas empresas para fornecimento de materiais e manutenção dos equipamentos.

Caso seja aprovado pelos vereadores da Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito, o projeto prevê que a nova política pública entre em vigor 180 dias após a publicação da lei. Para a vereadora Professora Angela, a proposta representa um passo importante para reconhecer que o cuidado e o trabalho doméstico também devem ser tratados como uma questão de política pública e justiça social.


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