Plataforma Sindical Democrática e Anticapitalista – Edição Manifesto
Ato do dia 15 de março. Crédito: Mídia NINJA

Plataforma Sindical Democrática e Anticapitalista – Edição Manifesto

É hora de encampar fortemente a luta pela reorganização do movimento sindical com a construção de um pólo independente, classista, internacionalista, anticapitalista, feminista, antirracista e anti-LGBTfóbico.

Para nós, do Movimento Esquerda Socialista, é hora de encampar fortemente a luta pela reorganização do movimento sindical com a construção de um pólo independente, classista, internacionalista, anticapitalista, feminista, antirracista e anti-LGBTfóbico. Por isso, queremos juntamente com vários independentes de diversos estados e categorias construir uma Plataforma Sindical Democrática e Anticapitalista junto a construção da CSP-CONLUTAS — central que hoje tem as maiores possibilidade de atender a demanda desta nova camada da classe trabalhadora que rompe com suas antigas direções.

1. Classismo

O primeiro elemento que define a Plataforma é o classismo. Isso significa uma concepção do movimento sindical como um instrumento de luta de cada categoria de trabalhadores considerada como parte de uma totalidade mais ampla e decisiva que é a classe trabalhadora enquanto tal. Os objetivos da luta sindical, nessa perspectiva, não se resume a luta corporativa desta ou daquela categoria de trabalhadores voltada apenas à negociação do valor da venda de sua força de trabalho, em uma perspectiva classista o movimento sindical aparece também como mais um instrumento de organização da classe trabalhadora para a luta pelo poder e construção de uma nova sociedade. Sendo a classe trabalhadora, assim como a burguesia, uma classe internacional, o classismo significa também necessariamente uma posição internacionalista.

2. Democracia

Diante da burocratização do movimento sindical, cada vez mais intensa e nefasta aos interesses históricos da classe trabalhadora na atual conjuntura, é fundamental afirmar a necessidade de garantir que os setores mais jovens e mais dinâmicos da classe – que vêm se expressando com mais força desde 2013 – possam assumir o controle e colocar as organizações sindicais a serviço das lutas e enfrentamentos que emergem. A democracia no movimento sindical é componente indispensável para um sindicalismo classista porque faz as bases da classe e suas inquietações ultrapassarem a rotina desmobilizadora da burocracia sindical.

3. Combatividade

Longe do sindicalismo de gabinetes e de conciliação, construído pelo alto e à base de conchavos com a patronal e os governos, é fundamental a construção de um sindicalismo de combate, que aposte na força da organização e mobilização da classe como elemento decisivo da construção da resistência e do avanço nas conquistas. Neutralizar a força coletiva da classe trabalhadora é uma meta estratégica permanente dos de cima, porque só assim os que são poucos podem se impor a nós que somos muitos. Sendo muitos podemos vencer, mas apenas na condição de estarmos organizados e mobilizados coletivamente, dispostos a combater por nossas reivindicações e interesses históricos.

4. Diversidade

A classe trabalhadora não é uniforme, mas diversa. Somos distintos em gênero, raça, orientação sexual, origem regional e nacional… essa diversidade, longe de ser uma fragilidade representa uma força desde que o movimento sindical seja capaz de absorvê-la e expressá-la de modo adequado. A classe trabalhadora e seu movimento é e deve ser a síntese dessa diversidade real. A reprodução dos preconceitos conservadores no interior do movimento sindical divide e enfraquece a capacidade de luta unitária da classe trabalhadora. A lógica do machismo, do racismo e da LGBTfobia que ainda impera no movimento sindical é um atraso para o conjunto da classe e precisa ser enfrentado e superado,ou não se estará à altura dos desafios postos pelo momento histórico. A luta contra essas formas conservadoras de opressão precisa ser incorporado com a devida importância pelo movimento sindical para que seja capaz de expressar as lutas que atravessam o conjunto da classe nesse início de século XXI.

5. Anticapitalismo

Não há um presente ou qualquer futuro com dignidade para a classe trabalhadora sob o domínio da classe capitalista e seus interesses. Cada vez mais, nesse contexto de crise global e sistêmica do capitalismo, a burguesia precisa empurrar os trabalhadores cada vez mais para trás, de modo a tomar direitos conquistados com muita luta e sacrifício ao longo da história. Mesmo direitos e garantias elementares da classe são atacados pela burguesia e seus governos com intransigência e fanatismo. Um sindicalismo classista consequente precisa ser capaz de apontar uma saída totalizante e global para a humanidade, a partir do ponto de vista dos interesses históricos dos trabalhadores: essa saída passa necessariamente pelo enfrentamento e derrota do capitalismo enquanto sistema econômico e social. A defesa de um horizonte estratégico anticapitalista é que pode articular entre si todos os elementos anteriores.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.