Trump, Europa e a internacional neofascista: do apoio ideológico à coordenação política
A administração Trump articula a extrema direita internacional e declara explicitamente quais são seus aliados na Europa
Foto: BP/Reprodução
Via CADTM
O documento de Estratégia de Segurança Nacional publicado em dezembro de 2025 (NSS 2025) constitui, a este respeito, um texto fundamental. Sob o pretexto de defender a “civilização ocidental” e a “identidade europeia”, a administração Trump designa explicitamente seus verdadeiros “aliados” na Europa: não os Estados membros da UE nem suas instituições, mas as forças políticas nacionalistas, autoritárias e reacionárias que Washington agrupa sob a denominação de “partidos europeus patrióticos”. Essa orientação é acompanhada por uma retórica conspiratória, racista e demográfica – retomada da teoria da “grande substituição” e da “guerra civilizacional” – e por um apoio político direto, assumido e, por vezes, espetacular a essas forças.
Este artigo analisa essa mudança estratégica, seus fundamentos ideológicos e suas implicações concretas. Ele mostra como Trump e seu entorno são favoráveis à ascensão eleitoral da extrema direita na Europa para tentar recompor a ordem política europeia, enfraquecer a União Europeia e promover um bloco internacional neofascista articulado em torno do trumpismo e dos interesses das grandes empresas privadas americanas. Éric Toussaint mostra até que ponto a extrema direita europeia expressa, até agora, sua simpatia e apoio ao trumpismo, ao mesmo tempo em que procura copiá-lo. Através da análise do NSS 2025, do caso alemão, da progressão institucional da extrema direita na UE e das redes transnacionais como a CPAC e o Foro Madrid, Éric Toussaint destaca a coerência e a periculosidade dessa ofensiva política global.
Do primeiro mandato de Trump em 2017 ao de 2025, uma mudança importante em relação à Europa
Em 2017, no documento de estratégia de segurança nacional, D. Trump mostrou-se positivo em relação à Europa:
Os Estados Unidos continuam firmemente comprometidos com seus aliados e parceiros europeus. A aliança da OTAN, que reúne Estados livres e soberanos, é uma de nossas grandes vantagens sobre nossos concorrentes, e os Estados Unidos continuam comprometidos com o artigo V do Tratado de Washington. Nossos aliados e parceiros europeus reforçam nosso alcance estratégico e nos dão acesso a bases avançadas e direitos de sobrevoo para nossas operações globais. Juntos, enfrentamos ameaças comuns. As nações europeias fornecem milhares de soldados para ajudar a combater os terroristas jihadistas no Afeganistão, estabilizar o Iraque e lutar contra as organizações terroristas na África e no Oriente Médio. NSS 2017, p. 481
Na parte sobre a Europa, não havia nenhuma crítica aos governos europeus e à Comissão Europeia. O contraste entre 2017 e 2025 é enorme. No documento de estratégia de segurança nacional publicado no início de dezembro de 2025 (NSS 2025), Trump deu uma guinada bastante explícita.
Trump interfere explicitamente nos assuntos internos europeus e apoia sem reservas os partidos e governos de extrema direita. Ele critica duramente a Comissão Europeia, que vai contra a soberania dos Estados. Diante dos ataques de Trump, a Comissão Europeia adotou uma atitude de vassalo dócil:
• Sobre as tarifas alfandegárias impostas por Trump
• Sob a forma de promessa de aumento das importações de gás liquefeito e outras energias fósseis fornecidas pelos Estados Unidos
• Ao aceitar aumentar fortemente as despesas militares e as compras de armas americanas
• Em cumplicidade com o governo neofascista de Netanyahu e o Estado de Israel, apoiado incondicionalmente por Trump na prossecução do genocídio contra o povo palestino.
As pretensões de Trump em relação à Groenlândia confirmam a grande mudança na sua posição em relação aos países da UE. A atitude submissa dos líderes europeus em relação a uma série de questões encorajou Trump a aumentar suas exigências. Os líderes europeus estão em posição defensiva, mesmo que, em termos retó-ricos, demonstrem resistência em relação à Groenlândia e a alguns outros assuntos.
A vontade de tomar posse da Groenlândia e de suas riquezas naturais está claramente em linha com a orientação da NSS 2025 em relação ao hemisfério ocidental (que para Trump se estende do Canadá e da Groenlândia até a Patagônia, no sul), sobre o qual Trump afirma sem qualquer constrangimento sua determinação de exercer domínio total. Isso é coerente com a agressão militar contra a Venezuela e a decisão de Trump de assumir o controle total do petróleo do país, bem como com as ameaças relativas ao Canal do Panamá, ao Canadá e a Cuba.
Voltemos ao documento de segurança nacional, que não mencionava explicitamente a vontade de Trump de anexar ou comprar a Groenlândia.
