Sobre a condenação de Lula pelo TRF
O ex-presidente Lula - Reuters

Sobre a condenação de Lula pelo TRF

Luciana Genro manifesta-se sobre a condenação de Lula e, guardando as profundas diferenças com seu projeto, defende politicamente seu direito a candidatar-se em 2018.

Luciana Genro 24 jan 2018, 21:02

Tenho defendido o direito de Lula ser candidato e ser julgado pelo povo nas urnas. Sua condenação no TRF-4 pode impedir que isso ocorra. Uma eleição sem Lula pode sim ser considerada uma fraude, como diz o PT. E todos sabem que não tenho nenhuma ligação com Lula nem com o PT. Tenho uma opinião jurídica sobre o processo. Ocorre que a política manipula até mesmo processos judiciais. Por isso o STF salvou Aécio Neves, que segue sendo senador, e Michel Temer segue sendo presidente, apesar das provas cabais contra ele. Então minha manifestação é política.

Num quadro destes, um líder popular ser barrado pela Justiça não é admissível. Vai apenas restringir mais a capacidade de decisão do povo. Uma capacidade de decisão que já é muito pequena, se é que podemos dizer que existe, nesta podridão de sistema, ao qual a cúpula petista se adaptou e agora paga o preço. Um sistema que, além do mais, vem encarcerando em massa a juventude pobre e negra em nome do “estado de direito” e mantém presas milhares de pessoas sem julgamento.

Cabe ao PSOL lutar para construir uma esquerda consequente, antissistema, anticapitalista e que se mantenha coerente com as bandeiras da defesa dos interesses do povo.

Artigo originalmente publicado no site da autora


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.