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Intelectuais lançam carta aberta pela reconexão de Julian Assange

Noam Chomsky, Slavoj Zizek, Brian Eno e outras figuras estão exigindo que o fundador do WikiLeaks seja reconectado ao mundo.

Julian Assange na janela da Embaixada do Equador em Londres em 19/05/2017. Foto: Reuters
Julian Assange na janela da Embaixada do Equador em Londres em 19/05/2017. Foto: Reuters

Um grupo de proeminentes intelectuais, ativistas sociais e artistas assinaram uma carta aberta exigindo que o governo do Equador restabeleça a Internet e o acesso telefônico do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, permitindo-lhe visitas e respeitando seu direito à liberdade de expressão.

“Fica claro agora que o caso de Julian Assange nunca foi somente uma questão jurídica, mas uma luta pela proteção dos direitos humanos básicos”, a carta diz.

A carta foi assinada por intelectuais como Noam Chomsky e Slavoj Zizek, assim como pelo músico Brian Eno, o cineasta Oliver Stone, o ex-analista da CIA Ray McGovern, a atriz Pamela Anderson e o ex-ministro de finanças grego Yanis Varoufakis.

O Equador cortou o acesso à internet de Assange, sua janela para o mundo exterior, argumentando que ele violou sua promessa de se abster de comentar questões políticas.

O governo equatoriano argumenta que os comentários de Assange poderiam comprometer as relações da nação latino-americana com outros países, especialmente na Europa.

“Se o governo equatoriano não cessar sua ação indigna, ele também se tornará um agente de perseguição em vez da valente nação que defendeu a liberdade e a liberdade de expressão”, disse a carta.

Os signatários afirmam que as ações do Equador sugerem que os Estados Unidos pressionaram o governo: “Sob o governo anterior, o governo equatoriano corajosamente se posicionou contra a força de intimidação dos Estados Unidos e concedeu asilo político a Assange como refugiado político. Estavam do lado do direito internacional e da moralidade dos direitos humanos”.

Assange tem sido um promotor de movimentos sociais internacionais, incluindo a luta pela independência da Catalunha, pela qual ele tem sido criticado pelas autoridades espanholas.

“Pelos seus tuítes críticos sobre a recente detenção do presidente catalão Carles Puidgemont na Alemanha, e após a pressão dos governos dos EUA, Espanha e Reino Unido, o governo equatoriano instalou um jammer eletrônico para impedir que Assange se comunique com o mundo exterior pela internet e pelo telefone”, a carta continua.

Assange recentemente criticou a decisão da Alemanha de prender Puigdemont em nome do governo espanhol. Poucos dias antes de o Equador interromper seu acesso ao mundo exterior, Assange tuitou uma resposta ao vice-ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, responsável pela Europa e pelas Américas, Alan Duncan, que chamou Assange de “uma pequena minhoca miserável” [miserable little worm].

“Como prisioneiro político detido sem acusação durante oito anos, violando duas decisões da ONU, suponho que eu seja mesmo ‘miserável’, e não há nada de errado em ser uma ‘pequena’ pessoa, embora eu seja um tanto alto; e melhor ser uma ‘minhoca’, uma criatura saudável que revigora o solo, do que uma cobra”, escreveu Assange na terça-feira.

A carta também exige que os direitos humanos de Assange sejam respeitados como cidadão equatoriano e uma pessoa internacionalmente protegida, e pede ao presidente equatoriano, Lenin Moreno, “que acabe com o isolamento de Julian Assange agora”.

“Se não há liberdade de expressão para Julian Assange, não há liberdade de expressão para nenhum de nós — independentemente das opiniões divergentes que temos”, diz o texto.

Assange e as Nações Unidas consideram o fundador do WikiLeaks sob detenção arbitrária na embaixada equatoriana desde 2012, uma descrição de sua situação que é rejeitada pelas autoridades britânicas. O Reino Unido diz que ele voluntariamente entrou no prédio e poderia sair a qualquer momento se estivesse preparado para enfrentar as consequências de suas ações.

Os promotores suecos abriram um caso de estupro contra Assange, mas desistiram depois, quando as evidências desmoronaram. Ele nunca foi acusado de um crime, e seus defensores afirmam que ele está sendo perseguido internacionalmente por causa de seu status como denunciante.

Lista de pessoas que assinam a carta

Pamela Anderson, atriz e ativista
Jacob Appelbaum, jornalista freelancer
Renata Avila, advogada de direitos humanos internacionais
Sally Burch, jornalista britânica/equatoriana
Alicia Castro, embaixadora da Argentina no Reino Unido 2012-16
Naomi Colvin, Courage Foundation
Noam Chomsky, linguista e teórico político
Brian Eno, músico
Joseph Farrell, embaixador do WikiLeaks e membro do conselho do Centre for Investigative Journalism
Teresa Forcades, freira beneditina, mosteiro de Montserrat
Chris Hedges, jornalista
Srećko Horvat, filósofo, Democracy in Europe Movement (DiEM25)
Jean Michel Jarre, músico
John Kiriakou, ex-funcionário de contraterrorismo da CIA e ex-investigador sênior do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA
Lauri Love, cientista da computação e ativista
Ray McGovern, ex-analista da CIA e conselheiro presidencial
John Pilger, jornalista e cineasta
Angela Richter, diretora de teatro, Alemanha
Saskia Sassen, socióloga, Columbia University
Oliver Stone, cineasta
Vaughan Smith, jornalista inglês
Yanis Varoufakis, economista e ex-ministro de finanças da Grécia
Natalia Viana, jornalista investigativa e co-diretora da Agência Publica (Brasil)
Vivienne Westwood, designer de moda e ativista
Slavoj Zizek, filósofo, Birkbeck Institute for Humanities

Publicado originalmente no Telesur e traduzido pela Revista Movimento.

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Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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