Trump ameaça ‘aniquilar’ Irã e eleva risco de catástrofe global
Retórica extrema do presidente dos EUA coloca o Oriente Médio em alerta máximo, enquanto Irã promete retaliação e crise já impacta economia mundial
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A mais recente ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a tensão internacional a um novo patamar. Em declaração nas redes sociais, o republicano afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, ao se referir a possíveis novos ataques contra o Irã – uma escalada verbal que, mesmo vinda de um líder conhecido por promessas grandiosas e muitas vezes não cumpridas, coloca o Oriente Médio e o mundo em estado de alerta.
Nos últimos dias, Trump intensificou o tom, prometendo destruir infraestrutura estratégica iraniana em poucas horas e afirmando que poderia eliminar o país “em uma noite”. Ao mesmo tempo, alterna ameaças com acenos a negociações, mantendo uma postura errática que aumenta a incerteza global. “Muito pouca coisa está fora dos limites”, disse, ao comentar a possibilidade de novos bombardeios.
O conflito atual teve início em 28 de fevereiro, quando forças dos EUA e de Israel passaram a atacar alvos iranianos, em meio a tensões acumuladas envolvendo o programa nuclear do país e disputas geopolíticas na região. Desde então, a escalada militar tem sido marcada por operações de alta intensidade e pela disputa em torno do controle do Estreito de Ormuz – rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, segundo dados da Agência Internacional de Energia.
A reação do governo iraniano tem sido de resistência e ameaça de retaliação. Autoridades do país rejeitaram um cessar-fogo temporário e exigem o “fim permanente da guerra”. Em resposta às ameaças, a Guarda Revolucionária afirmou estar pronta para ampliar os ataques, inclusive contra alvos civis, caso suas instalações sejam atingidas.
“Temos surpresas que superam os piores pesadelos de nossos adversários”, declarou o porta-voz das Forças Armadas, Ibrahim Zulfiqari.
Internamente, o governo iraniano mobiliza a população para defender infraestruturas estratégicas. Em um apelo público, lideranças convocaram jovens a formar correntes humanas ao redor de usinas de energia:
“Reúnam-se para dizer ao mundo que atacar a infraestrutura pública é um crime de guerra”.
Apesar da retórica belicista, Trump já recuou ou flexibilizou prazos em outras ocasiões recentes, o que alimenta a percepção de que parte de suas declarações funciona como instrumento de pressão política. Ainda assim, o grau de violência sugerido nas falas atuais – incluindo menções à destruição total do país – amplia o risco de uma escalada fora de controle.
Economia abalada
Os impactos econômicos já começam a ser sentidos. A ameaça ao Estreito de Ormuz tem pressionado os preços do petróleo, que registram forte alta nos mercados internacionais. Segundo análises da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, conflitos na região tendem a gerar inflação global e desaceleração econômica, com efeitos diretos sobre países dependentes de energia importada.
Além disso, o risco de interrupção no fluxo de petróleo pode desencadear uma crise semelhante aos choques energéticos do passado, elevando custos de transporte, alimentos e produção industrial em escala global. Para economias mais vulneráveis, o cenário pode significar aumento da desigualdade e aprofundamento da crise social.
Para setores críticos da política internacional, a postura de Trump expressa uma lógica de imposição pela força, típica do imperialismo contemporâneo. No Brasil, a deputada estadual Luciana Genro classificou a declaração como “criminosa” e afirmou que ela revela “a expressão do fascismo e da extrema direita que não respeita a soberania dos povos”.
Enquanto negociações seguem incertas e ameaças se acumulam, o mundo acompanha com apreensão os próximos passos. Entre blefes, pressões e demonstrações de força, a retórica incendiária da Casa Branca mantém o planeta à beira de uma crise de proporções imprevisíveis.