Discurso de Abertura do I Congresso da III Internacional
Isaac Brodsky, "2º Congresso do Comintern", 1924

Discurso de Abertura do I Congresso da III Internacional

Há 99 anos, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht eram assassinados. Dias depois, Vladimir Lênin realizaria a melhor homenagem a seus camaradas com a fundação da III Internacional

Vladimir Lênin 15 jan 2018, 17:01

Há 99 anos, em 15 de janeiro de 1919, os revolucionários Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram assassinados pelos Freikorps, paramilitares de extrema-direita, com a conivência do governo social-democrata, durante as lutas da Revolução Alemã de 1918-1919. Dias depois, Vladimir Lênin realizaria a melhor homenagem a seus camaradas com a fundação da III Internacional. Reproduzimos o discurso da abertura do congresso em nosso site.

Discurso de Abertura do I Congresso da III Internacional

Por encargo do Comitê Central do Partido Comunista de Rússia declaro inaugurado o primeiro Congresso Comunista Internacional. Antes de tudo, rogo a todos os pressentes a honrar a memória dos melhores representantes da III Internacional, de Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo, fiquemos de pé.

Camaradas: Nossa assembléia reviste grande alcance histórico-universal. Demonstra o fracasso de todas as ilusões da democracia burguesa. Pois a guerra civil é um feito não somente na Rússia, mas sim nos países capitalistas da Europa mais desenvolvidos, como a Alemanha, por exemplo.

A burguesia tem um medo extremo ao crescente movimento revolucionário do proletariado. Isso se compreenderá se temos pressente que o curso dos acontecimentos, depois de a guerra imperialista, conduz inevitavelmente ao movimento revolucionário do proletariado, que a revolução mundial começa e cobra forças em todos os países.

O povo se da conta da magnitude e alcance da sua luta travada em nossos dias. Só falta encontrar a forma prática que permita ao proletariado exercer seu domínio. Uma forma assim é o sistema soviético com a ditadura do proletariado. A ditadura do proletariado! Palavras essas que soaram em latim para as massas. Perante a propagação do sistema de soviets por todo o mundo, este latim foi traduzido para todas as línguas modernas; as massas operárias deram a forma prática da ditadura da ditadura. As grandes massas operárias a compreendem graças ao poder soviético instalado na Rússia, graças aos espartaquistas da Alemanha e as diversas organizações de outros países, como os Shop Stewards Committees na Inglaterra, por exemplo. Tudo isso demonstro que foi encontrada a forma revolucionária da ditadura do proletariado, que o proletariado já está em condições de aplicar na prática seu domínio.

Camaradas: Creio que depois dos sucessos da Rússia e depois da luta de Janeiro na Alemanha é de singular importância assinalar que também em outros países se abre caminho à vida e adquire domínio a novíssima forma do movimento do proletariado. Hoje, por exemplo, li em um jornal anti-socialista um comunicado telegráfico sobre o fato de o governo inglês ter concedido audiência ao soviet de deputados operários de Birmingham e expressou sua disposição a reconhecer os soviets como organizações econômicas. O sistema soviético venceu no solo da atrasada Rússia, senão na Alemanha, o país mais desenvolvido na Europa, assim como na Inglaterra, o país capitalista mais velho. A burguesia segue cometendo atrocidades, assassinam aos milhares os operários. A vitória será nossa, a vitória da revolução comunista mundial é certa.

Camaradas: Os saúdo cordialmente em nome do Comitê Central do Partido Comunista da Rússia, proponho que passamos para a eleição da presidência. Peço a sugestão de nomes.

Fonte: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1919/03/02.htm


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.