Sobre a Europa, o documento NSS 2025 de Trump declara:
Queremos apoiar nossos aliados na preservação da liberdade e da segurança da Europa, ao mesmo tempo em que restauramos a confiança civilizacional da Europa e sua identidade ocidental. NSS 2025, p. 52
Não se deve interpretar mal o que a administração Trump quer dizer quando afirma que é necessário apoiar “nossos aliados”. Os “aliados” de que fala não são os países da Europa em geral. Os “aliados” são os partidos de extrema direita ou neofascistas europeus, que Trump chama de “partidos patrióticos europeus”. De acordo com o documento oficial da administração de Donald Trump, esses “partidos europeus patrióticos” são reprimidos pelas autoridades europeias e pelos governos frequentemente minoritários dos países europeus (eles certamente estão se referindo aos governos da França e da Espanha, para citar apenas dois exemplos).
O apoio de Washington aos partidos de extrema direita e neofascistas na Europa fica claro na seguinte frase:
“Os Estados Unidos encorajam seus aliados políticos na Europa a promover essa renovação, e a influência crescente dos partidos patrió-ticos europeus é, de fato, motivo de grande otimismo.”3
Acrescentemos que Trump, como já mostramos anteriormente, apoia de fato a teoria conspiratória e racista da grande substituição, alegando que parte dos países da Europa não serão mais europeus no futuro devido aos fluxos migratórios. Nos Estados Unidos, é a teoria do “genocídio branco”.4 Steve Bannon, que foi um dos principais arquitetos ideológicos do trumpismo, em particular na sua dimensão nacionalista, autoritária e de extrema direita, invoca a “guerra civilizacional”, a “destruição do Ocidente”, a “imigração em massa como arma política” e denuncia as “elites globalistas que traem os povos”. Todos esses elementos se encontram no documento de Trump quando ele se refere à Europa e afirma que o declínio econômico da Europa:5
é ofuscado pela perspectiva real e mais sombria de um desaparecimento civilizacional. Entre os grandes desafios que a Europa enfrenta, podemos citar as atividades da União Europeia e de outras instâncias transnacionais que prejudicam a liberdade política (Trump e sua administração referem-se às políticas que restringem a ação dos partidos de extrema direita e sua propaganda racista ou anti-imigrante, nota de Éric Toussaint) e à soberania, as políticas migratórias que transformam o continente e geram conflitos, a censura da liberdade de expressão e a repressão da oposição política, o colapso da taxa de natalidade, bem como a perda das identidades nacionais e da autoconfiança. NSS 2025 , p. 256
A teoria conspiratória da grande substituição também aparece de forma transparente nesta frase:
A longo prazo, é mais do que plausível que, dentro de algumas décadas, no máximo, alguns membros da OTAN se tornem majoritariamente não europeus.7
Alemanha: um exemplo evidente do apoio de Trump e de sua administração à extrema direita neofascista
No final de 2024 e início de 2025, Elon Musk expressou pública e explicitamente o seu apoio ao AfD
Durante a campanha eleitoral alemã no início de 2025, Donald Trump apoiou diretamente o partido neofascista AfD (Alternative für Deutschland, Alternativa para a Alemanha) por meio de seu as-sessor Elon Musk e seu vice-presidente J. D. Vance. Tratava-se das eleições federais antecipadas (Bundestagswahl) na Alemanha, cuja votação ocorreu no domingo, 23 de fevereiro de 2025. A interferência e o apoio dessas figuras americanas se manifestaram principalmente da seguinte forma: no final de 2024 e início de 2025, Elon Musk expressou pública e explicitamente seu apoio ao AfD em sua rede social X (antigo Twitter), atacando o chanceler social-democrata Olaf Scholz e declarando que “somente o AfD pode sal-var a Alemanha”. Ele também organizou um diálogo ao vivo com a líder da AfD, Alice Weidel, em janeiro de 2025. Além disso, em mea-dos de fevereiro de 2025, J. D. Vance interveio na Conferência de Munique sobre Segurança (realizada de 14 a 16 de fevereiro de 2025), exortando os partidos tradicionais alemães a pôr fim ao “cordão sanitário” (a barreira de proteção) contra a AfD. Isso foi amplamente percebido pelo governo alemão como uma interferência direta na campanha eleitoral em curso.
A simpatia demonstrada pela AfD em relação ao nazismo é tal, que o Reagrupamento Nacional decidiu expulsar a AfD do grupo Identidade e Democracia no Parlamento Europeu
Lembremos também que, em 20 de janeiro de 2025, em plena campanha eleitoral na Alemanha, durante a posse de Donald Trump, Elon Musk, do palco onde se encontrava para proferir um discurso, fez um gesto em que bateu no coração antes de estender o braço direito, com a palma para baixo e os dedos fechados, um movimento que foi amplamente interpretado por muitos observadores, histori-adores e meios de comunicação como semelhante à saudação nazis-ta ou à saudação fascista romana. Muitos viram nisso uma mensagem codificada de Musk, como conselheiro de Trump, às comunida-des de extrema direita, dado o apoio de Musk à AfD na Alemanha.
A orientação neofascista da AfD é clara: ela milita abertamente pela expulsão em massa dos migrantes presentes na Alemanha. A sim-patia demonstrada pelo nazismo é tanta na AfD que o Rassemble-ment National de Marine Le Pen decidiu expulsar a AfD do grupo Identidade e Democracia, que ela liderou no Parlamento Europeu entre 2019 e 2024.
