Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

“Vamos combater a sonegação”

Em entrevista concedida ao jornal Pioneiro, Roberto Robaina discute sua candidatura ao governo do RS e sua visão sobre a política nacional.

Roberto Robaina - Leonardo Contursi/CMPA
Roberto Robaina - Leonardo Contursi/CMPA

O vereador de Porto Alegre Roberto Robaina, do PSOL, é pré-candidato ao governo estadual. Ele irá concorrer pela terceira vez ao Piratini.

Robaina quer apresentar aos eleitores um projeto independente e uma nova forma de fazer política. Por telefone, na terça-feira, apresentou alternativas para recuperar as finanças do RS. Confira a entrevista:

Pioneiro – Porque o desejo de concorrer ao Piratini?

Roberto Robaina – O PSOL tem como característica apresentar um projeto político independente de construção de uma nova forma de fazer política. Um projeto que tenta fazer o contraponto da política tradicional vinculada com as minorias, com os privilégios, com defesa dos mais ricos, com envolvimentos em esquemas de corrupção que é o método de gerenciamento do Estado atualmente. Nós queremos renovar o mandato do deputado Pedro Ruas na Assembleia Legislativa, ele era uma opção que tínhamos (como candidato ao Piratini). A Luciana Genro, também uma liderança fundamental, que vai ser candidata a deputada estadual, o Jurandir Silva, candidato a deputado estadual, a nossa vereadora mais votada na Capital, Fernanda Melchionna vai a deputada federal. A direção e os militantes do partido me delegaram essa tarefa e encaro com muita responsabilidade.

O que pretende oferecer ao eleitor?

Na primeira vez que fui candidato, apresentei sozinho crítica à dívida que tornava o Estado ingovernável se não houvesse o enfrentamento desta dívida. Naquela época, denunciávamos como lesivo o acordo entre o governador (Antônio) Brito e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora temos quase um consenso e a sensação de uma dívida impagável. Nessa campanha além de seguir essa disputa contra o capital financeiro, temos o combate à Lei Kandir, que é também um mecanismo de drenagem dos recursos do Estado para a União, e um benefício para os grandes importadores que não tem nenhum retorno para o Rio Grande do Sul. É preciso fazer um governo novo, baseado na auto-organização democrática dos trabalhadores, se apoiando nos movimentos sociais, nos sindicatos combativos e também gerindo o Estado com o corpo de servidores públicos. Apostamos muito em reduzir o peso dos partidos políticos através dos cargos de confiança e empoderar o servidor público na relação com as comunidades nas cidades e, dessa forma, fazer uma gestão com transparência e democrática.

O PSOL trabalha para buscar coligações?

Nossa preocupação não é essa. Os partidos tradicionais têm uma prática muito ruim de fazer grandes acordos que não respondem ao interesse do povo. Na prática, acabam todos governando juntos. O interesse maior é apresentar nosso projeto diretamente para a população. Devemos ter aliança com o PPL, com o PSTU, mas a nossa linha não é de busca de aliados que não respondem aos interesses do povo.

Qual a sua proposta para recuperar a economia do Estado?

Uma das questões fundamentais é o questionamento da Lei Kandir. A perda calculada com esta lei é de R$ 50 bilhões. Vamos fazer a pressão para que haja o ressarcimento com ações judiciais. A perda anual com a isenção da exportação dos produtos primários é na ordem de R$ 4 bilhões. Sabemos que há um número de isenções injustificadas. Temos casos escandalosos como, por exemplo, o da Videolar que teve uma isenção de R$ 300 milhões para gerar cinco empregos. Também tem o combate a sonegação. Há sonegação de cerca de R$ 9 bilhões. Há uma possibilidade de ter uma política econômica alternativa, mas isso exige independência que os partidos políticos tradicionais não têm.

Qual sua avaliação do governo de José Ivo Sartori?

É um governo que, infelizmente, centrou sua administração no ataque aos servidores públicos. Não garantiu segurança, saúde e educação. É um governo em crise e é um projeto que está ligado ao presidente (Michel) Temer, governo corrupto, ligado ao Eliseu Padilha, que é o gaúcho e braço direito do Temer e é o chefe do PMDB do Rio Grande do Sul. Um governo desastroso do ponto de vista dos interesses populares porque não garantiu melhorias para a população. É um governo que dá respaldo para um projeto que o país inteiro está vendo o nível dos escândalos.

Qual a importância da Lava-Jato?

A luta pela corrupção é fundamental e a operação Lava-Jato teve uma parcela muito importante para ajudar a desmontar os esquemas de corrupção. Ao mesmo tempo, temos visto a influência política e o peso no Supremo Tribunal Federal (STF) a partir da alta cúpula do Judiciário, ações que liberaram lideranças como Aécio Neves (PSDB), vinculado ao esquema de corrupção. O Temer segue presidente porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandado pelo Gilmar Mendes, o absolveu. Ao mesmo tempo que há uma operação importante de combate à corrupção, há muitas instituições, inclusive no âmbito judicial, fazendo uma desigualdade neste combate. O maior exemplo disso é que o Lula está sendo condenado, enquanto Temer é presidente. Se fala da corrupção do PT e não se fala da corrupção do PSDB. Infelizmente, os protagonistas da Lava-Jato não tiveram uma ação firme para resolver essa contradição e essa seletividade.

As denúncias de corrupção a integrantes do PT arranham a imagem dos outros partidos de esquerda?
Na verdade, não só as denúncias de corrupção, o tipo de gestão que o PT fez. É lógico que na medida em que o PT governa se declarando de esquerda e gerenciando os interesses dos grandes capitalistas, além dos problemas envolvendo corrupção, para a população, a esquerda e a direita ficam muito parecidas. Essa mistura simbólica acaba atingindo aqueles partidos políticos como o PSOL que é de esquerda, mas é de outro tipo. Mesmo assim, para a população, essa diferença acaba ficando mais diluída.

Qual é o futuro dos partidos de esquerda no país?

O problema não é só o futuro da esquerda, mas o futuro do Brasil. Defendo um projeto pela igualdade, onde a população tenha mais poder. A população deve se organizar e defender projetos de seus interesses. A nossa construção está ligada ao processo de mobilização popular.

Entrevista realizada e originalmente publicada pelo jornal Pioneiro.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

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