Pagamentos expõem ‘rede de poder’ do Banco Master
Daniel Vorcaro

Pagamentos expõem ‘rede de poder’ do Banco Master

Repasses a políticos, ex-ministros e empresas ligadas ao poder, revelados pela Receita Federal, indicam tentativa de compra de influência

Redação da Revista Movimento 9 abr 2026, 10:01

Foto: Divulgação

A revelação de repasses milionários do Banco Master a políticos, ex-ministros, dirigentes partidários e empresas ligadas a figuras centrais da República escancara um esquema de influência que, segundo investigadores, pode se firmar como o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Documentos da Receita Federal, do Coaf e apurações da Polícia Federal apontam para uma engrenagem que articula interesses privados com os mais altos níveis do poder público.

Os dados mostram que, entre 2022 e 2025, o banco controlado por Daniel Vorcaro distribuiu dezenas de milhões de reais a nomes influentes de diferentes espectros políticos. Entre os beneficiários estão o ex-presidente Michel Temer, os ex-ministros Guido Mantega, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski, além de lideranças partidárias como Antônio Rueda e ACM Neto.

Somente Meirelles recebeu R$ 18,5 milhões em consultorias, enquanto a empresa de Mantega recebeu R$ 14 milhões. O escritório de Temer foi pago em ao menos R$ 10 milhões, em um período em que o ex-presidente atuava como mediador em negociações cruciais para a sobrevivência do banco – especialmente a tentativa de venda ao BRB, barrada pelo Banco Central.

Embora os envolvidos aleguem legalidade nas contratações, a escalada dos pagamentos – que saltaram de R$ 1,5 milhão em 2023 para R$ 41,7 milhões em 2025 – levanta suspeitas sobre o real objetivo dessas relações. Para investigadores, trata-se de uma estratégia deliberada de construção de proteção política. O próprio Vorcaro, segundo mensagens analisadas, teria afirmado que não era possível “andar sem proteção política” no país.

Tentáculos que atravessam os três Poderes

O alcance do esquema vai além do Executivo e do Legislativo. Escritórios ligados a familiares de magistrados também aparecem na lista, como o de parentes do ministro do STF Alexandre de Moraes, que recebeu cerca de R$ 80 milhões. Já o escritório vinculado à família de Lewandowski recebeu ao menos R$ 6,1 milhões.

Além disso, há conexões com o sistema político em diversas frentes. A empresa de Marconi Perillo recebeu R$ 14,5 milhões, enquanto negócios ligados à família do governador do Paraná, Ratinho Junior, somaram mais de R$ 20 milhões. Os dados também apontam pagamentos a figuras próximas ao governo federal, como a empresa ligada à nora do senador Jaques Wagner, além de repasses diretos ao próprio parlamentar.

Para a Polícia Federal, o padrão dos pagamentos – distribuídos a atores estratégicos em diferentes esferas – sugere a formação de uma rede de influência com potencial para interferir em decisões políticas, regulatórias e judiciais.

Relações suspeitas e indícios de fraude

A investigação também identifica movimentações consideradas atípicas pelo Coaf. Um dos casos envolve o site Metrópoles, ligado ao ex-senador Luiz Estevão, que recebeu R$ 27,2 milhões do banco. Segundo o relatório, houve “débito imediato” dos valores para outras empresas da família, o que “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.

Os pagamentos foram classificados como “inusitados” e incompatíveis com o faturamento do veículo, reforçando suspeitas de lavagem de dinheiro ou triangulação financeira.

Outro elemento que chama atenção é a origem de operações fraudulentas investigadas, como carteiras de crédito consignado consideradas irregulares, que teriam ligação com articulações políticas na Bahia – reduto de figuras citadas nos repasses.

Interesses por trás dos pagamentos

As evidências reunidas até agora indicam que os repasses podem ter servido a múltiplos objetivos: compra de influência política, facilitação de negócios, blindagem institucional e tentativa de evitar sanções regulatórias. A proximidade com autoridades – incluindo viagens em jatinhos, encontros frequentes e até disponibilização de aeronaves – reforça essa hipótese.

Em um dos episódios, Vorcaro compartilhou voo com lideranças políticas em meio à tentativa de salvar o banco, poucos dias antes de uma decisão crucial do Banco Central. Em outro, mensagens mostram articulações diretas com políticos para destravar negociações.

Preso pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema de fraude bilionária, Vorcaro negocia um acordo de delação premiada – o que pode ampliar ainda mais o alcance das investigações.

Embora não haja condenações até o momento e todos os citados neguem irregularidades, especialistas avaliam que o caso reúne elementos de um escândalo sistêmico: volume elevado de recursos, capilaridade política e indícios de uso do sistema financeiro para fins ilícitos.

Se confirmadas as suspeitas, o caso do Banco Master pode não apenas expor um esquema de corrupção de grandes proporções, mas também revelar como setores do poder foram atravessados por interesses privados – colocando em xeque a integridade das instituições e aprofundando a crise de confiança na República.


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