A ascensão da extrema direita na Europa e sua participação no poder
Os partidos de extrema direita e/ou neofascistas estão a registar um grande progresso no Parlamento Europeu, nas instâncias europeias e nos governos de uma parte significativa dos países membros da UE
É importante lembrar que a extrema direita registou um forte avanço eleitoral na Europa nos últimos 15 anos. Com raras exce-ções, todos os partidos de extrema direita ou neofascistas na Europa expressam a sua simpatia pelas posições de Trump. Um número significativo dos seus líderes quer associar-se a Trump e adota o seu estilo de comunicação.
A extrema direita está no governo em vários países: Itália, Hungria, Bélgica (o primeiro-ministro é do NVA), Eslováquia, República Tcheca, Finlândia, Croácia, sem esquecer a Suécia (onde a extrema direita, sem fazer parte do governo minoritário, o apoia). A extrema direita conseguiu se tornar a primeira força política na Itália (Irmãos da Itália), na França (RN), na Hungria (Fidesz – União Cívica Húngara) e na Áustria (FPÖ). Na Flandres (Bélgica), o Vlaams Belang (neo-fascista) foi o partido que obteve mais votos nas eleições europeias de junho de 2024. Ele superou o partido flamengo de extrema direita NVA. Na Holanda, o PVV (Partij voor de Vrijheid – Partido da Liberdade) de Geert Wilders, que se tornou o primeiro partido8, recuou nas eleições de outubro de 2025. Tornou-se o segundo partido atrás do D66, que fez campanha contra o extremismo do PVV.
A presidência da Comissão Europeia (a conservadora alemã Ursula Von Der Leyen) chegou a um acordo com o grupo parlamentar de extrema direita liderado por Giorgia Meloni, da Itália, o que permitiu a esse grupo parlamentar de extrema direita obter um cargo de vice-presidente executivo da Comissão Europeia9 e três presidências de comissões.10 Isso é extremamente importante porque as três comissões que o grupo parlamentar europeu de Meloni obteve são agricultura, orçamento e petições. Consequentemente, as petições que surgem das populações europeias, as tentativas de obter um referendo, por exemplo, serão geridas por uma comissão presidida pela extrema direita.
No Parlamento Europeu, existem três grupos parlamentares de ex-trema direita: o ECR, o grupo em torno de Meloni no PE, que conta com 79 parlamentares11; o grupo dos Patriotas pela Europa, de Marine Le Pen e Victor Orban, que conta com 86 parlamentares12; e o grupo da Europa das Nações Soberanas, formado em torno da AfD da Alemanha, que conta com 27 parlamentares13. Se esses três gru-pos se unissem, a extrema direita ficaria em primeiro lugar no Par-lamento Europeu, com 192 parlamentares, ou seja, 5 eurodeputados a mais do que o grupo mais importante do parlamento, o grupo conservador, cada vez mais à direita, do Partido Popular Europeu, que conta com 18714. O grupo parlamentar dos partidos social-democratas e socialistas conta com 136 eurodeputados. O Grupo RENEW, que inclui, nomeadamente, o partido de Emmanuel Macron e o partido MR da extrema direita belga francófona de Georges-Louis Bouchez, conta apenas com 75 eurodeputados, pois perdeu 23 lugares em 2024 em relação às eleições de 2019, principalmente a favor da extrema direita. O grupo europeu dos Verdes conta com 53 eurodeputados, tendo perdido 17 assentos em 2024 em relação a 2019. Segue-se o grupo da esquerda no Parlamento Europeu, The Left, com 46 eurodeputados (um avanço em relação aos 37 eurodeputados eleitos em 2019).
Conclusão: os partidos de extrema direita e/ou neofascistas estão a progredir significativamente no Parlamento Europeu, nas instâncias europeias e nos governos de uma parte importante dos países membros da UE. Exceto na questão da Groenlândia, eles simpatizam fortemente com a orientação neofascista e imperialista de Donald Trump e de outros líderes neofascistas ou de extrema direita em outras partes do mundo, em particular o governo de Netanyahu em Israel, o governo de Javer Milei na Argentina, o novo presidente chileno José Antonio Kast e o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsona-ro.
Na lista a seguir, descreveremos as principais forças de extrema direita e/ou neofascistas europeias e sua afinidade com Trump.
1. Alternative für Deutschland (AfD) na Alemanha, que obteve 20,8 % dos votos nas eleições federais de 23 de fevereiro de 2025. É o segundo partido em termos de votos. O AfD multiplicou os contatos e visitas aos Estados Unidos. Como indicado acima, recebeu o apoio direto de Elon Musk quan-do ele era assessor de Trump e de J. D. Vance, vice-presidente dos EUA, durante a campanha eleitoral de janeiro-fevereiro de 2025.
No Parlamento Europeu, a AfD lidera um dos três grupos parlamentares de extrema direita. O grupo chama-se Europa das Nações Soberanas e conta com 27 eurodeputados (dos quais 15 são da AfD). Representantes e figuras da AfD, incluindo Christine Anderson (ex-deputada europeia) e outros membros da direção, foram convidados e participaram na Conferência de Ação Política Conservadora (Conservative Political Action Conference, ou CPAC) nos Estados Unidos com Trump, junto com uma parte importante da extrema direita europeia e latino-americana, nomeadamente nas edições de 2023 e 2024. No final desta lista, para não a sobrecarregar, voltaremos às estruturas e aos encontros internacionais da extrema direita neofascista.
