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Saiba como Doria pretende destruir São Paulo em 2018

O orçamento apresentado à Câmara para o ano de 2018 prevê cortes drásticos em quase todas as áreas sociais.

O prefeito de São Paulo João Doria - Reprodução
O prefeito de São Paulo João Doria - Reprodução

Embora Doria prometesse uma “gestão” eficiente, com soluções quase mágicas para os problemas de São Paulo, em um ano de mandato o que vemos é uma cidade abandonada e refém das negociatas do prefeito com grandes empresários que só se importam com seus lucros.

Se já está ruim, em 2018 vai piorar. Chegou à Câmara Municipal o orçamento para 2018, que deve ser votado até o final de dezembro. O documento, inacessível ou incompreensível para o cidadão comum, prevê cortes drásticos em quase todas as áreas sociais.

Como prefeito, Doria segue o receituário dos governos de plantão, como Temer, que sob a justificativa da crise econômica do país, promovem “ajustes” que atingem exclusivamente os trabalhadores e os pobres, enquanto os lucros dos ricaços ficam intocados.

É uma contradição: os mesmos governantes que aparecem na TV falando de mais escolas, mais hospitais, melhores ônibus, mais lazer e qualidade de vida, são aqueles que, com a caneta na mão, tiram dinheiro de todas essas áreas. E, sem investimento público, é impossível fazer mágica para melhorar a vida do povo.

Vamos a alguns exemplos. Comparando o orçamento aprovado para 2017 e a proposta de Doria para 2018, percebemos que os investimentos em saúde serão reduzidos em 200 milhões de reais. Com este valor, poderiam ser construídas 33 novas UBS ou mesmo mantido, por um ano, o funcionamento de dois hospitais públicos. Já há um caos na saúde do município, como ficaremos em 2018?

Outra área vitimada é a cultura. Depois de sofrer em 2017 com a gestão autoritária de Sturm e o congelamento de verbas, os recursos previstos para a área em 2018 são 18% menores. As regiões mais prejudicadas serão as mais pobres, pois a verba de fomento à cultura na periferia sofrerá, sozinha, um corte de 40%.

As mulheres também serão afetadas. Após a explosão de denúncias de assédio nos transportes públicos e de feminicídio, o prefeito vai arrancar mais de 30% dos recursos disponíveis a políticas para mulheres!

Aproximadamente a mesma porcentagem será cortada dos recursos destinados aos CEUs. E até mesmo a zeladoria urbana deverá ser prejudicada, com um corte em mais de 10% dos recursos alocados para as prefeituras regionais.

Para não falar apenas do que diminui, pode-se mencionar que o orçamento para as creches tem previsão de aumento em 7%. Mesmo assim, levando em conta a inflação do período, a cifra é insuficiente para atingir o prometido pela prefeitura para 2018, além de ser canalizada, via de regra, para a rede conveniada, ou seja, ao setor privado.

O que está em jogo, por trás dos números de Doria, é um projeto político e não apenas planilhas. Na sociedade capitalista, os momentos de crise são utilizados pelos políticos do sistema para retroceder nos direitos sociais, diminuir os níveis de salário dos trabalhadores e aumentar, mesmo em meio à crise, os lucros dos grandes capitalistas. Em síntese, ampliar a desigualdade social e piorar a vida do povo.

Um exemplo categórico se encontra no governo Temer. Para salvar sua pele e agradar os “mercados”, o presidente golpista aprovou, com apoio do Congresso Nacional, a PEC do teto dos gastos, a reforma trabalhista e a lei das terceirizações, em conjunto com cortes nas áreas sociais. A sanha de atacar o povo nunca acaba, como mostra a vontade do presidente de aprovar a reforma da previdência ou de seguir o tenebroso relatório do Banco Mundial (encomendado durante o governo Dilma) que fala de cobrança de mensalidades em universidades, fim da estabilidade no serviço público, mais privatizações e outros absurdos.

A crueldade para o povo não é a mesma destinada aos megaempresários ou à casta política. A cidade de São Paulo, por exemplo, tem uma lista gigantesca de devedores, encabeçada por bancos como Itaú e Santander, ou por empresas como Unimed, cujos valores que deveriam reforçar o orçamento municipal jamais são cobrados. Também não se mexe na farra das isenções de ISS ou IPTU para empresas aliadas do mundo político ou para igrejas.

Mesmo dentro do “bolo” orçamentário já existente, as injustiças são flagrantes. Por exemplo, o orçamento para marketing da prefeitura deve… crescer, passando de 78 milhões para 112 milhões! Também aumentará o orçamento destinado à Câmara Municipal, sabendo que apenas o reajuste dos salários dos vereadores (que eu fui contra e não aceitarei!) impactará em mais de 10 milhões os cofres públicos em 4 anos.

A conclusão é uma só. Prometendo o contrário em seus vídeos do Facebook, Doria quer mesmo é destruir São Paulo em 2018. Fazer de nossa cidade um lugar cada vez pior para se viver, cada vez mais cruel para as mulheres, os pobres e os trabalhadores em geral. É a cara do projeto político de seu partido, o PSDB, bem conhecido como o “partido dos ricos”.

Para reverter essa situação, precisamos de mobilização social. Vamos à luta!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A edição n.6 da Revista Movimento celebra o centenário da Revolução de Outubro com artigo de Kevin Murphy sobre as origens do stalinismo. Luciana Genro discute a continuidade da Operação Lava Jato. Alvaro Bianchi introduz a nossos leitores conceitos de Antonio Gramsci. A revista também apresenta tradução de palestra de Angela Davis. Na seção internacional, publicamos artigo de Perry Anderson sobre a resiliência do centro neoliberal europeu. Edgardo Lander trata da situação venezuelana, Pedro Fuentes e Charles Rosa abordam a questão catalã. Um instigante artigo de Maycon Bezerra sobre Florestan Fernandes, a tese do MES para o Congresso do PSOL e nossa plataforma sindical completam a edição.

Arte de Adria Meira sobre El Lissitzky

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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