Sâmia Bomfim defende punição exemplar a Bolsonaro e golpistas em discurso na Câmara
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Sâmia Bomfim defende punição exemplar a Bolsonaro e golpistas em discurso na Câmara

Deputada destaca indiciamento do ex-presidente pela PGR, envolvimento do agronegócio e necessidade de justiça histórica para crimes contra a democracia

Mandato Sâmia Bomfim 27 fev 2025, 08:54

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) fez um discurso contundente no plenário da Câmara, um dia após o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado. Em sua fala, Sâmia celebrou o avanço das investigações, apontou o envolvimento do agronegócio no financiamento das ações golpistas e defendeu punições exemplares para todos os responsáveis. “Agora, não é mais ‘sem anistia’, porque não estamos na defensiva; agora é prisão para Bolsonaro! Ele tem que ser preso, exemplarmente, junto com Braga Netto, que tem que apodrecer naquele lugar”, afirmou.

A fala da deputada ocorreu na última quarta (19) durante o Grande Expediente, momento da sessão plenária em que dois parlamentares são sorteados para subir à tribuna e discursar por até 15 minutos. Sâmia destacou a importância do momento histórico, comparando a atual responsabilização dos golpistas com a impunidade que marcou o fim da ditadura militar no Brasil. “Infelizmente, não foi possível, com o seu término, que uma justiça de transição desse a devida punição para os torturadores, para os golpistas, para aqueles que foram cúmplices, foram responsáveis por prisões, assassinatos e tortura. Isso colocou um sinal de igualdade entre os torturados e os torturadores”, criticou.

O agro é golpe

Entre os pontos mais fortes do discurso, Sâmia expôs o papel do agronegócio no financiamento da tentativa de golpe e dos atos de 8 de janeiro de 2023. “Sabem quem estava financiando o plano de assassinato do presidente da República, do vice-presidente e do ministro Alexandre de Moraes? Sabem quem estava financiando os acampamentos golpistas nos QGs, nas portas dos quarteis, e que depois desaguaram aqui no 8 de janeiro? O agronegócio”, denunciou, com base no teor da delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, que teve o sigilo quebrado por Moraes.

Ela relembrou a hipocrisia do setor que atacou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a CPI em 2023 – da qual Sâmia foi membra titular do PSOL – ao mesmo tempo em que financiavam ações antidemocráticas: “O ‘agrogolpismo’ é que é responsável pela destruição do país”.

Além do financiamento empresarial, a parlamentar ressaltou a estruturação da milícia digital bolsonarista desde 2019, com ataques sistemáticos ao sistema eleitoral. “A tese de que as urnas não seriam confiáveis é orquestrada desde 2019. A milícia digital, que foi fartamente financiada, tinha inclusive envolvimento direto dos filhos do Sr. Jair Bolsonaro. Esse discurso garantiu, no estado de São Paulo, a cassação e a inelegibilidade da deputada Carla Zambelli, uma das principais disseminadoras dessas fake news”, lembrou.

Sâmia também ironizou a base da extrema direita que tenta minimizar a tentativa de golpe. “É risível ver um deputado dizer: ‘Ora, como é que ia ter golpe, se não havia uma arma, se não havia um estilingue?’ Meus senhores, não era estilingue que havia, não, era o comandante da Marinha, era o General Garnier quem estava à frente. Não era um estilingue. Havia dois generais do Exército: Braga Netto e Augusto Heleno. E havia os kids pretos. E vão dizer que não havia arma?”.

Ainda estamos aqui

No fim do discurso, Sâmia Bomfim também destacou a necessidade de justiça histórica para os crimes cometidos durante a ditadura militar, mencionando a ocultação do corpo do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971. O julgamento sobre o tema está em andamento no STF. “Ou os generais não sabem o que aconteceu com ele? Onde ele foi enterrado? Sabem, sim, e precisam pagar por isso”, afirmou. Para a deputada, a impunidade dos responsáveis pela ditadura abriu caminho para novas ameaças à democracia brasileira.

“Estamos falando de um projeto violento, totalitário, xenofóbico, que odeia mulheres, que odeia a população negra, que odeia a população LGBTQIA+ e que, no último período, nos anos em que esteve no governo, escolheu-nos como alvo. […] O que será que eles iriam fazer depois que dessem o golpe? Qual é a dúvida? Botar na cadeia, botar para fora do país, perseguir, matar e torturar! A pessoa que vai ao microfone saudar o Brilhante Ustra é o quê? Alguém gostaria de fazer muito pior“, diz Sâmia

Jair em cana

O discurso de Sâmia ocorreu um dia após a PGR denunciar Jair Bolsonaro e outros 33 aliados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Entre os indiciados estão ex-ministros e oficiais militares, como Walter Braga Netto e Augusto Heleno, além de empresários ligados ao financiamento das ações golpistas.

A denúncia detalha que o grupo articulava um golpe promovendo desinformação sobre o sistema eleitoral, mobilizando apoiadores nas redes sociais e organizando atos violentos, como os ataques de 8 de janeiro de 2023. Documentos apreendidos mostram que Bolsonaro e seus aliados também planejavam assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Com o caso agora no Supremo, o julgamento de Bolsonaro e seus aliados deve ocorrer ainda este ano. Caso condenados, os envolvidos poderão enfrentar penas que ultrapassam 30 anos de prisão. Para Sâmia, essa responsabilização é crucial para garantir que crimes contra a democracia não fiquem impunes. “O dia do Bolsonaro e dessa tropa golpista está chegando!”.

Assista ao discurso de Sâmia na íntegra:


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