Recentemente a Euronews deu a seguinte notícia: “O AfD da Bavária sugere a criação de uma unidade policial semelhante ao ICE estado-unidense para dar caça aos candidatos a asilo político e deportados, apesar das críticas que têm sido feitas ao ICE, às suas táticas brutais e aos incidentes mortais.” (Fonte: https://www.euronews.com/2026/01/26/bavarian-afd-proposes-ice-style-police-unit-for-deportations, 26-01-2026).
2. Reagrupamento Nacional (RN) na França. O RN tem 142 assentos na Assembleia Nacional desde as eleições legislativas de junho de 2024. O RN e seus aliados obtiveram 33 % no primeiro turno das eleições parlamentares de 2024. Jordan Bardella, provável futuro candidato à presidência da França em 2027, felicitou Trump após a publicação do NSS 2025 em dezembro de 2025. Ele distanciou-se de Trump em 20 de janeiro de 2026 no que diz respeito à Groenlândia. Veremos nas próximas semanas se esse distanciamento se confirma. Jordan Bardella preside os Patriotas pela Europa, o maior grupo de extrema direita e neofascistas no Parlamento Europeu, que conta com 86 eurodeputados, dos quais 30 são do RN.
3. Fidesz na Hungria. É o partido dominante, com ampla maioria no Parlamento (vitória em 2022, governa com su-permaioria). Viktor Orbán é um aliado ideológico de Trump nas políticas antimigração, na oposição aos direitos à diver-sidade, à igualdade e à inclusão, e nas críticas à UE. Houve encontros bilaterais recentes em 2025. Viktor Orbán é um dos fundadores dos “Patriotas pela Europa”, presididos por Jordan Bardella. O Fidesz conta com 11 eurodeputados. De notar que, até março de 2021, os eurodeputados do Fidesz faziam parte do grupo do Partido Popular Europeu, ape-sar das fortes tensões existentes desde 2019.
4. O Vox, na Espanha, oscila entre 10 % e 12 % dos votos. Tem 33 deputados no parlamento espanhol e 6 no parlamento europeu. O Vox expressou claramente sua admiração pelo estilo político de Trump e multiplica os encontros com en-viados de Trump na Europa e na América Latina. Em 2024, o Vox deixou o grupo ECR de Meloni e juntou-se ao grupo Patriotas pela Europa, presidido por Bardella, em sinal de radicalização para posições ainda mais neofascistas. Em ja-neiro de 2026, o Vox apoiou entusiasticamente a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. O Vox mantém até agora o silêncio sobre Trump e a Groenlândia.
5. Irmãos da Itália / Fratelli d’Italia (FdI) na Itália. É o partido majoritário na coalizão governamental (o FdI obteve 26 % dos votos nas eleições de 2022 e 29 % nas eleições europeias de 2024). Giorgia Meloni cultivou contatos públicos com Trump (visita a Mar-a-Lago, presença na posse da presidência em janeiro de 2025). O partido de Meloni lidera o grupo ECR no Parlamento Europeu, que conta com 79 eurodeputados, dos quais 24 são de seu partido.
6. A Lega (Liga), liderada por Matteo Salvini, faz parte do governo italiano presidido por Giorgia Meloni. Matteo Salvini é vice-presidente do Conselho de Ministros. A Lega faz parte do grupo Patriotas pela Europa, ao qual contribui com oito eurodeputados.
7. Law and Justice (PiS) na Polônia. É um grande partido governamental/ultraconservador/ultranacionalista/patriarcal. O PiS, hoje na oposição, mantém convergências com a retó-rica nacionalista e frequentemente elogiou certas posições da administração Trump sobre soberania e segurança. É o único entre todos os partidos desta lista a manifestar reticências em relação à política de Trump em relação à Rússia, que o PiS considera demasiado conciliadora. O PiS é o segundo maior partido do grupo ECR liderado por Meloni, com 20 eurodeputados.
8. O Partido da Liberdade (FPÖ) na Áustria obteve uma pontuação elevada em eleições recentes (o FPO atingiu 29 % em 2024). Os seus líderes têm felicitado publicamente Trump desde 2016 e adotam as mesmas posições em maté-ria de imigração. O FPÖ contribui com 6 eurodeputados pa-ra o grupo liderado por Bardella e Orban.
9. Vlaams Belang (Interesse Flamengo) na Bélgica (Flandres). Nas eleições europeias de junho de 2024, o VB neo-fascista ficou em primeiro lugar, logo à frente do partido de extrema direita N-VA, do primeiro-ministro Bart de Wever. O Vlaams Belang faz parte do Patriots for Europe, o grupo de Jordan Bardella e Viktor Orban. O Vlaams Belang tem elogiado regularmente Trump desde 2016 e mantém um discurso racista anti-imigração próximo dos temas MAGA. O Vlaams Belang contribui com três eurodeputados para o grupo liderado por Bardella e Orban.
