O antitrumpismo como fenômeno de massas
Só poderemos derrotar Trump com mobilização, articulação internacional e confiando na força da classe trabalhadora e dos povos
Dentro da ofensiva que faz Trump contra os povos, irrompe uma forte indignação generalizada contra a postura despótica do presidente americano.
No começo do ano, o debate dos países, e no Brasil não é diferente, envolve diretamente a preocupação com os rumos do planeta; a ação de Trump gera preocupação, polariza os países, por um lado alentando e organizando a extrema direita; por outro colocando tarefas de coordenação para os que enfrentam o neofascismo.
Diante da ofensiva
Após o sequestro criminoso de Maduro e Cilia Flores, Trump se quer tomar o petróleo venezuelano, consolidar o genocídio em Gaza, normalizando um “Conselho mundial da Paz”, e agora ataca a Europa para tomar a todo custo a Groenlândia.
A crise dentro dos Estados Unidos aponta uma maior polarização, com uma luta encarniçada contra o ICE, tido como a Gestapo anti-imigrantes.
O fórum de Davos que anualmente congrega a elite econômica e política mundial foi palco dessa disputa, com a Europa, através de Macron contestando a ofensiva trumpista. Que por agora ameaça tomar rapidamente a Groenlândia, punindo com tarifas absurdas os países que estiverem contra, falando inclusive a 200% contra os vinhos e outros produtos franceses.
Está se gestando a maior crise entre blocos e países desde a Segunda Guerra. O premiê do Canadá classificou como o “fim da ordem internacional”. Isso é muito importante, porque conflita setores fundamentais da burguesia internacional, abrindo brechas para fortalecer a resistência aos planos neofascistas.
As manifestações que ocorreram na Dinamarca e na Groenlândia foram massivas. Trump “recuou” da taxação em Davos, mas manteve seu discurso voraz.
Pode estar se abrindo um importante ponto de inflexão, não só diante da ofensiva de Trump, mas diante do fato do crescimento exponencial da corrente da extrema direita no movimento de massas, como ocorre em muitos países (em Portugal, Ventura acaba de passar ao segundo turno). A experiência com o trumpismo está se ampliando. Nosso dever é conectar os pontos e acompanhar o que ocorre no solo estadunidense.
No coração do Gigante
Apenas a combinação da luta internacional dos povos com uma derrota de Trump no seu próprio terreno poderá parar seu projeto de conjunto. Nesse sentido, acompanhar e apoiar o processo estadunidense é decisivo.
O epicentro da luta envolve o ICE- uma verdadeira milicia trumpista que persegue os imigrantes- e a resposta do movimento de massas, que deu um salto após o assassinato de Renee Nicole Good. As respostas articulam movimento sindical, comunitário e mesmo de lideranças religiosas que fazem um verdadeiro cordão de solidariedade aos imigrantes, além de popularizar a palavra de ordem: “Abolir o ICE”.
Trump enfrenta instabilidade em seu próprio país. A crise ao redor da independência do Banco Central, algumas fissuras na bancada republicana e a queda da popularidade do presidente são sintomas que podem se agravar. Trump declarou que uma eventual derrota nas eleições de “meio período” poderia abrir caminho para seu impeachment.
Nessa sexta-feira, dia 23, está agendada uma greve política para Minneapolis, contra o ICE, que pode ter repercussões em todo território dos Estados Unidos. É um processo que recém inicia, mas que tem força ligada às greves como as dos enfermeiros de Nova York e as expectativas com a posse de Mamdani, agora prefeito, se referenciando como alternativa opositora a Trump.
Uma conferência que abre caminhos
A convocatória da Conferência de Porto Alegre ganha novos significados nesse quadro. A difusão do manifesto que apela à coordenação de esforços antifascistas- firmado por figuras como Annie Ernaux, Mireille Fannon, Melenchon, Nancy Fraser, João Pedro Stedile, Daniel Jadue, Eric Toussaint, Zarah Sultana, entre 230 personalidades mundiais- foi um sucesso mundial.
Crescem no Brasil as confirmações com a entrada oficial de sindicatos e federações de peso como o Andes e a CNTE, mostrando que a atividade em Porto Alegre, no final de março, pode se converter num ponto de apoio à luta internacional, anti Trump, em primeiro lugar. Vamos ter presenças marcantes como a dos ativistas dos Estados Unidos, e delegações que se organizam para ir a Porto Alegre, como Argentina, além de convidados de mais de 35 países.
Só poderemos derrotar Trump com mobilização, articulação internacional e confiando na força da classe trabalhadora e dos povos.