Indígenas ocupam Brasília em defesa de seus territórios
Acampamento Terra Livre

Indígenas ocupam Brasília em defesa de seus territórios

Acampamento Terra Livre reúne milhares na capital para cobrar demarcação de terras, políticas públicas e enfrentar ameaças como o marco temporal

Redação da Revista Movimento 7 abr 2026, 07:00

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Indígenas de todo o país começaram a chegar a Brasília no domingo (5) para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), maior mobilização do movimento indígena no Brasil. Realizado no Eixo Cultural Ibero-Americano, o encontro deve reunir entre 7 mil e 8 mil participantes ao longo da semana, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), organizadora do evento.

De acordo com a Agência Brasil, o ATL reúne representantes de grande parte dos 391 povos originários do país e tem como eixo central a luta pela demarcação de terras — uma demanda histórica que segue sem solução. “Como todos os anos, estamos aguardando o governo federal anunciar a criação de novas terras indígenas”, afirmou o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá.

Apesar de avanços recentes – com a homologação de 20 territórios entre 2023 e 2025, somando cerca de 2,5 milhões de hectares, segundo a Funai – o movimento denuncia um passivo de cerca de 110 áreas ainda em processo de reconhecimento. 

“Temos um passivo de demarcação muito alto e um cenário de muita violência e vulnerabilidade nas terras indígenas que governo algum conseguiu superar”, destacou Tuxá.

A dificuldade de acesso à terra se soma a outros problemas estruturais enfrentados pelos povos originários, como a precariedade nos serviços de saúde e educação, além do avanço de projetos que ameaçam seus direitos. Entre eles, estão propostas que liberam a mineração em terras indígenas e a tese do marco temporal, criticada pelo movimento por restringir o direito territorial às áreas ocupadas em 1988. Uma das principais marchas do ATL, marcada para esta terça-feira (7), será justamente contra essas iniciativas.

O encontro também marca o início do chamado Abril Indígena, período de mobilização nacional que amplia o debate para temas como crise climática, democracia e participação política. 

“Estamos promovendo um amplo debate sobre diversos temas, como educação, saúde […] várias políticas públicas”, afirmou Tuxá.

A presença em Brasília, muitas vezes após longas viagens, evidencia o esforço coletivo dos povos indígenas para fazer suas vozes serem ouvidas. A maranhense Cotinha de Sousa Guajajara, que percorreu cerca de 1,4 mil quilômetros até a capital, resume uma das principais reivindicações:

“Nossa expectativa é que áreas sejam demarcadas, homologadas ou ampliadas”.

Mais do que um ato político, o ATL se consolida como espaço de articulação e resistência. “O acampamento trouxe uma nova forma de nos organizarmos […] tentando construir soluções para nossos problemas e proteger nossas culturas”, afirmou o comunicador indígena Oziel Ticuna. “Estaremos aqui para lutar pelo nosso povo.”

*Com informações da Agência Brasil


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