10. A Nieuw-Vlaamse Alliantie (Nova Aliança Flamenga, N-VA) é membro do grupo ECR de G. Meloni no Parlamento Europeu. A N-VA é relativamente discreta no seu apoio a Trump, uma vez que lidera o governo do Reino da Bélgica, mas Theo Francken, um dos seus líderes mais proeminentes e ministro da Defesa, tem expressado de forma mais aberta e regular a sua simpatia e apoio a Donald Trump, desde a primeira administração de 2017-2021, e nas eleições de 2024 até hoje. Como ministro da Defesa, ele está totalmente alinhado com as exigências dos Estados Unidos, nomeada-mente em termos de aquisição de armamento de origem norte-americana, por exemplo, a compra de caças-bombardeiros F35. A N-VA contribui com três eurodeputa-dos para o grupo ECR liderado por Giorgia Meloni.
11. PVV (Partij voor de Vrijheid – Partido da Liberdade) na Holanda, liderado por Geert Wilders. Importantes sucessos eleitorais até 2023, participação no governo, depois regis-trou uma perda de votos em 2025 e não faz mais parte do governo.15 Geert Wilders se apresenta como o “Trump holandês”. O PVV contribui com 6 eurodeputados para o grupo liderado por Bardella e Orban. O PVV apoiou a agressão militar de Washington contra a Venezuela.
12. Democratas da Suécia (Sverigedemokraterna) na Suécia. Depois de ultrapassar a barreira dos 4 % em 2010, sua pontuação não parou de aumentar, atingindo 20,5 % dos votos nas eleições de 2022, tornando-se o segundo partido em termos eleitorais. O SD desempenha um papel importante na recomposição da direita sueca e, embora se mantenha fora do governo, assinou em 2022 um pacto com os três partidos de direita que o compõem. Os SD não estão no governo, mas são indispensáveis para a sobrevivência da coalizão governamental minoritária e exercem uma influência ideológica e política sem precedentes sobre a direção do país, especialmente em questões de imigração e repressão. Os SD adotam um discurso anti-imigração e soberanista próximo aos temas trumpistas. Os três eurodeputados do SD fazem parte do grupo ECR de Meloni no Parlamento Europeu.
13. Na República Tcheca, os três partidos que constituem, desde o final de 2025, o governo são próximos das posições de Trump. Trata-se do ANO (Ação dos Cidadãos Insatisfeitos, 34,5 % dos votos nas eleições de 2025), liderado pelo bilionário Andrej Babiš, que se tornou primeiro-ministro, do Liberdade e Democracia Direta (SPD – Svoboda a přímá demokracie, 7,8 % dos votos em 2025) e o partido AUTO (Motoristas por si mesmos – Motoristé Sobě em checo, 6,8 % em 2025). O ANO (7 eurodeputados) e o AUTO (2 eurodeputados) fazem parte do grupo parlamentar europeu Patriotas pela Europa, liderado por Jordan Bardella e Viktor Orban. O partido neofascista Liberdade e Democracia Direta apoia o grupo Europa das Nações Soberanas, liderado pela AfD da Alemanha, mas não tem eurodeputados.
14. Na Romênia, a Aliança para a União dos Romenos (AUR – Alianța pentru Unirea Românilor) se impôs como uma força significativa no Parlamento romeno após as eleições legislativas e presidenciais de 2025, nas quais seu candidato ficou em primeiro lugar no primeiro turno, antes de ser derrotado no segundo turno por um candidato pró-UE. O principal líder, frequentemente descrito como “pró-Trump” na Romênia, é George Simion. A mídia internacional, como o Guardian, o descreve como um admirador de Donald Trump que transpõe elementos do estilo ou do movimento MAGA para o contexto romeno. Simion é considerado um “aliado natural de Trump”. Os cinco eurodeputados da AUR fazem parte do grupo ECR de Meloni no Parlamento Europeu.
15. Chega em Portugal. O Chega registou um rápido crescimento desde a sua criação em 2019, passando de 1,3 % dos votos em 2019 para cerca de 22,6 % nas eleições legislativas antecipadas de 18 de maio de 2025, onde obteve 60 dos 230 assentos. Este resultado o torna a segunda força política no Parlamento português e a principal força da oposição, ultrapassando o Partido Socialista. Desde as eleições europeias de 2024, os dois eurodeputados do Chega ocupam assentos no Parlamento Europeu no grupo Patriotas pela Europa de J. Bardella e V. Orban. Na primeira volta das eleições presidenciais portuguesas de 18 de janeiro de 2026, André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, ficou em segundo lugar com cerca de 23,5 % dos votos, atrás do candidato socialista António José Seguro, que obteve 31 %.
