3-O: As ruas serão sempre nossas
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3-O: As ruas serão sempre nossas

Hoje foi a maior greve geral “da região” que já se viu na Catalunha: uma greve “da região” e “democrática”.

Alfons Bech 5 out 2017, 14:53

Crônicas Catalãs

Hoje foi a maior greve geral “da região” que já se viu na Catalunha. Uma greve na qual, pela primeira vez, a patronal das médias e pequenas empresas participou e inclusive pagou ao não descontar o salário. Uma greve rara, na qual os patrões são mais audazes que os próprios dirigentes dos sindicatos majoritários. Por isso, é uma greve “da região”, ou “democrática”, pois o objetivo da greve foi o protesto pela selvagem atuação das forças repressivas do Estado durante o dia do referendo e em defesa das liberdades. Por isso se repetiram as consignas: “Votamos”, “Fora forças de ocupação”, “Greve, greve geral”.

A manhã começou com os serviços de transporte em greve, com professores em greve, com a administração em greve, com polígonos industriais de médias empresas em greve. Inclusive com as grandes empresas de petroquímica da área de Terragona em greve. Tudo isso previamente pactuado por administrações, patrões, delegados sindicais.

Mas também esta greve teve a característica da erupção da juventude nas ruas. Na primeira hora, mais de quarenta piquetes, que chegaram a ser sessenta ao longo do dia, cortaram as principais vias de acesso às capitais, povos, polígonos, estradas e rodovias. A esta massa de jovens se somaram os tratores dos camponeses e seu sindicato e os ativistas sindicais de sempre, mas só a parte independentista.

Ao longo do dia, através do corte de vias de comunicação, de ocupação dos trens e, sobretudo, das ruas, produziu-se uma nova fusão entre velhas gerações e novas. O resultado foi a maior e mais potente mobilização que jamais se viu. Maior que as mobilizações de 11 de setembro, a Diada, pois em cada cidade e povo da Catalunha produziram-se estas mobilizações históricas, as maiores de cada lugar. Na Barcelona, por exemplo, todo o centro foi inundado de manifestantes e a circulação foi cortada. E em cidades operárias e de comarcas, o mesmo: completamente cheio, histórico!

O lema que expressou este domínio da massa trabalhadora, operária, estudantil e a pequena burguesia, foi seguramente o que mais se vocalizou por todas as partes: “As ruas sempre serão nossas!”. Esse foi o sentimento do dia.

Os grandes sindicatos, que se juntaram à Mesa pela Democracia, convocantes da greve junto com outras 60 entidades, foram ofuscados pela mobilização. A oposição subterrânea dos líderes sindicais à greve vem da falta de reconhecimento explícito do resultado do referendo. Tanto a UGT como a CCOO tentaram deslegitimar o referendo “porque não tinha todas as garantias”, evitando denunciar que não as tinha porque o Governo de Rajoy e o Estado espanhol tornaram impossível qualquer acordo. Em fábricas como o SEAT, onde os sindicatos UGT e CCOO estão sob a liderança política do PSC e da ICV, eles até conseguiram tomar notas contra a greve, negando abertamente o que assinaram como a Tabela para a Democracia. Portanto, SEAT não entrou em greve.

Mas nenhum desses fatos contraditórios remove o fato de que estamos enfrentando a mobilização mais bem-sucedida na Catalunha. Uma mobilização que deve ter sido devido às provocações da polícia secreta infiltrada nas manifestações e que os manifestantes esperavam o dia todo para assistir.

No entanto, hoje, em que as ruas foram do povo, na última hora chegou a ameaça. O discurso de Rei Felipe VI às nove horas da noite, alinhando-se nos piores discursos do PP dos últimos dias, sem mencionar os feridos pelas tropas policiais, foi o do Chefe de Estado que se prepara para intervir autonomia e para parar os principais líderes. Ele não disse isso, mas toda população e mídia catalã falam sobre a provável aplicação do artigo 155 da suspensão da autonomia. Portanto, retornar para casa depois de um dia tão longo nos leva à idéia de que teremos que continuar a luta e defender o resultado e a implementação do referendo com unhas e dentes.

(Tradução: Portal de la Izquierda)


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.