Carta Capital: reacionária ou progressista?
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Carta Capital: reacionária ou progressista?

O editor da Carta Capital é um dos jornalistas que mais se apresenta como crítico da Casa Grande, mas ao mesmo tempo nunca se cansa em servi-la.

Roberto Robaina 28 mar 2018, 22:35

Mino Carta, o editor da Carta Capital, é um dos jornalistas que mais se apresenta como crítico da Casa Grande, mas ao mesmo tempo nunca se cansa de servi-la. Lembro bem quando, durante o governo Lula, a revista fez uma campanha contra o então ministro da Justiça, Tarso Genro. A linha editorial da revista condenava Tarso por não ceder diante da pressão do governo italiano pela extradição do militante Cesare Battisti. Felizmente, Tarso não cedeu nem ao reacionário governo italiano nem à campanha de Mino Carta, que durante meses, dia após dia, atacava Battisti, chamando-o de terrorista.

Agora, Mino Carta lança um editorial denunciando – supostamente – um regime político responsável pela morte de Marielle Franco. Digo “supostamente” porque, na verdade, Mino destila seu ódio contra o PSOL. E pior, é sujo e desrespeitoso com a família de Marielle, de modo quase tão nojento quanto os fascistas e direitistas que a atacaram nas redes sociais depois de seu assassinato, o que Freixo corretamente definiu como segunda tentativa de assassinato da vereadora. No seu disparate, Mino escreveu: “Há um retoque sinistro à tragédia. A família de Marielle Franco surge no vídeo global na noite de domingo 18. Sem me atrever a imaginar alguma recompensa além da ventura de se exibirem no Fantástico, cenário mais empolgante da televisão nativa, os Franco da Maré, como se daria com a maioria dos figurões brasileiros da oposição, aceitaram o convite da emissora determinante da desgraça atual. E o PSOL carioca, Marcelo Freixo na frente, prima na categoria”.

Ataca Freixo e a família de Marielle. O que esse jornalista desqualificado gostaria que fizéssemos? Para ele, Freixo deveria recusar o espaço do Fantástico?! Se ele não fosse um perseguidor de militante da extrema esquerda italiana, poderíamos confundi-lo com um esquerdista sectário que se recusa a aproveitar as brechas e divisões da classe dominante. Mas não, Mino serviu à política que agora Temer, ao que tudo indica, pode levar adiante. Isto é, a extradição e a possibilidade de morte de quem atuou como um revolucionário na Itália e quer apenas, agora, trabalhar e escrever no Brasil.

Por fim, nos últimos anos, a Carta Capital tem parecido mais um panfleto do PT do que uma revista independente. Sua postura, aliás, de teoricamente criticar a Casa Grande, mas ao fim e ao cabo servi-la, muito se parece com a postura do PT no governo federal. Apesar disso, na mesma edição que ataca Freixo e a família de Marielle, a sobrecapa da revista é a propaganda da série da Netflix “O Mecanismo”. Segundo a propaganda, divulgada na Carta Capital, a série revela “o maior escândalo de corrupção de todos os tempos”. Não é neste artigo que discutirei minhas considerações sobre a série, as quais são, cabe salientar, bem diferentes da posição da ex-presidente Dilma. Mas no caso de Mino Carta, quando sabemos que Dilma considerou tal série uma fabricação mentirosa, é o caso de perguntar se vale mais o dinheiro pago pela publicidade da sobrecapa ou as suas ideias.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.