Os grandes pontos de encontro dos trumpistas e da extrema direita neofascista europeia e latino-americana
Além do apoio ideológico e das declarações públicas, a extrema direita europeia está agora integrada em espaços transnacionais de coordenação política diretamente ligados ao trumpismo. O principal ponto de convergência é a Conservative Political Action Confe-rence (CPAC), grande encontro anual da extrema direita norte-americana, que se internacionalizou progressivamente. Desde o início da década de 2020, líderes e quadros da AfD, Vox, Rassemblement National, Fidesz, Fratelli d’Italia, Chega, Vlaams Belang e AUR romena participam regularmente, ao lado de Donald Trump, seus próximos (Steve Bannon, J. D. Vance, Mike Flynn) e líderes latino-americanos da extrema direita. A CPAC funciona como uma plataforma ideológica global, onde são difundidos e harmonizados os temas centrais do trumpismo: guerra civilizacional, rejeição do multilateralismo, hostilidade à UE, obsessão migratória, ataques aos direitos das mulheres e das minorias, ceticismo climático e criminalização da esquerda e dos movimentos sociais.
Essa internacionalização se reforçou ainda mais com a participação ativa de Javier Milei, presidente da Argentina, de Jair Bolsonaro e suas redes, bem como de José Antonio Kast, líder da extrema direita chilena, recentemente eleito presidente do Chile. Essas figuras latino-americanas são sistematicamente apresentadas por Trump como modelos de “resistência ao socialismo” e restauração da ordem autoritária. Os encontros da CPAC organizados fora dos Estados Unidos (Brasil, México, Argentina, Hungria) confirmam a existência de um eixo transatlântico e transcontinental ligando Washington, algumas capitais europeias e a América Latina reacionária. Não se trata apenas de trocas simbólicas: esses espaços permitem a circulação de financiamentos, estratégias eleitorais, técnicas de comunicação digital e métodos de polarização social inspirados no movimento MAGA.
Paralelamente à CPAC, o partido Vox, na Espanha, desempenha um papel central na estruturação dessa rede internacional, especialmente por meio do Foro Madrid, lançado em 2020. Apresentado como uma alternativa “patriótica” aos fóruns progressistas internacionais, o Foro Madrid reúne partidos e líderes de extrema direita europeus e latino-americanos, entre os quais Milei, Bolsonaro, Kast, bem como representantes do RN, do Chega, do Fratelli d’Italia ou de partidos da Europa Central. O Foro Madrid e as iniciativas do Vox servem de elo de ligação entre o trumpismo, a extrema direita europeia e as direitas radicais latino-americanas, articulando um discurso explicitamente contra a esquerda, o feminismo, a ecologia, os direitos humanos e qualquer forma de soberania popular que não seja autoritária. Embora se trate de uma justaposição de forças nacionais, a extrema direita surge como um bloco ideológico internacional coerente, do qual Donald Trump constitui hoje o principal polo político, midiático e simbólico.
Trump em Davos, em janeiro de 2026
Em 21 de janeiro de 2026, um mês e meio após a publicação do NSS 2025 e quase um ano após o início de seu mandato, Trump fez co-mentários supremacistas brancos e racistas em Davos diante de uma plateia de bilionários e chefes de Estado e de governo que o aplaudiram. Aqui estão alguns trechos:
Ouçam, sou originário da Europa, mais precisamente da Escócia e da Alemanha. Minha mãe é 100 % escocesa e meu pai é 100 % alemão. Acreditamos profundamente nos laços que nos unem à Europa como civilização. (…) A explosão de prosperidade, o sucesso e os progressos que construíram o Ocidente não são fruto dos nossos códigos fiscais, mas sim da nossa cultura muito particular. É essa a herança preciosa que a América e a Europa partilham. Partilhamo-la. Temos de a preservar. Temos de nos tornar mais fortes, mais prósperos e mais eficientes do que nunca. Devemos defender essa cultura e redescobrir o espírito que tirou o Ocidente das profundezas da Idade Média para elevá-lo ao auge das realizações humanas. (Fonte: WEF, https://www.weforum.org/stories/2026/01/davos-2026-special-address-donald-trump-president-united-states-america/)16
Ele repetiu seus insultos racistas contra a deputada do Congresso dos Estados Unidos, Ilhan Omar, de origem somali, eleita no estado de Minnesota, contra a Somália como país, contra toda a comunidade somali nos Estados Unidos e, de forma mais ampla, contra as civilizações africanas:
E depois temos essa falsa deputada, cuja fortuna é estimada em 30 milhões de dólares, de acordo com os últimos relatórios. Acreditam nisso? Ilhan Omar fala da Constituição que me protege… Ela vem de um país que não é um país e diz-nos como governar a América. Ela não vai conseguir manter isso por muito tempo, acreditem em mim.17
A situação em Minnesota nos lembra que o Ocidente não pode importar em massa culturas estrangeiras que nunca conseguiram construir uma sociedade próspera. Quero dizer, recebemos pessoas da Somália, e a Somália é um país falido… não é uma nação, não há governo, não há polícia, não há exército… não há nada…18
Trump não usa apenas insultos, ele também usa bajulação em rela-ção àqueles que o apoiam e que estavam presentes em Davos:
Muitos de vocês aqui são verdadeiros pioneiros. Vocês são realmente brilhantes, pessoas brilhantes. O simples facto de terem conseguido um ingresso (para entrar aqui) é brilhante, pois há cerca de 50 pessoas para cada vaga. (…) Mas vocês estão nesta sala, e alguns de vocês são os maiores líderes do mundo. Vocês são os maiores cérebros do mundo. E o futuro é ilimitado. E isso se deve em grande parte a vocês, ou melhor; precisamos protegê-los e valorizá-los.19
Conclusão-síntese
O segundo mandato de Donald Trump não se limita a questionar a União Europeia: ele organiza um apoio ideológico, político e operacional às forças de extrema direita e neofascistas na Europa. O NSS 2025, a interferência eleitoral, o apoio público à AfD, ao RN, ao Fidesz ou ao Vox, bem como a estruturação de redes transnacionais como a CPAC e o Foro Madrid, testemunham uma estratégia coerente que visa enfraquecer a UE e promover um bloco internacional autoritário articulado em torno do trumpismo.
