Um balanço da gestão Doria
João Doria com muro de sua casa ao fundo - Estadão

Um balanço da gestão Doria

Um ano após sua eleição, a vereadora do PSOL discute a gestão do prefeito paulistano que vislumbra ser presidente.

Sâmia Bomfim 2 out 2017, 11:12

Quando candidato, João Doria falava em uma administração eficiente, com soluções rápidas para os problemas de São Paulo e imune às práticas da velha política. O atual prefeito prometia comportar-se como um “gestor” preocupado, exclusivamente, com a cidade.

Entretanto, sua popularidade está caindo, conforme indicam as pesquisas. Para a população, parece que Doria abandona a cidade enquanto viaja Brasil e mundo afora, a bordo de seu jatinho particular, em pré-campanha para 2018. O abandono é perceptível na zeladoria urbana, cuja responsabilidade é da prefeitura. O marketing não é capaz de esconder o caos nos semáforos, ruas e calçadas, que prejudica o dia a dia da população.

Os problemas não param aí. Todas as promessas de eficiência a agilidade caíram por terra. A forma como a gestão municipal lida com a assistência social à população em situação de rua ou aos dependentes químicos, por exemplo, releva desrespeito aos direitos humanos e despreparo para a execução de políticas públicas.

Uma das principais bandeiras de Doria no início do mandato — a perseguição aos “pichadores” e grafiteiros — foi declarada parcialmente inconstitucional na justiça, em decorrência de uma ADIN movida pelo PSOL.

Já as medidas do programa “Cidade Linda” não produzem efeitos para os munícipes, embora gerem benefícios para as empresas que fecham “parcerias” com a prefeitura e encontram, no próprio prefeito, um garoto-propaganda. Para autorizar mais anúncios publicitários em ruas e praças, o prefeito cogita rever até mesmo a bem avaliada lei da Cidade Limpa (Lei 14.223/2006).

As relações de Doria com os interesses privados não vêm de hoje. Ele mesmo é um megaempresário, que já teve ótimas relações com executivos e políticos hoje enredados em escândalos de corrupção, como Wesley e Joesley Batista, os donos da JBS, além de Rodrigo Rocha Loures, o “deputado da mala”.

À frente de São Paulo, o prefeito quer fazer da cidade um grande negócio cujo maior beneficiário pode ser ele próprio. A Folha de São Paulo, em 21/09, trouxe preocupante notícia sobre o crescimento, em 2017, dos negócios da LIDE (grupo empresarial fundado por Doria), com base na influência política da prefeitura. Na Câmara Municipal, quase todos os projetos apresentados pelo executivo propõem privatizações.

É importante notar que, para garantir apoio de vereadores, os métodos utilizados são os da velha política: distribuição de cargos comissionados e emendas parlamentares. Doria, que há menos de um ano apresentava-se como o “novo”, agora reproduz as práticas correntes da elite política do país. Recentemente, até mesmo lideranças reacionárias do MBL passaram a ser agraciadas com cargos, especialmente na Prefeitura Regional de Pinheiros, comandada por um membro do movimento, Paulo Mathias.

Contudo, mesmo graves, os fatos até aqui elencados não devem surpreender. Está explícito o projeto de Doria à frente da gestão municipal. Seu objetivo, privatizando a cidade e destruindo os bens e serviços públicos, é apresentar-se como candidato à Presidência da República em 2018. Seguindo essa ambição, o prefeito é capaz de trair até mesmo seu padrinho político, Geraldo Alckmin, e submete a população de São Paulo a sacrifícios enormes.

Enquanto apoia o governo de Michel Temer e as reformas trabalhista e da previdência, no município, Doria e seus secretários desmontam a saúde, a assistência social, a educação, a cultura, o meio ambiente e o transporte. Em uma cidade na qual mulheres são todos os dias assediadas e agredidas, nenhuma política pública séria é apresentada sobre o tema.

As prioridades do prefeito, afinal, são outras. Temos em São Paulo uma gestão composta por pessoas ricas, que governam para ricos, seguindo as ambições e caprichos de seu chefe, que quer se tornar presidente.

Apesar de tudo, confio na capacidade de resistência das paulistanas e dos paulistanos. Quando os trabalhadores e a juventude voltarem às ruas, certamente um prefeito acostumado a regalias e privilégios será obrigado a recuar, respeitando nossos direitos.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.