Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Serial killers do Rio de Janeiro

Esse estado com enorme potencial – no turismo, na cultura, nos serviços, no comércio, na indústria, na ciência e na tecnologia – tem sido, entretanto, vítima de seus governantes.

Foto do Palácio Tiradentes, atual sede da Alerj, em 1960 - Reprodução
Foto do Palácio Tiradentes, atual sede da Alerj, em 1960 - Reprodução

O atual Rio de Janeiro é estado jovem, de 42 anos e oito meses. Nasceu a fórceps, por decreto do general Geisel, que determinou a fusão dos antigos Rio de Janeiro e Guanabara. Esta unidade da Federação só tem área maior que o Distrito Federal, Sergipe e Alagoas. Quanto à ocupação humana, no entanto, é a terceira do país, com seus 16.718.956 habitantes (dados do IBGE, de julho deste ano). Apenas em São Paulo e Minas Gerais habita mais gente.

Esse estado com enorme potencial – no turismo, na cultura, nos serviços, no comércio, na indústria, na ciência e na tecnologia – tem sido, entretanto, vítima de seus governantes. Eles são verdadeiros assassinos das possibilidades desse pedaço do Brasil, com seus 92 municípios em lindas regiões litorâneas, serranas e campestres.

O padrão político-administrativo cristalizado no Rio de Janeiro é rebaixado, e episódios como as escandalosas negociatas dos vereadores de Teresópolis, de recente divulgação, não são exceção. O povo fluminense é vítima de quem pretende governá-lo, com seu modus operandi de conluio com grandes empresas e milhões para campanhas eleitorais e patrimônio.

Após a gestão do interventor Faria Lima, autoritário e tecnocrático, nomeado pelo governo militar, veio um governador eleito indiretamente, Chagas Freitas. E com ele a política da bica d´água, do toma lá dá cá – que a ditadura sempre estimulou. Chagas era do MDB conivente com o regime repressivo, e por isso bem aceito.

Brizola chegou para “lavar com sabão e soda cáustica o chaguismo”. Trouxe esperança e marcou o início de políticas mais gerais para o estado, especialmente na educação. Com o tempo, acabou compondo com representantes do fisiologismo, como o todo-poderoso presidente da Assembleia Legislativa, José Nader (que foi recompensado com uma cadeira no Tribunal de Contas, outro órgão usado para barganhas politiqueiras). Já então a tal “governabilidade” era tida como inevitável…

Moreira Franco, homem-forte de Temer, investigado na Lava-Jato, e Marcelo Alencar, já falecido, fizeram governos medíocres, sem os nutrientes que um estado em formação necessitaria. Os demais governadores estão atrás das grades: Garotinho, Rosângela Matheus, Cabral. Não estão sozinhos: a cúpula da Alerj também está na cadeia. Nas redes virtuais, a sigla PMDB foi apelidada de “Partido dos Mafiosos Detidos em Benfica”. Sinal da extensão da degradação foi a prisão e destituição de nada menos que cinco dos seis conselheiros do Tribunal de Contas do Estado!

O historiador Milton Teixeira afirma que isso não é novidade: “governadores, desde a família Sá, sempre mandaram acima das leis (…) A impunidade dominou, nos tempos de Colônia, Império, República”. Pode-se dizer que esses procedimentos degenerados ocorrem por todo o Brasil e em quase todos os partidos. Mas o Rio, no ranking da decadência política nacional, ocupa lugar especial: lembremo-nos do poderosíssimo Cunha, já condenado, que controlava 90% da bancada federal fluminense. Na outra ponta, tragicômica, o Rio oferece Celso Jacó, o deputado-presidiário que tentou primariamente burlar as normas da Papuda, colocando de novo a cueca no anedotário nacional. Justiça e Ministério Público estaduais sofrem pressões da casta delinquente que hegemoniza a política regional, da qual Pezão é o desgastado herdeiro.

O começo da recuperação do Rio de Janeiro tem um protagonista fundamental: seu próprio povo, sofrido e criativo. Urge resgatar sua tradição contestadora, revelada em tantas revoltas (como as de quilombos, a do Vintém, a da Vacina, a da Chibata) e manifestações massivas (contra o nazifascismo, pela anistia, pela democracia). O desafio para 2018 é tirar da cena pública figurões e figurinhas das máquinas partidárias corruptas, negando o voto aos herdeiros dos criminosos que apostam na falta de memória coletiva.

Publicado originalmente em: http://bit.ly/serialkillersdorio 

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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