No entanto, as pretensões de Trump sobre a Groenlândia introduzem uma contradição importante. Ao questionar abertamente a soberania de um território pertencente a um Estado europeu membro da OTAN, Trump revela a natureza profundamente imperialista e agressiva do seu projeto. Essa orientação é suscetível de criar tensões duradouras com os governos europeus e, a longo prazo, fragilizar as relações entre Trump e os próprios partidos de extrema direita europeus, presos entre seu alinhamento ideológico com o trumpismo e a defesa proclamada da soberania nacional. Essa contradição constitui um dos pontos de ruptura potenciais da internacional neofascista em construção.
Notas
- “Os Estados Unidos continuam firmemente comprometidos com seus aliados e parceiros europeus. A aliança da OTAN, formada por Estados livres e soberanos, é uma de nossas grandes vantagens em relação aos nossos concorrentes, e os Estados Unidos permanecem comprometidos com o Artigo 5º do Tratado de Washington. Os aliados e parceiros europeus ampliam nosso alcance estratégico e fornecem acesso a bases avançadas e a direitos de sobrevoo para operações globais. Juntos, enfrentamos ameaças comuns. As nações europeias estão contribuindo com milhares de tropas para ajudar a combater terroristas jihadistas no Afeganistão, estabilizar o Iraque e enfrentar organizações terroristas em toda a África e no Oriente Médio ampliado.” NSS 2017, p. 48 ↩︎
- “Queremos apoiar nossos aliados na preservação da liberdade e da segurança da Europa, ao mesmo tempo em que restauramos a autoconfiança civilizacional da Europa e a identidade ocidental.” NSS 2025, p. 5 ↩︎
- “Os Estados Unidos incentivam seus aliados políticos na Europa a promover esse renascimento de espírito, e a crescente influência de partidos europeus patrióticos de fato dá motivo para grande otimismo.” NSS 2025, p. 26 ↩︎
- Além disso, Trump não hesita em acusar o governo sul-africano de praticar um genocídio contra os brancos. ↩︎
- O economista Gabriel Zucman relativizou a constatação deliberadamente negativa expressa por Trump sobre a situação econômica da Europa em comparação com a dos Estados Unidos. Leia em open source: “O mito do declínio europeu” https://gabrielzucman.substack.com/p/le-mythe-du-decrochage-europeen publicado em 15 de dezembro de 2025. ↩︎
- “Mas esse declínio econômico é ofuscado pela perspectiva real e ainda mais contundente de apagamento civilizacional. As questões mais amplas que a Europa enfrenta incluem as ações da União Europeia e de outros organismos transnacionais que minam a liberdade política e a soberania; políticas migratórias que estão transformando o continente e gerando conflitos; censura à liberdade de expressão e repressão à oposição política; taxas de natalidade em colapso; e a perda das identidades nacionais e da autoconfiança.” NSS 2025, p. 25 ↩︎
- “No longo prazo, é mais do que plausível que, dentro de poucas décadas, no máximo, certos membros da OTAN se tornem majoritariamente não europeus.” NSS 2025, p. 27 ↩︎
- Em 2023, o partido de extrema direita PVV registou um forte crescimento, passando de 17 assentos em 2021 para 37 em 2023. Em 2025, o partido sofreu uma correção significativa, com uma perda de cerca de 11 assentos, caindo para 26. Nas eleições, o partido de centro-direita D66 obteve um sucesso eleitoral que lhe permitiu ultrapassar o PVV por cerca de 30.000 votos. O D66 obteve cerca de 1.790.000 votos, contra cerca de 1.760.000 para o PVV. ↩︎
- O grupo ECR conseguiu que um dos seus membros, Raffaele Fitto (Itália), do partido de Meloni (Fratelli di Italia), fosse nomeado vice-presidente executivo da Comissão Europeia (mandato da Comissão «von der Leyen II», que tomou posse em 1 dedezembro de 2024) para a pasta «Coesão e Reformas». Johan Van Overtveldt (membro do grupo ECR de Meloni no Parlamento Europeu e do partido N-VA na Bélgica) foi eleito presidente da comissão «Orçamento» (BUDG). Veronika Vrecionová (ECR, República Checa) foi eleita presidente da comissão «Agricultura e Desenvolvimento Rural» (AGRI). Bogdan Rzońca (ECR, Polônia) foi eleito presidente da comissão de “Petições” (PETI) do Parlamento. ↩︎
- Johan Van Overtveldt (membro do grupo ECR de Meloni no Parlamento Europeu e do partido N-VA na Bélgica) foi eleito presidente da comissão «Orçamento» (BUDG). Veronika Vrecionová (ECR, República Checa) foi eleita presidente da comissão «Agricultura e Desenvolvimento Rural» (AGRI). Bogdan Rzońca (ECR, Polônia) foi eleito presidente da comissão de “Petições” (PETI) do Parlamento. ↩︎
