Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Manifesto #VidasNegrasImportam

Lutamos por mais direitos, contra o genocídio e encarceramento em massa do povo negro, contra a exploração sexual das mulheres negras e contra a perseguição às religiões de matriz africana.

Já cantou Elza Soares que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Os mesmos que nos impuseram a escravização, nos mandam forçados às prisões e caixões. O Brasil é o país mais negro fora da África, e é onde 1 jovem negro morre a cada 23 minutos. Os que não morrem entram na massa de pessoas negras criminalizadas que compõem os 60% de negras e negros nos presídios brasileiros. Desde a escravização nos jogam para os lugares que eles preparam pra nós, das senzalas às cadeias.

Mas se a história deles é de opressão, a nossa é de resistência. Desde que fomos trazidos ao Brasil temos nos rebelado contra a exploração do povo negro. A existência dos Quilombos é tão antiga quanto a da escravização no Brasil. Nunca deixamos de nos organizar, e não deixaremos. Cada dia, a nossa luta se fortalece: por justiça, reparação, direitos e empoderamento político! E por isso não podemos esperar! Nossas demandas são necessárias e urgentes!

Acreditamos no empoderamento político e na organização como forma de garantir nossos direitos. É preciso empoderar jovens, mulheres, LGBTs, trabalhadores negros porque os rumos da nossa história nós que devemos definir. Os políticos tradicionais brasileiros – no Congresso, no Executivo, nas Câmaras e Assembleias – não representam senão seus próprios interesses, que são totalmente opostos às necessidades do povo negro. O ajuste fiscal – que corta de áreas essenciais como saúde, educação e segurança, a Reforma do Ensino Médio e da Previdência Social, a redução da maioridade penal, por exemplo, são ataques diretos às negras e negros.

Somos maioria entre os desempregados, maioria nos postos de trabalho mais precarizados. Mesmo quando ocupamos postos de trabalho, a diferença de salários entre brancos e negros é absurda. Ainda, a maioria da população em situação de rua – a quem os direitos são completamente negados, principalmente o de viver com dignidade – também é negra.

Michel Temer e o Congresso, composto majoritariamente por homens velhos e brancos, já começam suas defesas de uma reforma do sistema carcerário brasileiro, abrindo espaço para privatização dos presídios e de um novo regime de superexploração do trabalho do povo negro. E isso não aceitaremos! Uma reforma no sistema penal e prisional deve ser feita, mas para acabar com o encarceramento em massa do povo negro, não para criminalizar e aprisionar mais.

Mais que necessário, precisamos também de uma outra forma para lidar com as drogas. A “guerra às drogas” é uma verdadeira guerra ao povo negro, e é uma das principais causas do encarceramento e do extermínio de jovens negras e negros

Exigimos o fim das guerras contra nós. Exigimos que os poderosos reparem os danos que foram feitos às comunidades negras sob forma de reparações e investimentos direcionados. Queremos ter acesso à educação de qualidade, ao transporte realmente público, à políticas de moradia, às universidades, à saúde especializada e ao emprego não precarizado. Basta de nos reservarem somente os cargos mais precarizados, sem garantia de direitos e em regimes de semi-escravidão. Precisamos de uma verdadeira revolução da política econômica pras negras e negros.

Sabemos, também, que nossa luta não se limita às nossas próprias fronteiras. Nos solidarizamos à negritude de todos os países, que também paga com a vida o preço da exploração dos de cima. Estamos juntos à negritude nos Estados Unidos, que resiste bravamente aos ataques de Donald Trump e toda a casta política do imperialismo, na América Latina (Cuba, Haiti, Jamaica, Colômbia, entre outros), na França e em toda a Europa, onde negras e negros refugiados sofrem com o peso da política segregacionista e, principalmente, em todas as nações africanas, vítimas da violenta colonização e do estigma cotidiano.

A nossa luta nasce de um sonho. O sonho de um mundo diferente, com justiça e igualdade para todas e todos. Mas a libertação coletiva só pode existir quando nós, negras e negros, formos de fato livres. Por isso, vamos seguir na nossa luta em busca da nossa utopia, dos nossos sonhos. Lutamos por mais direitos, por uma outra política econômica, por outra política de drogas, contra o genocídio e encarceramento em massa do povo negro, contra a exploração sexual das mulheres negras e contra a perseguição às religiões de matriz africana.

É por nossos sonhos. É por justiça, reparação e liberdade, porque as nossas vidas importam. As vidas negras importam!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A edição n.6 da Revista Movimento celebra o centenário da Revolução de Outubro com artigo de Kevin Murphy sobre as origens do stalinismo. Luciana Genro discute a continuidade da Operação Lava Jato. Alvaro Bianchi introduz a nossos leitores conceitos de Antonio Gramsci. A revista também apresenta tradução de palestra de Angela Davis. Na seção internacional, publicamos artigo de Perry Anderson sobre a resiliência do centro neoliberal europeu. Edgardo Lander trata da situação venezuelana, Pedro Fuentes e Charles Rosa abordam a questão catalã. Um instigante artigo de Maycon Bezerra sobre Florestan Fernandes, a tese do MES para o Congresso do PSOL e nossa plataforma sindical completam a edição.

Arte de Adria Meira sobre El Lissitzky

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista