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O que há por trás da transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a mudança da embaixada do país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Mas por que isso é tão importante?

O presidente dos EUA Donald Trump durante visita a Jerusalém em maio deste ano - AFP
O presidente dos EUA Donald Trump durante visita a Jerusalém em maio deste ano - AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a mudança da embaixada do país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Mas por que isso é tão importante?

Jerusalém, além de ser uma cidade sagrada para três das maiores religiões do mundo, – o cristianismo, o judaísmo e o islamismo – é também a cidade símbolo de um dos maiores conflitos de soberania no Oriente Médio, que já dura décadas: o conflito entre Israel e Palestina. Para os judeus, Jerusalém é a capital “eterna e indivisível” do Estado de Israel. Para os árabes, Jerusalém Oriental, onde palestinos são a maioria da população, é a capital do ainda não oficial Estado Independente da Palestina.

A política sionista de invasão dos territórios palestinos por parte de Israel, desde sua criação no século XX, fez com que Jerusalém Oriental, até então controlada pela Jordânia, fosse controlada pelo exército israelense, contrariando não só as resoluções de regime internacional e fronteiras delimitadas pelas Nações Unidas, mas principalmente a autodeterminação do povo palestino e, muitas vezes, sua liberdade religiosa.

Todos os países membros da ONU que reconhecem Israel como Estado independente, como Brasil, mantém o status de controle internacional de Jerusalém e têm como sede de suas embaixadas a cidade de Tel Aviv, admitindo essa como a capital do Estado judeu.

Os Estados Unidos, maior aliado econômico e militar, principalmente na defesa da política de invasão de territórios e do terrorismo de Estado contra o povo palestino, desde 1995 tem aprovada pelo seu Congresso uma resolução que transfere a embaixada do país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, mas que nunca foi sancionada por nenhum dos presidentes.

A relação estratégica entre o imperialismo norte-americano e o sionismo judeu vai muito além disso. Os EUA foram o primeiro país a reconhecer Israel como Estado, onze minutos depois da proclamação de independência, além de ser o país que mais investe militarmente no Estado judeu. Durante o governo Obama, os dois países assinaram o maior acordo de ajuda armamentista da história dos Estados Unidos. Ainda em 2017 ambos os países anunciaram sua saída da UNESCO (órgão da ONU para a cultura, ciência e educação) com a justificativa de ser um “órgão anti-Israel”, que já não recebia mais contribuições dos EUA depois de reconhecer a Palestina como um Estado membro com plenos direitos.

Agora, Donald Trump, ao aprovar a mudança da embaixada ianque para Jerusalém, cumprindo a promessa que fez aos seus doadores de campanha pró-Israel, anuncia que os EUA é o primeiro país do mundo a reconhecer a cidade como capital israelense, rompendo com a convenção internacional de status de Jerusalém. O anúncio, criticado inclusive por outros países aliados de Israel, escancara o desrespeito à soberania da Palestina e de seu povo, e legitima as invasões israelenses nos territórios árabes da região, colocando em cheque a possibilidade de qualquer solução do conflito entre judeus e árabes, uma vez que Jerusalém é parte fundamental da disputa entre os dois povos na formação de seus Estados independentes.

O fato é que a aliança estratégica entre o imperialismo norte-americano e o sionismo israelense faz parte de um projeto de dominação territorial, cultural e econômica no Oriente Médio. Por esse motivo, a defesa da autodeterminação dos povos e a luta contra o imperialismo passam hoje, principalmente, pela defesa e o reconhecimento do Estado Palestino independente, livre, laico, democrático e soberano, e de Jerusalém como sua capital.

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Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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