Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Do Rio de Janeiro à Palestina: Marielle Presente!

Nota do Comitê Nacional Palestino de BDS de repúdio à execução da vereadora Marielle Franco.

Ativistas prestam solidariedade a Marielle Franco - Reprodução
Ativistas prestam solidariedade a Marielle Franco - Reprodução

Com profunda dor e indignação, nós, do Comitê Nacional Palestino de BDS, a maior coalizão da sociedade civil palestina, recebemos a notícia do assassinato de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro e ativista pelos direitos humanos, e seu motorista, Anderson Pedro Gomes. Da Palestina, nós denunciamos essa execução política e nos solidarizamos com a família, amigos, companheiros e companheiras de Marielle e Anderson, e todas as pessoas no Brasil que lutam por justiça e igualdade.

Mariele era uma mulher negra, queer, de 38 anos, da Maré, a maior favela do Rio de Janeiro. Uma lutadora ativa e destemida que se tornou a quinta vereadora mais votada da cidade em sua primeira eleição. Ela denunciava publicamente as violações da política e exército contra nas favelas. Em meio à injustiça, racismo, machismo e militarização que encobrem nosso mundo, Marielle brilhava como um raio de esperança.

Ela representava as aspirações de muitos brasileiros e brasileiras por mudança, e as esperanças de milhares de pessoas ao redor do mundo, incluindo as nossas, por uma vida digna e livre de opressão. A esperança que Marielle inspirou não foi morta na semana passada. Como o poeta palestino Mahmoud Darwish disse, “nós sofremos de uma doença incurável: esperança”; os ideais que Marielle defendia seguem vivos.

Para todas as pessoas lutando por seus direitos no Brasil, queremos que vocês saibam que não estão sozinhas. Sua luta está sendo amplificada ao redor do mundo e nós, da Palestina, somos parte das incontáveis vozes que nenhuma bala, exército ou brutalidade silenciará. Estamos juntos e juntas com vocês, e lado a lado conquistaremos nossos direitos, liberdades e dignidade.

Nossas lutas estão profundamente conectadas. Isto é especialmente verdade porque. tanto localmente quanto nacionalmente, governos brasileiros têm profundas relações militares e de segurança com o regime israelense de ocupação e apartheid. Estão importando tecnologias e treinamentos “testados em campo” sobre nossos corpos, para reprimir movimentos sociais brasileiros e matar a população pobre e negra.

Nós continuaremos a internacionalizar nossa resistência popular e conectar nossas lutas para acabar com a militarização e a opressão racista, das favelas do Rio à Palestina.

Juntas e juntos estamos comprometidos a seguir lutando pelo mundo que Mariele sonhou, um mundo de liberdade, justiça e igualdade para todas e todos.

Marielle, presente!

Fonte: http://bdsmovement.net/news/rio-de-janeiro-palestine-marielle-presente

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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