- Desde as eleições de junho de 2024, o ECR ganhou mais um membro e conta com 79 deputados europeus em janeiro de 2026, ver https://www.europarl.europa.eu/meps/fr/search/advanced?name=&euPoliticalGroupBodyRefNum=7037&countryCode=&bodyType=ALL (consultado em 25 de janeiro de 2026). ↩︎
- O grupo Patriotas pela Europa, de Marine Le Pen e Victor Orban, também ganhou mais 2 assentos entre as eleições de junho de 2024 e outubro de 2025. Tem 86 membros no seu grupo no PE, ver https://www.europarl.europa.eu/meps/fr/search/advanced?name=&euPoliticalGroupBodyRefNum=7150&countryCode=&bodyType=ALL (consultado em 25 de janeiro de 2026). ↩︎
- O grupo da Europa das Nações Soberanas, formado em torno da AFD da Alemanha, passou de 25 para 27 deputados europeus entre junho de 2024 e o momento da publicação deste artigo: https://www.europarl.europa.eu/meps/fr/search/advanced?name=&euPoliticalGroupBodyRefNum=7151&countryCode=&bodyType=ALL (consultado em 25 de janeiro de 2026). ↩︎
- De acordo com a pesquisa realizada no site do PE em 25 de janeiro de 2026, a soma dos assentos dos três grupos de extrema direita chegaria a 192, ou seja, cinco a mais do que o grupo do Partido Popular Europeu, que conta com 187. ↩︎
- Na Holanda, a extrema direita (= o PVV de Geert Wilders) não faz mais parte do governo desde junho de 2025. E, após os resultados das eleições de 29 de outubro de 2025, nas quais os resultados desse partido caíram drasticamente, um novo governo provavelmente será formado sem a participação do PVV. Em 2023, o PVV registou um forte crescimento, passando de 17 assentos em 2021 para 37 em 2023. Em outubro de 2025, o PVV sofreu uma correção significativa, com uma perda de cerca de 11 assentos, caindo para 26. Nas eleições, o partido de centro-direita D66 obteve sucesso eleitoral, o que lhe permitiu ultrapassar o PVV por cerca de 30.000 votos. O D66 obteve cerca de 1.790.000 votos, contra cerca de 1.760.000 para o PVV. ↩︎
- “Quero dizer, vejam bem, eu sou de origem europeia — Escócia e Alemanha. 100% escocês, da parte da minha mãe. 100% alemão, da parte do meu pai. E acreditamos profundamente nos laços que compartilhamos com a Europa como uma civilização. (…) A explosão de prosperidade, a consolidação e o progresso que construíram o Ocidente não vieram de nossos códigos tributários; em última instância, vieram de nossa cultura muito especial. Essa é a herança preciosa que a América e a Europa têm em comum. Nós a compartilhamos. Nós a compartilhamos. Precisamos mantê-la forte. Precisamos nos tornar mais fortes, mais bem-sucedidos e mais prósperos do que nunca. Precisamos defender essa cultura e redescobrir o espírito que elevou o Ocidente das profundezas da Idade das Trevas ao ápice da realização humana.” (Fonte: WEF, Davos 2026; parte da citação também consta em: Casa Branca, 21 de janeiro de 2026) ↩︎
- “E então temos essa falsa congressista, que acabaram de noticiar que vale US$ 30 milhões — dá para acreditar nisso? Ilhan Omar falando sobre a Constituição que me garante… ela vem de um país que não é um país, e está nos dizendo como administrar a América. Não vai escapar disso por muito mais tempo, podem acreditar.” (Fonte: MinnPost, “D.C. Memo: Trump, no fórum de Davos, critica mais uma vez Minnesota e os somalis”; e WEF, Davos 2026) ↩︎
- “A situação em Minnesota nos lembra que o Ocidente não pode importar em massa culturas estrangeiras, que nunca conseguiram construir por si mesmas uma sociedade bem-sucedida. Quero dizer, estamos trazendo pessoas da Somália, e a Somália é um Estado falido… não é uma nação, não tem governo, não tem polícia, não tem mili… não tem nada.” (Fonte: WEF, Davos 2026) ↩︎
- “Muitos de vocês nesta sala são verdadeiros pioneiros. Vocês são realmente brilhantes, pessoas brilhantes. Só a capacidade de conseguir um ingresso já é brilhante, porque há cerca de 50 pessoas para cada assento. (…). Mas vocês estão nesta sala, e alguns de vocês são os maiores líderes em qualquer lugar do mundo. Vocês são as maiores mentes em qualquer lugar do mundo. E o futuro é ilimitado. E, em grande parte, por causa de vocês — ou então nós temos que protegê-los e temos que valorizá-los.”(Fonte: WEF, Davos 2026) ↩︎
Tradução de Rui Viana Pereira